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Inflação ainda acelera em grande parte do mundo, avalia presidente do BC

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Inflação ainda acelera em grande parte do mundo, avalia presidente do BC

A inflação deve acelerar o processo de queda entre os meses de abril e maio, estimou Roberto Campos Neto, presidente do BC

Inflação ainda acelera em grande parte do mundo, avalia presidente do BC
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Atualizado há 3 meses

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Brasília, 22 de fevereiro – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ressaltou nesta terça-feira observar que grande parte das economias mundiais ainda se encontram em processo de aceleração da inflação, e alertou que vários emergentes terão de elevar bastante suas taxas básicas de juros.

Em evento promovido pelo BTG Pactual hoje, Campos Neto afirmou haver entendimento atualmente de que os Estados Unidos irão conviver com uma inflação mais alta, entendendo que ela possui uma persistência, embora tenha prazo para acabar. Ele, afirmou que, por outro lado, os mercados têm reagido bem ao apreçamento de juros pelo Federal Reserve.

“A percepção, nos Estados Unidos, é de haver uma inflação ainda encomendada por vir, principalmente para quem olha a parte imobiliária.”

Campos Neto lembrou que grande parte das economias emergentes ainda possuem juros abaixo do nível neutro, aquele que mantém a economia em pleno emprego, sem acelerar nem desacelerar os preços.

Inflação no Brasil

No Brasil, segundo ele, a inflação deve acelerar o processo de queda entre os meses de abril e maio. Apesar disso, reconheceu, também, que o núcleo de inflação se encontra elevado, embora na média dos mercados emergentes.

Abordando a conjuntura macroeconômica, Campos Neto voltou a afirmar que as projeções que contemplam estagnação da atividade econômica neste ano devem ser refeitas para cima.

“A gente entende, olhando números recentes, fazendo um pouco a projeção do primeiro trimestre, de quem tem perto de zero, vai começar a fazer revisões para cima.”

Real, ‘a melhor moeda’

Ele também abordou o expressivo fluxo de ingresso registrado no Brasil, recentemente, ao mercado à vista, classificando-o como “favorável”.

“Teve um efeito, inclusive, no câmbio. A gente viu o que está acontecendo com a dinâmica do real, que é a melhor moeda, não só no ano, mas também em 12 meses.”

Em sua leitura, há “várias variáveis” sendo colocadas sobre o câmbio atualmente. Listou, em sua visão, ao menos três: o diferencial de juros, com taxa mais elevada à nível local, a surpresa fiscal positiva, além da reprecificação de fluxos.

No ano, em uma cesta de 21 divisas observada pela Mover, o real tem o melhor desempenho contra o dólar norte-americano, apreciando 10,10%. Já em 12 meses, o desempenho é positivo em 6,37%, também a melhor em comparação a outras moedas.

Em sua leitura, entretanto, o Brasil ainda reporta prêmio fiscal relativamente grande. Campos Neto reiterou que parte disso pode ser explicado por questionamentos pelos agentes acerca do crescimento estrutural local baixo no curto e médio prazo.

“Tem percepção de que a inflação pode ser mais persistente no mundo, logo, os juros podem também ser mais altos por mais tempo em grande parte dos países. Sob essa tese, teríamos que conviver com juros mais altos”, complementou.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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