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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 16 de junho – Preocupado com a escalada dos preços ao consumidor, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil elevou a taxa básica de juros para 4,25% ao ano. Esta foi a terceira alta de 0,75 ponto percentual. Além disso, o Copom sinalizou uma alta de igual magnitude para a próxima reunião. O comitê afirmou, ainda, que uma piora das expectativas inflacionárias levaria a uma retirada tempestiva dos estímulos no pós-pandemia.

 

Banco Central pode agir para levar taxa Selic ao juro neutro mais rápido

A comunicação indica que o Banco Central pode levar a taxa Selic mais rápido para o chamado juro neutro, diante da escalada da inflação, caso a percepção de que os preços ao consumidor irão acelerar se materialize. A taxa neutra, um conceito teórico que basicamente calcula aquela taxa básica de juros que não esfria nem acelera o crescimento e a inflação em uma economia, é estimada para o Brasil entre 6,50% e 6,75%.

A decisão unânime do Copom, que também configura a terceira alta seguida de 0,75 ponto percentual, já era esperada pelo mercado. A menção ao ajuste parcial do comunicado passado não estava mais nesta ocasião.

No parágrafo em que sugere um aumento igual para agosto, o Banco Central destaca que, “contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários”, o que segundo economistas, pode ter algum impacto nos ativos financeiros negociados na bolsa no pregão de quinta-feira.

 

Mesmo esperada, decisão do Copom pode refletir nos juros amanhã, disse Reinaldo Le Grazie

“Pode ser que a curva empine um pouco amanhã, mesmo apesar de a elevação da Selic ter sido esperada pelo mercado”, disse na TC Rádio Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de política monetária do Banco Central e hoje sócio da Panamby Capital. Em conversa com a TC Mover, ele disse que não gostou da decisão do Copom, por achá-la parcimoniosa demais em meio ao cenário de rapidíssima piora nos números e nas expectativas de inflação.

Para Daniel Weeks, economista-chefe da Garde Asset Management, “o fato de os juros longos subirem amanhã seria uma prova de credibilidade de que o BC está fazendo o correto em relação à inflação”.

 

Copom reforça que poderá ajustar passos futuros para cumprir meta da inflação

Segundo o Banco Central, a persistência da pressão inflacionária revela-se maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais. A normalização mais lenta nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo.

O Copom repetiu que “não há compromisso” com essa posição. Também reforçou que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação. O Banco Central elevou sua projeção para a inflação para 5,80% no fim do ano. A projeção mais recente era de 5,10%.

A meta oficial é de uma inflação no centro da meta de 3,25%. Com intervalo de tolerância de 1,50 ponto percentual para mais ou para menos, o teto é de 5,25%. Mais uma vez, a autarquia disse que permanecem fatores de risco para o descumprimento da meta da inflação em ambas as direções.

Texto: Bárbara Leite e Gabriel Medina
Colaboração: Karine Sena e Mariana Galvão
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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