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Disparada do petróleo deve favorecer ‘junior oils’ em crescimento

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Disparada do petróleo deve favorecer ‘junior oils’ em crescimento

Com o petróleo alcançando as máximas de dez anos, as ‘junior oil’ brasileiras, petroleiras que não a Petrobras, devem ser beneficiadas

Disparada do petróleo deve favorecer ‘junior oils’ em crescimento
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Atualizado há 2 meses

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São Paulo, 4 de março – A disparada do petróleo para o maior patamar em dez anos em meio a conflitos entre Rússia e Ucrânia deve favorecer e impulsionar a receita das exploradoras de petróleo listadas na B3, que poderão realizar investimentos em um ciclo favorável da commodity, disseram analistas à Mover.

A Rússia responde por cerca de 10% da oferta global de petróleo bruto e qualquer interrupção de fluxo provocada por sanções ocidentais pode afetar os mercados globais. Para completar o quadro de turbulência, gigantes da energia, como a britânica BP, a americana Exxon Mobil e a portuguesa Galp têm se movimentado para sair de projetos de exploração e produção de óleo e gás em conjunto com empresas russas.

Após uma alta de mais de 60% nos últimos 12 meses, os contratos futuros do barril de petróleo Brent atingiram US$119,84 na quinta-feira, no maior valor desde 2012. Neste cenário, as chamadas ‘junior oil’ brasileiras, petroleiras do país que não a Petrobras, devem apresentar um forte crescimento de receita líquida e Ebitda, segundo Hiury Goulart, analista de ações da Inter Asset.

“A curva futura do barril de petróleo Brent já se estabelece perto de US$100 para 2022, com queda para os anos subsequentes, tornando este ano especialmente oportuno para PetroRio, 3R Petroleum e Petroreconcavo”, avalia.

Nos atuais patamares de preço do Brent, as ações das ‘junior oils’ são negociadas com desconto atrativo, segundo Adriano Leite, responsável pelas relações com investidores da Moat Capital.

Tais empresas, são chamadas dessa forma, porque ainda não completaram seus ciclos de investimento e produção, tendo capacidade menor do que grandes produtoras. As ‘juniores’ têm focado em adquirir novos campos de exploração e devem elevar substancialmente a produção de barris de petróleo a partir de 2022, à medida que ocorre a maturação dos novos poços.

“Empresas menores, como 3R Petroleum, PetroRio e Petroreconcavo ainda possuem uma produção de baixa. Uma vez com produção integral de novos campos e com o atual preço de tela do petróleo, negociam em média próximas de 2 vezes EV sobre Ebitda para 2023”, disse Leite.

Em outras palavras, as junior oils listadas na B3 valem cerca de 2 vezes o seu valor de mercado somado à dívida líquida (Enterprise Value), na comparação com seu potencial de geração de caixa projetado (lucro operacional medido pelo Ebitda) para 2023, no cenário de petróleo Brent acima de US$100,00 por barril.

“Com a commodity entre US$70 e US$80 por barril, estariam negociando a 3 ou 4 vezes EV sobre Ebitda”, completou Leite, destacando que nesse segundo cenário, seriam papéis menos descontados.

Desde o início do ano, as ações ordinárias de Enauta (ENAT3) e da PetroRio (PRIO3) saltam mais de 35%. Já os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) sobem aproximadamente 20%. Enquanto isso, as ações ordinárias da Petroreconcavo (RECV3) e da 3R Petroleum (RRRP3) avançam mais de 15% no mesmo período.

Risco político

Outro fator que beneficia tais companhias é sua menor exposição ao risco político, “tão evidente num ano eleitoral conturbado”, ressaltou Goulart.

A Petrobras, que domina o mercado brasileiro com cerca de 95% da produção, tem mantido os preços dos combustíveis abaixo da paridade internacional no período recente, mas a cada reajuste nas refinarias causa comoção entre consumidores e reclamações dentro do governo federal.

Dessa forma, o Goulart acredita que as junior oils podem ser opções interessantes para investidores que buscam exposição ao setor de petróleo.

Petróleo no futuro

A Moat Capital está otimista com petróleo já há algum tempo, dada a lentidão da mudança na matriz energética que o mundo tem passado. Para a gestora, antes que as energias renováveis dominem o mercado, deve haver uma alta nas cotações dos combustíveis fósseis.

Em novembro a Moat mapeou, com auxílio de pesquisas e relatórios, que seriam necessários investimentos de US$370 bilhões por ano da indústria petrolífera para manter a produção em níveis constantes nos próximos anos. Foram observados, no entanto, investimentos de US$300 bilhões nos dois anos anteriores ao mapeamento, sinalizando que “a demanda por petróleo não deve cair na mesma velocidade que a oferta”.

Por isso, companhias como 3R Petroleum e Petroreconcavo devem se beneficiar de investimentos que têm planejados. São empresas que adquiriram ativos da Petrobras que, se para a gigante estatal representam uma pequena parcela da produção, para as juniores tornam-se os principais campos.

“O mesmo aconteceu com PetroRio, mas como ela está em um estágio mais avançado, negocia a um múltiplo mais alto”, disse Leite, da Moat.

“As juniores devem se beneficiar da atual conjuntura. Estão baratas, não correm o risco de interferência política e os novos projetos ficarão maduros em breve, pois os campos estavam praticamente prontos para serem explorados”, completou.

Preços futuros

Apesar do otimismo, os analistas ressaltam que a tarefa de projetar preços para a cadeia de commodities é bastante desafiadora, ainda mais no atual cenário geopolítico conturbado.

“A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, Opep, consegue controlar razoavelmente a oferta, a ponto de distorcer o preço da commodity quando for conveniente”, avaliou Goulart.

Os preços do petróleo devem seguir pressionados no curto prazo, em linha com situações que podem gerar interrupções de fluxo e busca por aumento de estoques. Mas em seguida, o analista da Inter Asset vê uma curva descendente, com a queda suavizada por reequilíbrio natural de oferta e demanda.

Já para a Moat, é possível que uma mudança neste cenário, por exemplo com uma resolução rápida e pacífica do conflito na Ucrânia, possa causar uma forte correção baixista nos preços do Brent. Por isso, a gestora optou por reduzir a posição comprada que detém nas ações da Petrobras.

Além disso, os especialistas não acreditam que alta de preços traga novos investimentos por parte das grandes petroleiras. “O problema é que aumentar a produção exige investimentos vultosos e um grande tempo de maturação para novas campanhas ou projetos, o que não vai ao encontro com a tendência global de economia verde e não é o caminho mais trivial para as gigantes do setor”, avaliou Goulart.

“Na verdade, o petróleo mais caro acelera investimentos na energia alternativa, que tem um custo maior. Isso foi observado em 2008, quando a commodity também tocava patamares historicamente altos”, disse Leite.

“Grande parte da matriz renovável que temos hoje começou em 2008. Se o petróleo estiver barato, torna-se uma fonte de energia mais atrativa para o consumo”, ressaltou.

Texto: Artur Horta
Edição: Gustavo Bonato
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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