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Atualizado há mais de 2 anos

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Acaba uma semana esquisita para os ativos brasileiros, na qual a falta de catalisadores domésticos obrigou o investidor a olhar para fora e deixaram ações, câmbio e juros futuros na B3 mais à mercê das tendências de fluxo, do sentimento do investidor estrangeiro e do noticiário nos Estados Unidos, na China e no Golfo Pérsico. Assim, no câmbio, a alta do dólar americano predominou e fez o real se desvalorizar pela primeira semana em três. Traders e gestores também atribuem a tendência à saída de recursos de investidores estrangeiros em dias recentes – o que deve ter levado o Banco Central a fazer leilão de linha de dólar hoje, e programar outra para a próxima segunda-feira: serão ofertados US$2 bilhões.

 

O cenário para os ativos de risco tinha amanhecido empolgante nesta sexta, mas tornou-se volátil ao longo do dia depois da releitura do mercado quanto aos discursos que três diretores do Federal Reserve fizeram entre ontem e hoje. Mesmo validando as apostas de um corte na taxa básica de juros nos EUA no final deste mês, o mercado ficou frustrado com a possibilidade de que, se acontecer, virá menor do que se vislumbrava. Atualmente, os contratos futuros da taxa Fed Funds precificam queda de 36 pontos-base já na próxima reunião e um pouco menos de um ponto percentual de queda no ciclo inteiro. Com o início do período de silêncio do banco central americano, o investidor volta o foco para o Banco Central Europeu, que pode relaxar a política monetária para tirar a Zona do Euro de uma desaceleração prolongada.

 

O mercado de câmbio acompanhou desde cedo a valorização da moeda americana ante divisas pares e de países emergentes. O leilão de linha não afetou o preço do dólar diretamente, mas deve ajudar a aliviar alguma escassez de liquidez entre instituições financeiras e tesourarias. Já os contratos de Depósito Interfinanceiro, ou de juros futuros, refletiram a liquidez fraca, o que levou a uma semana de oscilações, embora não tão profundas. Sem notícias da Previdência ou do pacote de ajuste fiscal, o mercado dos DIs tende a ficar parado, disseram membros experientes do TC.

 

Na bolsa, que até o começo da tarde mostrava alta semanal, uma forte onda de vendas nas ações de bancos, no papel da Suzano e de algumas ações do setor de consumo e varejo derreteu o mercado. O índice Bovespa fechou em queda de 1,21% a 103.451 pontos, com volume negociado de R$9,626 bilhões, – abaixo das médias diárias do ano. Na semana, recuou 0,44%. Para alguns membros experientes do TC, houve realização de lucros; para outros, a queda resultou do desinteresse dos estrangeiros, do noticiário confuso mundo afora com o lento avanço das conversas comerciais entre os Estados Unidos e a China, das expectativas de cortes de juros nos EUA e da crescente tensão geopolítica entre americanos e iranianos.

 

As ações dos bancos foram o destaque de baixa após notícia do jornal O Globo dizer que Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, assim como o BTG Pactual e o Safra, trocaram doações por benefícios e informação privilegiada durante os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Há semanas que os papéis dos bancos andam pouco, sentindo quiçá o peso da maior concorrência, da desaceleração da economia e dos riscos reputacionais – como foi a notícia de O Globo, que citou uma delação premiada do ex-ministro de Lula e Rousseff, Antônio Palocci. O interesse das instituições, de acordo com Palocci, ia de informações privilegiadas sobre mudanças na taxa básica de juros até a busca por apoio do governo na defesa de interesses das companhias.

 

O investidor deve se perguntar como se posicionar na semana que vem, diante de tantos eventos de difícil leitura no exterior e do começo da temporada de balanços que, na semana que vem, tem como destaques Cielo, Vivo, Carrefour Brasil, GPA, Usiminas e Ambev entre as empresas do setor real, e Santander Brasil e o Bradesco entre os bancos. Além dos resultados, um fator que pode impulsionar os negócios, e a demanda por ações de consumo, shoppings e varejo é o anúncio da liberação de recursos do FGTS para estimular a economia; mesmo parcialmente já embutido no preço de algumas ações, o anúncio oficial poderá trazer surpresas. No campo dos indicadores, o Banco Central divulga na segunda o relatório Focus, coletânea de estimativas econômicas de mais de 100 instituições financeiras. No exterior, os Estados Unidos divulgam o índice de atividade nacional mensal do Fed de Chicago.

 

(Foto: Antonio Palocci/ Fabio Rodrigues Pozzebom-Agência Brasil)

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