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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 15 de junho – Após o dragão inflacionário voltar a colocar a cabeça para fora em maio, o Comitê de Política Monetária, Copom, do Banco Central deve subir a taxa básica de juros, a taxa Selic, amanhã em 0,75 ponto percentual, como já indicado na última decisão. O comitê deve adotar, ainda, uma postura mais agressiva a partir de agosto.


Postura do Copom busca evitar que alta nos preços afete expectativas para a inflação

Essa postura busca evitar que a alta atual nos preços ao consumidor contamine as expectativas dos brasileiros para a meta de inflação para 2022, segundo analistas e economistas de 15 instituições financeiras ouvidas pela TC Mover. Também deve cair fora do comunicado da decisão a menção a apenas “um ajuste parcial” na taxa Selic, disseram todos eles.

Para os analistas, o ajuste parcial mencionado pelo Copom deixou de fazer sentido diante da disparada dos preços e da recuperação da atividade econômica mais forte do que o esperado.

Sem a chamada normalização parcial, a taxa Selic vai subir mais rápido para o chamado nível neutro, agora estimado entre 6,50% e 6,75% ao ano, de acordo com Marcos Ross, economista-chefe da Haitong no Brasil.


Membros do comitê defendem que inflação está ligada a choques transitórios

Esse ritmo de altas implica que o Copom sinalizará outra alta de mesma magnitude na reunião de 4 de agosto. Precavido, o comitê manterá o plano de voo em aberto, colocando na nota a advertência padrão de que a próxima decisão dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Os membros do comitê defendem consistentemente que a inflação corrente é alimentada por choques transitórios. Os choques, por sua vez, desapareceriam em poucos meses. Mas, em maio, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, referência da inflação para o Banco Central, galgou para 8,06% em 12 meses. O dado estourou de longe o centro da meta, que é de 3,75%, e até o teto, de 5,25%. Nos últimos oito meses, seis tiveram inflação acima de 0,80%.

“É inimaginável a Selic ficar neste ano abaixo de 6,50%. Isso pode significar que vai furar a meta em 2022. Por isso, acreditamos que o BC não vai subir os juros de maneira parcial. Este grupo prefere ir mais rápido para o objetivo, então deve sugerir uma nova alta de 0,75 ponto percentual na reunião de agosto”, disse Ivo Chermont, economista-chefe da gestora Quantitas.


Probabilidade de elevação da taxa Selic em 1,00 ponto percentual aumentou

Essa postura do Copom deve levar a uma menor inclinação na curva de juros. Os juros futuros, DIs, longos deverão recuar ou registrar altas mais suaves. Para alguns dos analistas consultados, a necessidade de elevações maiores na taxa Selic à frente se reduziria. Isso diminuiria a brecha entre a inflação observada e esperada no longo prazo.

Já o real tenderia a se valorizar, uma vez que a decisão do comitê não deve ser acompanhada de altas no juro americano. A taxa do país, conhecida como taxa Fed Funds, deverá ser mantida horas antes entre 0,00% e 0,25%, na decisão do Federal Reserve.

Embora haja unanimidade em torno da alta de amanhã, mais investidores se protegeram no mercado de opções para o caso da alta ser de 1,00 ponto percentual. A probabilidade de elevação em 100 pontos-base subiu de 8% para 18% em dias recentes. A alta aponta para um resultado mais incerto. Nos EUA, o Federal Reserve pode anunciar que a redução das compras mensais de títulos pode começar em breve.


Recente valorização do real é novo elemento desinflacionário, diz economista

O Copom inicia hoje sua reunião de dois dias, e deve divulgar sua decisão nesta quarta-feira, 16, depois das 18h30. É esperado pelos economistas consultados que o Banco Central detalhe sua visão sobre as últimas impressões da inflação e sua persistência. Outra informação será sobre como veem o mais recente desenvolvimento fiscal benigno contribuindo para as taxas neutras, entre outras coisas.

Mas o mercado não viu, por exemplo, no Índice de atividade econômica do Banco Central, IBC-Br, de abril, mais fraco do que o previsto, motivos suficientes para frear apostas de alta na taxa Selic. Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, destaca, porém, que a discussão sobre a trajetória da taxa Selic ganhou um novo elemento desinflacionário: a recente valorização do real. O movimento pode tirar pressão por uma taxa maior.


Comunicado do Copom deverá sinalizar aumentos adicionais da taxa Selic

Para Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina no Goldman Sachs, o comunicado pós-reunião do Copom e a orientação futura devem sinalizar de forma contundente que aumentos adicionais estão próximos. Indicarão, também, que haverá “uma afirmação ampla e geral de que a política futura será calibrada para manter a trajetória projetada para a inflação alinhada às metas ao longo do horizonte relevante para a política monetária”.

Já para José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, o ambiente global mais desafiador e o crescimento mais consistente da economia, a recuperação do setor de serviços e a alta dos núcleos de inflação devem marcar a decisão e o posterior comunicado do comitê.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


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