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IPCA: Inflação desacelera, mas tem pior janeiro desde 2016

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IPCA: Inflação desacelera, mas tem pior janeiro desde 2016

A inflação em janeiro chegou a 0,54%, abaixo dos 0,73% registrados em dezembro, mas ainda assim marginalmente acima do consenso de 0,50%

IPCA: Inflação desacelera, mas tem pior janeiro desde 2016
stefanie-rigamonti

Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 9 de fevereiro – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, considerado a inflação oficial do Brasil pelo Banco Central, desacelerou em janeiro frente a dezembro de 2021, mais ainda está em níveis elevados, alcançando a maior variação para o mês desde 2016, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Segundo o IBGE, a inflação em janeiro chegou a 0,54%, abaixo dos 0,73% registrados em dezembro, quase conforme o projetado no mercado, de 0,55%. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 10,38%. Frente a janeiro de 2021, houve elevação de 0,29 ponto percentual.

Dos nove grupos pesquisados pela instituição, oito inflacionaram em janeiro, sendo a maior aceleração do grupo de artigos de residência, com avanço de 1,82%, impulsionado principalmente pelos preços de eletrodomésticos e equipamentos, seguidos por mobiliário e TV, som e informática.

Também com grande impacto sobre o IPCA, assim como no mês de dezembro, alimentação e bebidas vem na sequência, com variação de 1,11%. A alimentação no domicílio teve maior peso sobre esse grupo, com destaque para a elevação nos preços das frutas, de 3,40%, e das carnes, com 1,32%. O café moído também variou bastante, em 4,75%, pelo 11º mês consecutivo, acumulando elevação de 56,87% nos últimos 12 meses.

O vestuário, que liderou as altas nos preços no mês anterior, agora está em terceiro lugar, com peso de 1,07%, seguido por comunicação, com 1,05%. Habitação, que dominou o índice boa parte de 2021 devido aos custos com energia por causa da crise hídrica, está entre os grupos que menos avançaram em janeiro.

Queda nos preços

Transportes foi o único grupo que recuou, 0,11%. A queda se deu principalmente pela baixa nos preços de passagens aéreas, em -18,35%, e também dos combustíveis, com -1,23%. Nesse subitem, o etanol foi o que mais apresentou queda, de -2,84%, seguido pela gasolina, -1,14%, e pelo gás veicular, -0,86%. O único combustível que avançou nos preços em janeiro foi o óleo diesel, com variação de 2,38%.

Quase todas as áreas brasileiras pesquisadas pelo IBGE tiveram avanço no IPCA em janeiro, com exceção de Porto Alegre, que registrou queda de 0,53%.

Projeções

Para o banco suíço UBS, o IPCA em 12 meses deve se manter abaixo do pico de novembro, de 10,75%, mas deve continuar acima de dois dígitos até abril. Apesar da menor alta de combustíveis e energia, o índice será pressionado, nos próximos meses, por serviços.

A alta do petróleo no exterior e a desvalorização do real também podem pesar sobre combustíveis e a inflação. O UBS espera maior descompressão da inflação somente no fim do segundo trimestre do ano.

As projeções do mercado para este ano, segundo o boletim Focus do Banco Central divulgado no início da semana, são de IPCA em 5,44%, acima do teto da meta do BC, de 5%.

*Diferente do que estava no segundo parágrafo, o consenso de mercado projetava avanço de 0,55%, não 0,50% no IPCA.

Texto: Stéfanie Rigamonti e Guilherme Dogo
Edição: Cintia Thomaz
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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