0

FMI reduz fortemente projeção para o PIB do Brasil

mercados

FMI reduz fortemente projeção para o PIB do Brasil

Em relatório publicado hoje, o FMI cita ômicron, gargalos nas cadeias de suprimentos e inflação como motivos para projeção menor do PIB

FMI reduz fortemente projeção para o PIB do Brasil
guilherme-maradei-dogo

Atualizado há 4 meses

Ícone de compartilhamento

São Paulo, 25 de janeiro – O Fundo Monetário Internacional, FMI, reduziu as projeções de atividade econômica para 2022 no Brasil e em quase todos os países, citando os impactos da variante ômicron da covid-19, os gargalos nas cadeias de suprimentos e a inflação mais persistente pelo choque de oferta, especialmente nas commodities energéticas, sobre o PIB global.

O documento “Panorama Econômico Mundial”, divulgado hoje pelo FMI, traz um profundo corte na estimativa de crescimento do Produto Interno do Brasil para este ano, passando de 1,5% para 0,3%. Para o ano que vem, a revisão foi mais modesta, de 2% para 1,6%. O texto cita o Brasil apenas uma vez, justificando o corte do PIB pela elevação de juros, que deverá pesar na demanda, desacelerando a atividade econômica.

Para a economia global, o FMI reduziu a projeção de 2022 em 0,5 ponto percentual, de 4,9% para 4,4%, mas elevou a estimativa de 2023, de 3,6% para 3,8%. Os economistas do fundo citam o avanço da variante ômicron no início deste ano, com efeitos na cadeia global de oferta, e a inflação persistente, que levará a políticas mais restritivas por parte dos bancos centrais, segundo a entidade.

A previsão de inflação em 2022 para países desenvolvidos aumentou 1,6 ponto percentual, de 2,3% para 3,9%, enquanto para emergentes subiu de 4,9% para 5,9%.

Porém, para 2023, o FMI vê as pressões inflacionárias arrefecendo, especialmente pelos preços do petróleo, que devem subir 11,9% em 2022 e depois retrair 7,8% no ano que vem, e pela “parcial resolução” dos problemas na oferta de insumos. Mesmo assim, a previsão de inflação em 2023 para desenvolvidos subiu marginalmente, de 1,9% para 2,1%, enquanto a de emergentes subiu de 4,3% para 4,7%.

China e EUA

No texto, o FMI cita a variante ômicron como um sério risco para a economia, principalmente pela política de “tolerância zero” adotada pela China. Para a entidade, os fechamentos rígidos dos chineses impactam não só economias mundo afora, mas também a atividade local.

Por isso, a previsão do crescimento do PIB da China foi reduzida em 2022 de 5,6% para 4,8%, abaixo portanto da estimativa do Partido Comunista de 5%. Para 2023, houve uma leve redução, de 5,3% para 5,2%.

No caso dos Estados Unidos, o FMI diz que o país deve continuar sofrendo com os gargalos na cadeia de suprimentos e os impactos da variante ômicron, que pressionam os preços e o mercado de trabalho local.

Para a entidade, o aumento de juros pelo Federal Reserve, banco central americano, pode impactar os mercados emergentes, como o Brasil, e, se houver “má comunicação”, os agentes podem migrar o fluxo de capital para locações mais seguras, como moedas e renda fixa das principais economias.

No radar

O FMI ainda cita o surgimento de novas variantes da covid-19 como um dos principais riscos à economia global, além das tensões geopolíticas no Leste Europeu e no Oriente Médio. Além dessas, os impactos das mudanças climáticas devem continuar pressionando alguns setores, em especial a agricultura, e deve ser foco das políticas nos próximos anos, diz o texto.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Gustavo Bonato
Imagem: Vinicius Martins / Mover

relatorios
image

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.