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Mercado espera desaceleração da inflação, mas deve superar 1%

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Mercado espera desaceleração da inflação, mas deve superar 1%

A expectativa média do mercado é de inflação de 1,08% em novembro, a maior desde 2002 para o mês, e de quase 11% no acumulado de 12 meses

Mercado espera desaceleração da inflação, mas deve superar 1%
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Atualizado há 5 meses

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São Paulo, 9 de dezembro – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, considerado a inflação oficial do Brasil pelo Banco Central, deve apresentar desaceleração em novembro, mas ainda com alta acima de 1% e encostando nos 11% no acumulado de 12 meses. O dado frustrou o consenso no mês anterior, quando teve a maior alta para o mês desde 2002.

Em outubro, o IPCA teve avanço de 1,25%, bem acima da expectativa de 1,05%, com alta em todos os nove grupos pesquisados, com destaque para transportes, reflexo da alta de 3,21% dos combustíveis, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. O resultado levou o IPCA para 10,67% no acumulado de 12 meses e 8,24% em 2021 até outubro.

Já o IPCA-15, a prévia da inflação, de novembro, que mede a variação de preços entre o dia 16 do mês anterior e ao 15 do mês de referência, veio com alta de 1,17%, refletindo a disparada de 6,62% da gasolina e do gás de botijão, com alta de 4,34% no período.

Perspectiva do mercado sobre inflação

A expectativa média do mercado é de que a inflação de novembro, a ser divulgada nesta sexta-feira às 09h, registre alta de 1,08%, a maior desde 2002 para o mês, e atinja 10,88% no acumulado de 12 meses, a maior desde novembro de 2003.

A SulAmérica projeta um aumento de 1,04%, com as pressões vindas dos produtos industriais e combustíveis, mas a alimentação em domicílio deve arrefecer, diz em relatório.

Já o Santander projeta uma alta de 1,12% na base mensal e diz que esse não deve ser o pico, mas um “platô” para o índice anual, que deve se manter em dois dígitos pelo menos até março de 2022, dizem os analistas do banco.

Outra preocupação é com o índice de difusão da inflação, que avançou no IPCA-15 de novembro, de 63,76% para 65,67%. Isso demonstra que o aumento de preços está mais difundido na economia, além da alta dos núcleos, de 0,77 ponto percentual para 0,78%.

A contaminação da inflação deste ano para 2022 também está no centro das preocupações dos agentes financeiros.

O boletim Focus, do Banco Central, já elevou a projeção do IPCA de 2022 por 20 semanas seguidas, chegando a 5,02%, acima do limite da meta da autarquia monetária. A XP vê o índice em 5,20%, enquanto o Santander já vê o IPCA chegando a 5,80%.

Política monetária

Para tentar controlar esse processo, a reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, desta semana voltou a mostrar grande preocupação com a trajetória inflacionária, mesmo com a fraqueza da atividade econômica.

Tanto que voltou a elevar a taxa Selic em 150 pontos-base, para 9,25%, e contratou um aumento de mesma magnitude para fevereiro, o que levaria a taxa de juros para 10,75%. Se esse cenário for confirmado, será a maior sequência de alta – três de 1,5 ponto percentual – em mais de 20 anos.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Renato Carvalho e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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