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tcuser

Atualizado há mais de 2 anos

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O investidor entra em compasso de espera e assume uma postura defensiva na manhã desta sexta-feira, com a possibilidade de que a demora na votação dos destaques da Reforma da Previdência force a um adiamento na aprovação da matéria para semana que vem. O mercado quer dar o benefício da dúvida ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, em entrevista concedida hoje à Rádio Bandeirantes, admitiu que é pouco provável concluir o segundo turno da votação da Reforma da Previdência ainda esta semana.

Assim, o mercado está temeroso com o cronograma apertado para a reforma antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. Dos destaques a votar ainda, o que prevê mudança para as regras de aposentadoria dos professores é o que mais inquieta a equipe econômica, que comemorava ontem à noite o fato de não terem aparecido jabuticabas nem prejuízos imprevistos nos destaques aprovados. Estimativas preliminares indicam que, mesmo com a inclusão dos seis destaques de ontem à noite, a potência fiscal do projeto supera os R$900 bilhões em dez anos. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, voltou a pedir aos parlamentares que preservem a economia fiscal da reforma ao máximo possível.

“O primeiro turno ainda não foi concluído e o segundo turno parece mais distante; aliás, meu temor é que venha com uma diluição brava da economia projetada“, disse o chefe da mesa proprietária de um banco estrangeiro em São Paulo. Diante da demora, da falta de articulação mais ativa por parte do governo e das demandas dos partidos do chamado Centrão por mais cargos e verbas, a bolsa passa por uma correção. O Ibovespa caminha, assim, para seu segundo dia de quedas e, por volta das 11h30, recuava 0,39%, aos 104.900 pontos. Bancos e companhias financeiras lideravam os recuos, seguidas de nomes de consumo e outros setores ligados ao desempenho da economia doméstica.

O exterior traz um contrapeso ao temores quanto às demoras na Nova Previdência, ajudando a manter dólar futuro e juros no território negativo – por enquanto. Mundo afora, os mercados avançam com o maior otimismo quanto à possibilidade de corte de juros nos Estados Unidos, após os discursos do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, desta semana. O índice de preços ao produtor nos EUA, que trazia alguma cautela antes de ser divulgado, acabou vindo em linha com o consenso, embora seu núcleo tenha vindo um pouco acima. O índice S&P500 subia e se aproximava das máximas históricas de novo, o dólar americano e os rendimentos dos Treasuries de dez anos caiam e o índice VIX, conhecido como índice do medo, recuava.

O dólar futuro recuava 0,37% ante o real brasileiro, cotado a R$3,7480 – em linha com o derretimento da moeda americana lá fora. Os juros continuavam enxugando prêmio da curva, com a menor aversão global ao risco e a expectativa de um corte na taxa básica de juros Selic no final do mês. Ontem, o presidente do Banco Central, Roberto Campos, disse em entrevista à GloboNews que o avanço da Nova Previdência, até o momento, pode ter melhorado o balanço de riscos para a inflação, abrindo o caminho para um corte. Assim, a semana que vem pode ser de intenso debate sobre o tamanho do corte na Selic, se de 25 pontos-base ou 50 pontos-base, na reunião de 30 e 31 de julho. O DI para janeiro próximo recuava 1,5 ponto-base e tocava 5,735%.

No noticiário corporativo, um dos destaques é a Light, cujas ações ON recuavam 1,20%; a oferta de ações da companhia foi precificada em R$18,75 por ação. Já a Tim ON caía 0,58%, após o Itaú BBA retirar a ação de sua carteira para embolsar ganhos e colocar Vale ON em seu lugar. A Ambev ON recua 1,34%; o JPMorgan espera um segundo trimestre fraco para a companhia. Também merece destaque a Tenda, que passou a recuar 0,91% em realização depois de subir no começo da manhã com prévia operacional acima do esperado. Entre as altas, destacam-se as ações ON da Suzano, que sobem 3,53%, depois que o investidor Luiz Barsi declarou que o papel estava barato. Magazine Luiza ON sobe 3,17% após o Conselho aprovar submeter a acionistas proposta de desdobramento de ações que pode favorecer minoritários.

Olhando para frente, NotreDame Intermédica, BTG Pactual e Carrefour são candidatas a integrar o Ibovespa no próximo rebalanceamento do índice referência da bolsa brasileira, refletindo o interesse do investidor em companhias que têm potencial de crescimento no setor financeiro e atreladas ao consumo doméstico, diz o Itaú BBA em relatório desta sexta-feira. A primeira prévia da rebalanceamento do Ibovespa está agendada para 1 de agosto. A cada quatro meses, o índice é recalculado, seguindo uma série de critérios. O setor de finanças continuará sendo o mais representativo no índice, e deve passar a ter um peso de 37,2% ante os atuais 36,8%, conforme os cálculos dos analistas do banco.

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