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Atualizado há 9 meses

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São Paulo, 19 de janeiro – Ninguém duvida que o Comitê de Política Monetária, Copom, do Banco Central do Brasil manterá, pela quarta vez consecutiva, a taxa básica de juros, a taxa Selic, em decisão programada para amanhã. Entretanto, o suspense recai sobre se a autarquia vai abandonar o sangue frio diante das recentes pressões inflacionárias e a percepção de piora do risco fiscal e retirará a promessa de não subir o juro por um longo tempo.

 

De acordo com a expectativa unânime de 14 economistas consultados pela TC Mover, o BC deve manter a Selic em 2,00% ao ano na reunião que começa hoje e termina na noite de quarta-feira, por volta das 18h30.

 

No entanto, o grupo permanece dividido sobre o momento em que a Selic começará a subir e qual o ritmo das altas ao longo do ano. Grande parte do mercado acredita que a Selic deve terminar 2021 em 3,25%, mesma projeção do Boletim Focus. No entanto, há instituições que projetam a Selic em 5,00%. Outras veem o juro básico inalterado neste ano.

 

Fim da orientação futura não significaria alteração imediata na Selic

 

Isso significa que o comunicado da autoridade monetária deve ser observado com atenção, recomenda a economista-chefe do TC, Fernanda Mansano. Ela acredita que a prescrição conhecida como orientação futura poderá ser retirada em março e uma alta na Selic poderá acontecer ao longo do segundo trimestre, acabando o ano em 3,50%.

 

Já no Itaú Unibanco, a equipe de economistas liderada por Mario Mesquita espera que o instrumento saia do radar em janeiro, após a inflação de 2020 ultrapassar o centro da meta e o câmbio continuar sobre pressão de alta.

 

O fim da orientação, porém, “não resulta mecanicamente em elevação da taxa de juros no curto prazo”, observa Mesquita, que espera uma elevação do juro básico em maio, e não mais em agosto.

 

Alta das commodities pode pesar na decisão sobre orientação futura

 

Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, a prescrição cai agora, já que não faz sentido manter uma sinalização da Selic em mínimas históricas na esteira de uma disparada na inflação dos alimentos no Brasil e na Turquia, duas economias emergentes que sofreram com a disparada do dólar.

 

 

A alta das commodities veio para ficar e deve pesar mais nos preços, não sendo um movimento provisório como vinha indicando o BC, disse. Em geral, o comitê conhecido como Copom “não altera juros com intervalo menor de seis meses e acho razoável que suba na segunda ou terceira reunião do ano”, estimou Faria Júnior.

alta dos alimentos pode tirar orientação futura da Selic
Arte: Vinícius Martins/TC

Quem pede o fim do chamado forward guidance, como é conhecida a orientação futura em inglês, cita o aumento das pressões inflacionárias de curto prazo por conta da alta dos combustíveis, o reajuste de planos de saúde e o avanço de custo dos insumos globais em meio a problemas na cadeia global de fornecimentos causados pela pandemia do coronavírus.

 

Na média do mercado a inflação acumulada em 12 meses aceleraria a 4,99% em março, ou a 5,11%, na visão das cinco instituições mais acertadas na projeção do indicador na Pesquisa Focus. A meta para o ano é de 3,75%. Mesmo olhando para 2022, novo foco do BC, as expectativas de inflação estão na meta de 3,50%.

 

Inflação dentro da meta pode manter orientação futura e Selic por mais tempo

 

Para quem defende uma postura mais suave do Copom, a orientação fica pelo menos até março. O economista Fabio Ramos, do UBS BB, estima que a Selic inicie o ciclo de alta apenas em junho.

 

Ivo Chermont, economista-chefe da gestora Quantitas, vê a Selic subindo apenas no quarto trimestre. “A recuperação econômica mais lenta vai dar folga ao BC para não subir os juros tão cedo”, avalia Chermont, que vê a Selic entre 2,50% e 3,00% em dezembro.

 

Mesmo se a orientação futura da Selic for abandonada amanhã, José Francisco de Lima Gonçalves, do Banco Fator, espera que o Copom eleve a Selic “depois de a atividade econômica do primeiro trimestre mostrar que a inflação vai ficar na meta por mais tempo”.

 

No geral, eles recomendam observar no comunicado de amanhã é se a orientação da Selic permanece e se a autarquia mudará o fraseio do balanço de riscos para a inflação. Fique de olho nos comentários do Copom quanto à perspectiva fiscal, a volatilidade do câmbio e o cenário para a economia brasileira à frente.

 

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover

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