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Inflação definirá ganhos e perdas do mercado, diz gestor

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Inflação definirá ganhos e perdas do mercado, diz gestor

De acordo com o presidente da Tenax Investimentos, a estratégia para os três fundos da gestora está toda baseada na inflação

Inflação definirá ganhos e perdas do mercado, diz gestor
angelo-pavini

Atualizado há 28 dias

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São Paulo, 19 de abril – O principal tema para definir as estratégias de investimento no curto e médio prazo é a inflação e seus impactos sobre a economia, as empresas e os mercados, diz Alexandre Silvério, presidente da recém-criada gestora Tenax Investimentos e que comandou por dez anos a renda variável na AZ Quest.

Foi com base nessa perspectiva que a Tenax montou sua estratégia para os três fundos da casa, um multimercado macro, um fundo de ações e um multimercado com foco em ações. “Todo o restante, política monetária, retirada de estímulos, crescimento, tudo deriva do processo que criou a inflação e que foi ainda mais bagunçado pela guerra na Ucrânia”, diz.

Olhando para os países desenvolvidos, Silvério vê os juros sendo reajustados para cima e em um ritmo mais rápido que o esperado. No caso dos Estados Unidos, o mercado deve prestar mais atenção à redução do balanço patrimonial do banco central americano do que ao aumento do juro no país, acredita Silvério. O risco, porém, é que a inflação permaneça alta e obrigue o Fed a manter o juro alto por mais tempo e retirar mais estímulos do mercado, pressionando a atividade econômica do país.

A situação é diferente no Brasil, segundo o gestor, onde o Banco Central já subiu bastante o juro. Mesmo assim, os dados são preocupantes, pois não há sinais de arrefecimento da inflação. A Tenax trabalha com mais dois ajustes nos juros básicos, um de 1 ponto percentual em maio e outro de 0,5 ponto em junho.

Essas altas têm consequências para moeda brasileira, que voltou a ser usada para arbitragem com os juros baixos internacionais; a entrada de fluxos estrangeiros no país valorizou o real. O movimento foi exacerbado pela alta das commodities, com a guerra na Ucrânia.

A combinação de moeda forte e uma bolsa formada quase por 50% de empresas de commodities e bancos desvalorizados nos últimos anos fez o Brasil se destacar dos outros países não produtores de matérias-primas, diz Silvério. Ele acredita que as commodities vão seguir em alta e beneficiarão as carteiras de ações domésticas. Já os bancos, apesar dos desafios da inadimplência pela alta dos juros, seguem muito descontados. Nos dois setores, Silvério destaca Suzano e 3R Petroleum, e Itaú Unibanco e BTG Pactual.

Ele vê oportunidades também em setores cíclicos domésticos, puxados pelo crescimento local, mesmo que não exuberante, mas que vai beneficiar empresas de varejo com capacidade de repassar preços ou que tenham boas fatias de mercado. Ele cita Somma, Petz e Hypera.

Macroeconomia

Já na estratégia macro, a Tenax tem suas principais posições em moedas de mercados emergentes produtores de commodities, especialmente o real, contra o dólar, e tomados em juros americanos de dez anos, apostando em alta nas taxas longas nos EUA diante da continuidade da pressão da inflação. Há também uma posição menor no Brasil, na redução da curva longa de juros locais, na expectativa de que as taxas longas recuem mais que as curtas após o país controlar a inflação e retomar o ajuste fiscal.

A proteção para essas posições é via bolsa americana. A gestora faz posições em opções de venda de índices americanos, que ganham se o mercado lá fora cair.

Toda a estratégia é baseada na expectativa de que a inflação será mais duradoura do que esperam os mercados. Silvério não vê acomodação tanto nos preços das commodities quanto nos industrializados, afetados pelos problemas nas cadeias de produção e agora também pela volta da pandemia de coronavírus na China.

A guerra traz ainda os impactos importantes em fertilizantes, que podem comprometer a inflação do ano que vem. “Se não houver fertilizantes este ano, vamos ter inflação pressionada em 2023 pelas commodities de novo”, alerta.

Sobre a eleição presidencial deste ano, Silvério pensa que o evento não deve impactar muito o cenário dos investimentos, pois os dois candidatos favoritos já são conhecidos dos mercados e não há sinal de que surja uma terceira via. “E hoje, quem quer que seja eleito, vai depender do Congresso para realizar mudanças importantes”, diz.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Allan Ravagnani e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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