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Fundo Verde: governo Bolsonaro é "indistinguível" do de Dilma

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Fundo Verde: governo Bolsonaro é "indistinguível" do de Dilma

O fundo Verde, de Luís Stuhlberger, disse em carta que o governo tem atuação “desastrosa” e estima dívida pública em 85% do PIB neste ano

Fundo Verde: governo Bolsonaro é "indistinguível" do de Dilma
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Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 8 de fevereiro – O fundo multimercado Verde FIC FIM, de Luís Stuhlberger, teceu duras críticas ao que chamou de “escalada populista” do governo do presidente Jair Bolsonaro e os recentes posicionamentos do Ministério da Economia, o que acaba por turvar o cenário para os próximos meses nos ativos locais, de acordo com os economistas da gestora.

Em carta divulgada aos cotistas em referência a janeiro, o economista-chefe do fundo Verde, Daniel Leichsenring, diz que o governo tem uma atuação “desastrosa” em quase todas as áreas de atuação e acena para uma “aceleração dos erros”. Para o analista, restou “muito pouco” do regime fiscal, uma vez que, “se as pressões por gastos forem grandes, muda-se o Teto. Se há lobby para reduzir imposto, muda-se a Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Em outro ponto da carta, Leichsenring diz que a proposta de redução de imposto sobre os combustíveis é um “desvario completo”, que, juntando com o corte no Imposto sobre Produtos Industrializados e do ICMS, poderia representar uma desoneração entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto. Dessa forma, ainda diz o economista, o governo passa a mensagem que “abriu o cofre” para o Congresso.

Com essa dinâmica, o fundo Verde estima um déficit nominal próximo de R$800 bilhões em 2022 e com a dívida pública passando dos atuais 80,3% do PIB em 2021 para 85% em 2022, o que acabará por fazer a taxa Selic subir ainda mais, segundo o economista.

Leichsenring conclui a carta dizendo que o governo Bolsonaro “chega ao fim de maneira praticamente indistinguível do governo Dilma do ponto de vista econômico, bem como o atual ministro da Economia converge para o ministro da Fazenda que gerou o maior desastre econômico da história do país” – fazendo alusão ao ministro da ex-presidente Dilma Rousseff, Guido Mantega. Em outro ponto do texto, o economista diz que o petismo e o governo Bolsonaro são “irmãos gêmeos separados no nascimento”.

Em janeiro, o fundo Verde teve alta de 1,49%, ante 0,73% do CDI, com ganhos em posições tomadas em juros nos mercados desenvolvidos, com ações e inflação implícita no Brasil. Segundo os economistas da gestora, a alta dos ativos brasileiros veio principalmente como reflexo do avanço das commodities e do fluxo estrangeiro positivo no mês passado.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Artur Horta e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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