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Inflação brasileira é a terceira maior do G20, diz OCDE

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Inflação brasileira é a terceira maior do G20, diz OCDE

Com agravamento da crise hídrica e os problemas na cadeia global de suprimentos, a OCDE passou a ver a inflação do Brasil em 7,2% neste ano

Inflação brasileira é a terceira maior do G20, diz OCDE
guilherme-maradei-dogo

Atualizado há 8 meses

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São Paulo, 21 de setembro – Com o agravamento da crise hídrica e os problemas na cadeia global de suprimentos, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico passou a ver a inflação do Brasil em 7,2% no ano de 2021. Com isso, a taxa inflacionária brasileira se torna a terceira maior entre as vinte principais economias do mundo.

Em relatório sobre a economia global divulgado nesta terça-feira, a OCDE elevou em 1 ponto percentual a previsão de inflação para a economia brasileira, e elevou de 4% para 4,9% a estimativa para 2022. Assim, a inflação brasileira deste ano só fica atrás da expectativa para a Argentina, de 47%, e da Turquia, de 17,8%.

Commodities pesam para OCDE

Como justificativa para o aumento da projeção, a organização diz que preços mais altos das commodities e os custos mais elevados de importação “adicionam cerca de 1,5% na inflação global”.

Além disso, a organização diz que há uma “considerável incerteza” pelo lado da demanda. Isso porque a vacinação avançou em boa parte do mundo desenvolvido e as famílias possuem uma poupança elevada, o que poderia elevar os preços no curto prazo.

No relatório, a OCDE projeta a inflação do G20 em 3,7% em 2021, aumento de 0,2 ponto percentual, e 3,9% em 2022, elevação de 0,5 ponto.

Melhora na projeção do PIB brasileiro

Do lado do Produto Interno Bruto, a OCDE elevou a previsão para o Brasil de 3,7% para 5,2% em 2021, alinhando-se às principais estimativas de bancos e casas de análise. Para 2022, a organização é mais otimista do que as estimativas mais recentes, projetando crescimento de 2,3%, com leve redução de 0,2 ponto percentual ante a projeção de maio.

Itaú, JPMorgan e o próprio relatório Focus, do Banco Central, estimam crescimento perto de 1% para o ano que vem.

Âmbito internacional

A OCDE melhorou as projeções da Zona do Euro, que passaram de 4,3% para 5,3% em 2021, e de 4,4% para 4,6% em 2022. Para a China, as projeções se mantiveram em 8,5% para este ano e em 5,8% em 2022, mesmo com os recentes dados mostrando uma desaceleração na segunda principal economia do planeta.

No caso dos Estados Unidos, as estimativas para este ano pioraram. Agora a OCDE vê o PIB americano em 2021 em 6%, queda de 0,9 ponto percentual, e em 3,9% em 2022, aumento de 0,3 ponto.

PIB global

Segundo a OCDE, o PIB global deve crescer 5,7%, uma diminuição de 0,1 ponto frente ao relatório anterior, e 4,5% em 2022, aumento de 0,1 ponto. Como motivos, a organização aponta para a rápida vacinação e impacto menor da variante Delta, mas cita desafios com a retomada do emprego e o problema da oferta em alguns mercados, como no caso dos semicondutores.

A OCDE também diz esperar que os estímulos monetários sejam mantidos, mas que os bancos centrais devem começar a comunicar o fim dessas políticas mais frouxas com “mais clareza”.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Lucia Boldrini e Stéfanie Rigamonti
Arte: Mover


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