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TRAD3

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Atualizado há cerca de 3 anos

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Após dois anos de conversas e se antecipando ao Tesouro Nacional, a coreana Mirae Asset Global Investments lançará em 10 de setembro o primeiro ETF de renda fixa no Brasil. O fundo de índice chega em um momento crucial para o mercado de renda fixa, impactado pela turbulência ao redor da corrida eleitoral, prometendo ao investidor pessoa física uma taxa de administração competitiva e maior liquidez do que ele encontra nos mercados secundários de títulos públicos ou de juros futuros.

 

Operando no Brasil há mais de uma década, a Mirae Asset tem um longo histórico de atuação em ETFs em outros países, disse o diretor de investimentos, André Pimentel, em conversa com o TC News. Analisando o mercado brasileiro, Pimentel e sua equipe entenderam que estava na hora de trazer um produto semelhante. A iniciativa ganhou velocidade extra quando o Tesouro Nacional coincidentemente lançou um edital em maio para a criação de um ETF para o segmento.

 

O ETF da Mirae irá replicar o S&P/B3 Índice de Futuros de Taxas de Juros, um fundo que mede o desempenho de uma carteira formada por contratos futuros de DIs de três anos. A negociação das cotas ocorrerá de duas formas, via mercado primário, por agentes autorizados, e por meio de corretoras de valores que operem no mercado secundário.

 

Já produto pensado pelo Tesouro seria formado por títulos públicos indexados ao IPCA, mas nenhuma empresa se interessou. A expectativa é que a Mirae não fique sozinha por muito tempo, mesmo em meio a forte volatilidade de mercado e a expectativa de uma alta na taxa básica de juros no ano que vem. O montante detido por investidores em ETFs no mercado local não chega a R$10 bilhões – uma fração do que a indústria de fundos no Brasil administra: R$4,3 trilhões.

 

“O ETF de renda fixa, quando comparado com o de renda variável, tem um claro potencial a ser explorado, ainda mais se você pensar que esse mercado é muito maior aqui no Brasil”, explica Pimentel, destacando que a Mirae já está de olho em outras possibilidades de explorar esse tipo de produto por aqui.

 

O grupo, que está entre os 20 maiores em gestão de ETFs do mundo com gerenciamento de R$110 bilhões equivalentes a esse produto, adquiriu recentemente a Global X, uma empresa americana especializada em ETFs. “Eles têm uma série de produtos inovadores, e que em algum momento fará sentido trazê-los para cá”, revela Pimentel.

 

Ao longo dos últimos anos, os ETFs se tornaram opções interessantes para quem não acompanha o dia a dia do mercado, mas deseja diversificar sua carteira sem correr grandes riscos. Eles podem ser indexados a índices de referência, como o das companhias do setor elétrico na B3, ou a uma lista de bons pagadores de dividendos.

 

Mas, quando o assunto é renda fixa, há escassez de índices agregadores, aqueles que facilitam a administração da sua carteira de investimentos, mesmo que o segmento de dívida pública e corporativa tenha uma quantidade de produtos muito maior do que o de renda variável.

 

O Tesouro tinha escolhido o índice IMA-B, como é conhecido o Índice de Mercado Anbima, como referência para seu produto de ETF.

 

Para Pimentel, as vantagens desse produto para o investidor pessoa física são imensas, que com R$100 já conseguirá comprar a quantidade mínima de 10 cotas do produto da Mirae. O investidor pagará uma taxa administrativa de 0,30% – tarifa que parece bem competitiva, se comparada a outros fundos de renda fixa tradicionais ou a da ETFs de renda variável.

 

Pimentel também menciona que a Mirae tem conversando com as instituições que irão negociar o ETF “para que o produto tenha um spread muito justo”. No mercado primário, o lote padrão será de 100 mil cotas, a princípio, com valor mínimo de R$1 milhão para o investimento. Já no mercado secundário, a quantidade mínima para investimento será de 10 cotas, sendo o valor inicial cerca de R$10 para cada.

 

“Ao adquirir cotas do ETF, o investidor passa a deter ativos de renda fixa da carteira teórica do índice de referência, sem a necessidade de comprá-los no mercado, o que poderia envolver mais custo nessas negociações”, explica Pimentel.

 

Dois investidores sediados em São Paulo que gerem mais de R$600 milhões em um fundo focado em crédito disseram ao TC News que a criação do ETF será um “catalisador” para um crescimento mais acelerado do mercado de renda fixa no Brasil. Para um deles, “não vai ser imediato, mas pode mostrar força e isso deve ser muito bom para o mercado, que precisa de instrumentos assim para ficar mais acessível e líquido”.

 

O código de negociação do ETF será FIXA-ETF01L1 e o nome formal do instrumento é Mirae Asset Renda Fixa Pré.

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