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Inadimplência e custo de crédito favorecem bancos 'conservadores'

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Inadimplência e custo de crédito favorecem bancos 'conservadores'

Consenso Mover para os resultados do trimestre passado prevê que os maiores bancos do país registrem lucro líquido acumulado de R$23,64 bi

Inadimplência e custo de crédito favorecem bancos 'conservadores'
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Atualizado há 30 dias

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São Paulo, 25 de abril – Apesar dos lucros mais altos no primeiro trimestre, os grandes bancos com postura mais conservadora devem estar melhor posicionados para navegar a piora na qualidade das carteiras e no custo de crédito esperados para o restante do ano.

O consenso Mover para os resultados do trimestre passado prevê que Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil, maiores bancos do país em ativos, registrem lucro líquido ajustado acumulado de R$23,64 bilhões entre janeiro e março, alta de 8,2% na comparação com igual período do ano passado e de 0,37% ante o quarto trimestre.

Na ponta positiva, além do crescimento da carteira de crédito, que deve chegar a 1,2% em março e a 16% nos últimos 12 meses segundo pesquisa da Federação Brasileira de Bancos, em um ambiente de alta nos juros, as instituições financeiras devem se beneficiar dos maiores spreads, ou seja, a diferença entre os juros pagos pelos bancos a credores e investidores e os juros cobrados de empréstimos.

Do outro lado, a aceleração da inflação em março para o maior patamar desde 1994 e a própria alta dos juros devem começar a mexer em um fantasma que esteve adormecido nos últimos anos: a inadimplência.

O cenário de maior inadimplência deve levar os bancos a elevarem provisões para devedores duvidosos no trimestre. O movimento, já observado pelos maiores bancos americanos nos resultados do primeiro trimestre, também tem potencial de afetar a rentabilidade das instituições brasileiras ao longo do ano.

Em março, dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, CNC, apontam que 77,5% das famílias brasileiras fecharam o mês com alguma dívida, maior patamar desde o início da série histórica da pesquisa, há 12 anos.

Ao mesmo tempo, pesquisa da Febraban junto aos bancos brasileiros estima que a carteira de crédito para as famílias tenha crescido 24,6% nos últimos 12 meses em março, maior patamar desde dezembro de 2008.

“Estamos em uma tempestade perfeita quando se fala de inadimplência”, aponta Leo Monteiro, analista da Ativa Investimentos. Segundo ele, alguns efeitos não-recorrentes “maquiaram” a inadimplência dos bancos nos últimos dois anos, incluindo medidas de flexibilização no pagamento das dívidas e o Auxílio Brasil.

Projeções para os bancos

O Bradesco BBI projeta, em relatório sobre o setor, que o provisionamento dos bancos brasileiros crescerá 53,8% no ano, enquanto o lucro líquido deve avançar 12%.

Dentre os quatro maiores bancos do país, o Santander Brasil foi o menos conservador em termos de provisionamento desde o início da crise da Covid-19. A título de comparação, o banco espanhol fechou 2020 e 2021 com o menor índice de cobertura de 90 dias dentre os maiores bancos do país.

No Santander Brasil, o indicador, que mede o quanto as provisões que o banco realizou são capazes de cobrir créditos inadimplentes, terminou 2021 em 220%, contra 260,9% do Bradesco, 241% do Itaú Unibanco e 325% do Banco do Brasil.

O consenso Mover prevê lucro líquido de R$3,97 bilhões para o Santander Brasil no trimestre, queda de 0,97% na base anual e avanço de 2,4% na base trimestral.

A piora na qualidade da carteira de crédito dos bancos deve ser um dos principais pontos de atenção nos balanços do trimestre, aponta Christian Lupinacci, sócio e trader da Armor Capital.

Para Lupinacci, o balanço do Bradesco no quarto trimestre foi uma amostra desse movimento, o que levou a ação do segundo maior banco privado do país (BBDC4) a despencar cerca de 6% no dia seguinte ao resultado.

O segmento de seguros pode trazer alívio ao resultado do Bradesco no primeiro trimestre, com forte queda na sinistralidade devido ao arrefecimento da pandemia de Covid-19. Em termos de eficiência, o Bradesco fechou 2021 com alta de 1,1% nas despesas operacionais, enquanto o consenso previa queda de 1% a 5%.

O consenso Mover prevê lucro líquido de R$6,73 bilhões para o Bradesco, alta de 3,2% ano a ano e 1,78% ante o quarto trimestre.

Por outro lado, o Banco do Brasil deve se beneficiar de sua carteira de crédito mais conservadora, com forte presença do segmento agro e de uma base de clientes composta em grande parte por funcionários públicos – classe menos exposta à deterioração da renda e ao desemprego.

O Itaú Unibanco deve lucrar R$7,30 bilhões entre janeiro e março segundo o consenso Mover, crescimento de 14% na base anual. Já o lucro do Banco do Brasil deve atingir R$5,64 bilhões, alta de 14,8% ano a ano.

O Santander Brasil abre a temporada de balanço dos bancos brasileiros em 26 de abril. O Bradesco reporta em 5 de maio, o Itaú no dia 9 e o Banco do Brasil no dia 11 do mesmo mês.

Texto: Gustavo Boldrini
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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