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Atualizado há 7 meses

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São Paulo, 16 de março – O discurso de que o Banco Central está confortável com a inflação deve ter um ponto final hoje, quando o comitê de política monetária da autarquia deve anunciar a primeira elevação na taxa básica de juros em quase seis anos.


BC está em encruzilhada, avalia Goldman Sachs

De acordo com economistas, analistas e contribuidores do TC, a reunião do comitê conhecido como Copom, que começou ontem, dará início a um novo ciclo de alta da taxa Selic, com os diretores da autarquia correndo para desarmar a bomba relógio que é o risco de descontrole dos preços ao consumidor. A decisão, uma das mais importantes dos últimos tempos, encontra o BC em uma encruzilhada, aponta Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina.

Para controlar o câmbio e evitar o repasse da alta do dólar para os preços locais, o Copom precisa subir a Selic, mas, se faz isso, desestimula a economia, que enfrenta a segunda onda da Covid-19. Ao mesmo tempo, se sobe a Selic, encarece o serviço da dívida pública – atualmente na máxima histórica em termos absolutos e relativos.

Manter a Selic no patamar atual, a mínima histórica de 2,00%, pode incentivar a fuga de capitais e deixar a alta do dólar ainda mais descontrolada, a inflação sob pressão, e o cenário econômico para consumo e investimentos mais imprevisível, disse ele.


Maioria das instituições apostam em aumento de meio ponto percentual na Selic

É por conta disso que os investidores estão divididos quanto a dimensão do aumento. Para nove das 17 instituições consultadas pela TC Mover, o Copom deve subir a Selic meio ponto percentual, a 2,50% ao ano. Outros seis esperam alta mais agressiva, de 0,75 ponto percentual.

Já Ativa Investimentos e a economista-chefe do TC, Fernanda Mansano, apostam em aumento de 0,25 ponto percentual, para evitar desestimular uma economia que não consegue engatar após as novas restrições para conter a pandemia. No entanto, há consenso entre todos os analistas consultados de altas mais agressivas nas próximas reuniões, puxando a Selic descontada pela inflação de volta para o terreno positivo em breve.


Inflação, depreciação do real e riscos fiscais pressionam decisão do BC

“O BCB não tem tempo para gradualismo e tem que agir rapidamente para conter a depreciação do real e a piora das expectativas de inflação”, avalia a equipe do BTG Pactual, que espera um ajuste de meio ponto na Selic.

Para a gestora Quantitas, diante dos novos ruídos políticos, riscos fiscais crescentes e o dólar alto, é necessário subir a Selic mais do que isso para driblar a inflação. Já Ramos, do Goldman Sachs, “não há necessidade de o BC apertar o botão do alarme dada a ausência de pressões de demanda sustentadas sobre a inflação”. Há quem diga que as recentes intervenções do BC no mercado cambial, com mais US$4 bilhões despejados, foram desenhadas para aliviar o dólar às vésperas do Copom.

Se a amplitude do ajuste divide opiniões, o tom do comunicado do Copom, que deve sair pelas 18h30, traz algumas unanimidades. O BC pode tentar dar ao mercado uma ideia de qual seria o teto para a Selic no final do ciclo de alta, sua extensão e intensidade.

No geral, todos os economistas acham que o comunicado deva tratar, pela primeira vez, em pelo menos 17 reuniões, mais de política monetária do que política fiscal, pandemia ou riscos externos. O comunicado deve trazer viés de alta na Selic à frente. No balanço de riscos, o órgão deve dar sinal mais severo, indicando que é maior o risco de não cumprimento da meta da inflação pela desancoragem de expectativas no curto prazo e de iliquidez externa para emergentes com a alta dos yields dos Treasuries americanos.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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