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CVM investiga Tanure por suspeita de insider trading na Alliar

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CVM investiga Tanure por suspeita de insider trading na Alliar

Segundo a CVM, fundos ligados a Tanure teriam começado a vender ações da Alliar no fim de 2021, utilizando-se de informações privilegiadas

CVM investiga Tanure por suspeita de insider trading na Alliar
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Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 30 de março – A Comissão de Valores Mobiliários vai aprofundar as investigações sobre uma denúncia de que fundos ligados ao empresário e investidor Nelson Tanure supostamente teriam se utilizado de informações privilegiadas para realizarem operações com ações da rede de medicina diagnóstica Alliar.

Marco Antonio Papera Monteiro, da Gerência de Acompanhamento de Mercado da CVM, sugere, em documento, continuar com as investigações da denúncia feita pela gestora Esh Capital, afirmando que a reclamação de possível “insider trading” apresentada por ela “parece se configurar legítima”. A Mover obteve o documento por meio de uma fonte que pediu anonimato.

O blog Pipeline, do jornal Valor Econômico, noticiou em primeira mão o pedido de continuidade do inquérito por parte da CVM. Procurado, o Fonte de Saúde, fundo ligado a Tanure, afirmou que não recebeu nenhuma notificação da CVM e que o que foi publicado até agora a respeito do tema “traz ilações sem o menor fundamento e fatos retirados de contexto”.

“Reiteramos que a negociação está sendo conduzida com responsabilidade e transparência, dentro do que determina a legislação brasileira”, disse o fundo, citado nas investigações e que está envolvido no acordo com o bloco de controle da Alliar. Vladimir Timerman, fundador e gestor da Esh Capital, disse que não se manifestaria sobre a denúncia.

Segundo a CVM, fundos ligados a Tanure teriam começado a vender ações da Alliar no mercado no final do ano passado, utilizando-se de informações privilegiadas, enquanto Tanure negociava a aquisição das ações em mãos do bloco de controle da empresa de diagnósticos médicos. Os veículos mencionados no documento incluem MAM Eagle FIM CP IE, Fonte de Saúde FIP Multiestratégia, Borgonha FIM IE CP e Kyoto FIM CP.

A disputa pela compra da Alliar foi uma das mais intensas no setor de saúde brasileiro em anos, com Rede D’Or, Fleury e Hermes Pardini buscando adquirir o controle da empresa que pertencia ao fundo de investimentos Patria e tinha entre seus acionistas um grupo de quase 70 profissionais da saúde e investidores renomados – como Luiz Barsi.

A venda dessas ações teria começado em 18 de novembro, quando surgiram notícias de que os médicos e os investidores que controlam a Alliar acertaram vender seus papéis para Tanure a R$20,50 cada. A compra só seria confirmada pela Alliar em 26 de novembro, mas as notícias resultaram numa alta das ações, com investidores minoritários se antecipando à possível Oferta Pública de Aquisição de ações que Tanure se veria forçado a fazer.

No entanto, em 22 de dezembro, as ações da Alliar registraram queda de mais de 20%, depois que surgiram detalhes do acordo. O ponto que desagradou foi a previsão de uma opção de venda futura, conhecida como “put”, permitindo aos controladores venderem as ações após dois anos do fechamento do acordo, pelos mesmos R$20,50 mais correções monetárias.

A medida foi interpretada como uma forma de Tanure evitar a realização da OPA.

De acordo com a CVM, os quatro fundos “venderam grande quantidade de ações” a partir da data em que as primeiras notícias sobre a venda do controle da Alliar surgiram até pouco depois dos detalhes do acordo terem vindo a público, “provavelmente sabendo que do contrato de venda constaria a ‘put’, possibilitando ou tentando a possibilidade de evitar uma OPA”.

A autarquia indica que os fundos ligados a Tanure venderam quase 1,5 milhão de ações ordinárias da Alliar (AALR3), por um total de R$25,4 milhões, a um preço médio de R$17,19 por ação. Isso equivale a um prêmio de 38,85% ante o preço de fechamento de 17 de novembro – um dia antes do início da venda por parte dos fundos.

A Esh Capital tem criticado os termos do acordo entre Tanure e controladores da Alliar desde que foram divulgados ao mercado. Em sua conta no Twitter, Timerman já afirmou que a opção de venda é um “inequívoco abuso de poder de controle”, criando condições diferentes entre os acionistas.

Em 14 de março, uma pesquisa feita pela Alliar com os integrantes do bloco de controle revelou que a maioria dos seus integrantes pretende vender suas participações a Tanure sem optar pela put, abrindo caminho para a OPA.

As ações da Alliar fecharam o pregão da última quarta-feira, 30, em elevação de 0,28%, a R$18,18.

Texto: Ivan Ryngelblum
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Gustavo Boldrini
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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