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Atualizado há 10 meses

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São Paulo, 11 de dezembro – A captação de US$2,5 bilhões do Tesouro Nacional no exterior no começo de dezembro, com juros na mínima histórica e uma demanda três vezes superior à oferta para prazos de
cinco, dez e 30 anos, deve levar mais empresas brasileiras a emitirem dívida externa no começo do ano, disseram banqueiros e gestores ouvidos pela TC Mover. Isso, porém, dependerá do compromisso do governo em manter as contas públicas em ordem no pós-pandemia da Covid-19.

O sucesso do Tesouro refletiu melhores condições dos mercados externos, afirma José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos. O risco-Brasil para dívida de cinco anos, o chamado CDS, caiu cerca de 100 pontos-base desde o pico de outubro, estabilizando-se perto de 150 pontos acima dos juros americanos de duração similar. 

O valor consolidado dos títulos incluídos no índice Bloomberg Barclays EM Brazil opera perto das máximas históricas, o que quer dizer que os rendimentos dos títulos corporativos do país estão sob forte compressão. Um CDS menor e um valor relativo dos títulos brasileiros em alta deixam o ambiente de captação mais favorável para as empresas, disseram gestores da Quasar Asset.

Juros baixos e liquidez externa colaboram com entrada de dólares no Brasil

Neste ano, até novembro, as emissões de renda fixa externa, que sofreram no auge da pandemia, atingiram US$23,3 bilhões, perto dos US$24,5 bilhões de todo o ano passado, segundo dados da Anbima. 

Juros baixos e grande liquidez externa por conta dos incentivos dos bancos centrais e dos governos permitem que as companhias brasileiras captem com prazos mais longos e menor custo, favorecendo também a entrada de dólares no país. Tradicionalmente, e dependendo muito do humor no exterior, a janela de emissões abre na segunda semana de janeiro.

Empresas cogitam emitir títulos de dívidas em dólar

Fontes disseram à TC Mover que a Vale, código VALE3, pode iniciar o ano anunciando uma emissão de dívida em dólar, para substituir vencimentos mais caros. Outras candidatas incluem uma grande siderúrgica, uma empresa de comércio eletrônico e a Petrobras, código PETR4, apontaram as mesmas fontes. 

As ofertas no exterior também podem recomeçar com bancos, tradicionais emissoras que buscam financiamento em dólar para estender crédito a grandes empresas. Já as exportadoras têm um hedge natural de receita que lhes permite aproveitar as melhores condições de taxas e prazos do exterior, explica Paulo Henrique Duarte, da Valor Investimentos.

Com a reabertura dos bônus brasileiros pelo Tesouro, “abre-se uma grande janela para as companhias brasileiras em janeiro”, diz Sandy Severino, responsável por captações externas de renda fixa do BTG Pactual. 

Nas últimas semanas, por exemplo, a Suzano fez a reabertura de uma operação de US$750 milhões e a B2W e a Lojas Americanas, que nunca haviam emitido no exterior, captaram US$500 milhões e US$350 milhões, respectivamente. O BTG Pactual participou das três operações. No momento, as exigências do mercado internacional em termos de avaliação de risco são mais altas, limitando a janela a empresas de maior porte.

Alta dos juros longos favorece captação externa

Em 2019, houve um recuo das emissões pois os juros locais caíram bastante e os prazos se alongaram, permitindo às empresas substituir as captações externas pelas locais. Agora esse cenário mudou – e pode continuar um pouco desafiador – com a alta das taxas longas locais por causa do risco fiscal. 

Com dificuldade de rolar sua dívida internamente, é interessante para o Tesouro buscar recursos lá fora diante do juro zero ou negativo nos países desenvolvidos. No entanto, o volume elevado de reservas internacionais do Brasil deixa os investidores confortáveis em comprar os papéis.

Com a pandemia, a maior parte das empresas usou o caixa disponível ou se endividou muito, principalmente no curto prazo. Ao mesmo tempo, a subida dos juros longos tornou atraentes as condições de financiamento externas. 

Empresas sem receita em dólar podem não ter apetite para captação externa

“As emissões só não serão maiores porque a maioria das empresas não vai investir muito, já que a capacidade ociosa ainda é alta”, disse Gonçalves, cujo banco é especializado na estruturação de emissões domésticas de dívida. 

No entanto, empresas que não possuem receitas em dólar podem não ter tanto apetite para captar no exterior, já que terão o custo extra do hedge cambial. Severino, do BTG Pactual, acha que mesmo as empresas que não são exportadoras podem aproveitar esse movimento para trocar dívidas caras e curtas por mais baratas e longas. Há também os “green bonds”, ou bônus verdes, que estão sendo muito procurados no exterior e podem ampliar o volume captado pelas empresas brasileiras. 

Texto: Angelo Pavini
Colaboração: Leandro Tavares e Vinicius Custódio
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: TC Mover

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