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Atualizado há 11 dias

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São Paulo, 6 de janeiro – A família Safra entrou discretamente para a cada vez mais longa lista de investidores em energia solar do Brasil, com a criação de uma empresa de soluções em geração fotovoltaica, a Sol Copérnico, que coloca em marcha um ambicioso plano de crescimento, disseram três fontes ao Scoop by Mover.

Focada inicialmente em instalações renováveis de pequeno porte, conhecidas como geração distribuída, a Sol Copérnico é uma aposta de David Safra, um dos herdeiros do banqueiro Joseph Safra, de acordo com as fontes, que pediram anonimato porque o clã dono do Banco Safra prefere manter discrição em seus negócios.

A geração solar distribuída, conhecida pela sigla GD, foi o nicho do setor elétrico com maior crescimento no Brasil em 2020 e 2021, mas a Sol Copérnico avalia expandir as atividades também para usinas fotovoltaicas de grande porte. De acordo com duas das pessoas que falaram ao Scoop, a empresa chegou a fazer recentemente uma oferta para comprar a Focus Energia.

Dona de um grande complexo solar em construção na Bahia e de uma carteira de projetos para investimentos futuros, além de operações de comercialização de energia, a Focus acabou rejeitando a proposta dos Safra e anunciou em 15 de dezembro acordo para ser incorporada à Eneva, em negócio de quase R$1 bilhão.

A Sol Copérnico, no entanto, continua considerando aquisições, principalmente para “entrar em utility scale”, disse uma das fontes, em referência a projetos solares de grande porte.

A Sol Copérnico

Lançada em 2020, a Sol Copérnico tem David Safra e sua esposa como sócios indiretos, por meio de um veículo de investimento, a Selaya Participações. Safra, que cuida diretamente dos assuntos da empresa, e chegou a se envolver nas negociações pela Focus, segundo as fontes, não divulgou publicamente o investimento na companhia.

Uma das grandes apostas atuais da Sol Copérnico passa por uma parceria com o Safra para que clientes possam usar recursos do FGTS como garantia em financiamentos concedidos pelo banco da família para a compra de kits de geração solar.

A Sol Copérnico também oferece planos de suprimento por energia solar com pagamento mensal, nos quais não é necessário nenhum investimento prévio.

Os financiamentos para instalações solares de geração distribuída têm atraído outras instituições financeiras, como o Santander Brasil, que tem diversas soluções de empréstimos ao setor, e o Banco BV, que oferece crédito e ainda fechou no ano passado uma opção de compra de até 100% da fintech Meu Financiamento Solar, do Portal Solar.

Procurada, a Focus informou que não irá comentar o assunto. A Sol Copérnico não respondeu pedidos de comentário. Não foi possível falar com representantes da família Safra.

A Sol Copérnico informa apenas que é correspondente bancária do Safra, e que trabalha também com financiamentos de Santander e BV. Isso permite que ela venda produtos com créditos desses bancos a clientes, mas não há relação societária entre a companhia e as instituições financeiras.

Setor quente

O crescimento da capacidade solar no Brasil foi recorde em 2021, e especialistas esperam desempenho ainda superior em 2022, após a aprovação pelo Congresso de um projeto que muda regras para novos projetos de geração distribuída.

Como essa regulação será menos favorável, a visão do mercado é de que haverá aceleração dos investimentos no setor ao longo do ano, antes que ela entre efetivamente em vigor.

O aquecimento do setor de GD já havia ficado evidente no ano passado, com a compra da distribuidora de equipamentos solares Aldo Solar pela gigante canadense de infraestrutura Brookfield, em agosto. Dois meses depois, o grupo do empresário Edson Queiroz, da Nacional Gás, anunciou associação com a instaladora de sistemas GD Solar.

O Brasil fechou 2021 com 13 gigawatts em capacidade de energia solar, sendo 4,6 GW em usinas de grande porte e 8,4GW em instalações menores, de GD, principalmente em telhados. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica estima que só os sistemas de GD já somam investimento acumulado de R$42 bilhões no país desde 2012.

*Esta reportagem foi publicada antes exclusivamente para os assinantes. Quer receber notícias e furos em primeira mão? Então, assine um dos planos do TC.

Texto: Luciano Costa
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Mover

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