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São Paulo, 18 de outubro – A acelerada expansão dos investimentos em energia solar no Brasil atraiu o apetite de fundos imobiliários, que veem o setor como potencial gerador de novas e rentáveis oportunidades de negócio, disseram fontes ao Scoop by Mover.

A aproximação entre gestoras de fundos e empresas de energia renovável deve abrir mais possibilidades de financiamento para projetos, em um momento aquecido da indústria solar no maior país da América Latina.

A Quasar Asset Management, que gere R$3 bilhões, aportou R$19 milhões por meio de um FII em projetos de geração solar distribuída da RZK Energia, em uma operação inovadora realizada por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários, CRIs. E tem planos para novas transações similares, afirmaram as sócias Cristina Tamaso e Sofia Caccuri.

A RZK Energia também tem negociações avançadas para mais operações com outras administradoras de fundos imobiliários. O sócio e diretor da empresa, Luiz Serrano, disse que essa forma de financiamento abre um “novo bolso” para o nicho de geração distribuída, de usinas de menor porte.

“Já estamos fazendo outras operações nesse mesmo formato. Estamos com outras duas em andamento, todas com fundos imobiliários. E temos observado muitos outros players parecidos com a gente nesse nicho de geração distribuída estruturando suas primeiras transações como essas”, afirmou.

A operação entre Quasar e RZK, no fim de julho, envolveu aporte do fundo QAMI11 em CRIs, títulos que geram uma remuneração ao investidor e são lastreados em créditos para o setor imobiliário. Os CRIs da RZK são associados a debêntures emitidas para bancar duas usinas solares em Santa Catarina e Mato Grosso, que somarão 11,6 megawatts.

A transação é possível porque as instalações de geração distribuída negociam sua produção de energia com clientes em modelo de cessão de créditos, que pode ser comparado à construção de imóvel para aluguel, permitindo a emissão dos CRIs.

Rentável e sustentável

Os investimentos nos projetos solares são atraentes para os fundos de investimentos não só pela rentabilidade, mas pelo aspecto de sustentabilidade, disse Tamaso, da Quasar. “Nosso fundo veio com a ideia de ser diferente na tese, de sair um pouco das operações mais comuns no mercado, que são financiamentos a projetos imobiliários em São Paulo”, afirmou.

“Sempre miramos explorar coisas diferentes, e esse setor de geração distribuída faz muito parte da tese. Devemos vir com novas captações para outros projetos desses, não só do grupo RZK, mas de outros”, completou Tamaso.

As usinas solares da RZK negociaram a produção futura com a rede de farmácias Raia Drogasil e o grupo de telecomunicações TIM, grandes clientes que reduzem o risco associado aos ativos.

O CRI da RZK foi dividido em duas séries, com taxa de IPCA + 8,50% ao ano antes do cumprimento de algumas condicionantes, e IPCA + 7,75% depois, com prazo de 15 anos. A operação ainda obteve selo verde da certificadora Siwati.

“Nas atuais circunstâncias, em que a Selic deve bater 9% no fim do ano, é uma taxa excelente. Se fôssemos financiar com bancos, provavelmente ficaríamos com taxas próximas ou mesmo acima”, disse Serrano, da RZK.

Além dos projetos solares, usinas de geração distribuída de outras fontes renováveis, como biogás e pequenas hidrelétricas, também podem ser financiadas com CRIs. Esses empreendimentos ainda são muitas vezes construídos por empresas bem menores que as gigantes do setor elétrico, com mais dificuldade no acesso a crédito.

As instalações de GD solar foram a fonte de energia com maior expansão no Brasil em 2020, à frente de grandes usinas eólicas e termelétricas. Especialistas veem crescimento ainda mais acelerado no setor após a esperada aprovação pelo Senado de um projeto de lei que define novo marco regulatório para esses ativos.

Texto: Luciano Costa
Edição: Renato Carvalho e Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinicius Martins / Mover

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