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Ômicron, risco fiscal, eleições: incertezas do mercado para 2022

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Ômicron, risco fiscal, eleições: incertezas do mercado para 2022

Este ano foi marcado por eventos que se arrastam como herança para 2022; o mercado inicia o novo ano com incertezas no radar

Ômicron, risco fiscal, eleições: incertezas do mercado para 2022
stefanie-rigamonti

Atualizado há 5 meses

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São Paulo, 31 de dezembro – Se o início deste ano era de grandes expectativas para o mercado, com o avanço da vacinação contra a covid-19 trazendo uma luz no fim do túnel em relação à pandemia, 2022 vai começar com uma palavra no radar: incerteza. E todos sabem como os investidores abominam não poder enxergar o que vem a seguir.

Avariante ômicron do coronavírus foi descoberta aos 45 do segundo tempo perto do inverno no hemisfério norte, com aumento das hospitalizações por lá, e das festas de fim de ano, quando normalmente há um deslocamento maior de turistas, provocando alta nas infecções por covid-19.

Um dia após a divulgação da descoberta da nova cepa do coronavírus, em 26 de novembro, os mercados globais derreteram, já que a última vez em que uma nova variante com alta porcentagem de transmissibilidade tinha sido detectada, que foi o caso da delta, a taxa de morte por covid aumentou e o mundo se fechou para novos lockdowns.

Mas, após o momento de pânico inicial, aos poucos estudos foram indicando que a ômicron pode ser menos letal e causar menos casos graves na comparação com a  delta. Além disso, uma pesquisa publicada nesta semana na África do Sul sugeriu até que a ômicron pode proteger contra a delta.

Mesmo assim, a nova variante causa recordes de casos diários globais de covid-19 e se tornou dominante em vários países desenvolvidos. Isso tem ocasionado novas medidas de restrição e mais incertezas para os investidores. Além disso, a Organização Mundial da Saúde já alertou o Brasil para que se prepare para uma nova onda de covid.

Somado a isso, um outro elemento traz  dúvidas para o mercado em 2022 e uma dose de aversão a riscos aqui no Brasil.

Eleições de 2022

Em ano eleitoral, políticos podem fazer escolhas que trazem maior risco fiscal ao país, pensando nos ganhos angariados ao final das eleições. Umapesquisa Genial/Qaest publicada no começo de dezembro mostrou que a economia é a maior preocupação dos eleitores.

Se no primeiro semestre e parte do segundo, os custos com energia elétrica, devido ao pior período de seca no Brasil em 91 anos, foram os que mais pesaram no bolso dos brasileiros, em outubro as chuvas trouxeram um alívio nesse sentido, mas os aumentos sucessivos nos preços dos combustíveis passaram a ser os maiores vilões.

Assim, com a escalada da inflação e o consequente ciclo de alta da taxa básica de juros, Selic, somados ao desemprego, o governo vem tentando dar respostas rápidas para acalmar o eleitorado, diante de níveis cada vez mais elevados de rejeição do atual presidente, Jair Bolsonaro.

Aliás, uma análise desta semana do Scoop by Mover prevê que, diante dos altos níveis de rejeição dos principais candidatos à disputa presidencial, já dá para dizer que, no ano que vem, teremos uma eleição de rejeitados, o que adiciona uma pitada de incerteza no cenário.

A criação de um programa social em substituição ao Bolsa Família, com aumento do benefício e um novo nome atrelado ao governo federal, é um exemplo dos esforços do governo federal para atrair esse eleitorado descontente com a situação econômica do país.

Mas o chamado Auxílio Brasil chegou com grandes críticas em relação aos riscos que o benefício de valor maior, chegando a R$400 por família, poderia trazer para as contas públicas. É aí que entra outro ponto auge do ano de 2021, especificamente no segundo semestre.

PEC dos Precatórios

Todos os especialistas que passaram pela TC Rádio ao longo do ano e os que foram consultados pela Mover foram unânimes ao dizer que os riscos fiscais no Brasil afastam os investidores.

A solução do governo de mudar o período de correção do Teto de Gastos de acordo com a inflação foi uma medida proposta de última hora e inserida na PEC dos Precatórios, para que fosse possível turbinar o Auxílio Brasil à população em situação de vulnerabilidade.

Alguns especialistas disseram que se o cenário pintado para o futuro já era ruim com a PEC dos Precatórios, imagine sem ela. Outros, porém, lembraram que a medida salvaria as contas públicas apenas no curto prazo. Essa era a opinião do presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre, por onde a PEC passou primeiro na Casa.

“A preocupação maior é se o Brasil, a longo prazo, vai conseguir pagar as suas contas. Com a aproximação da eleição, é comum gastar mais para angariar apoio nacional e do Congresso”, disse em novembro Alcolumbre.

Ao final, depois de muitas idas e vindas e a Bolsa brasileira sofrendo quase que diariamente com as dúvidas sobre a aprovação da proposta, a PEC dos Precatórios passou no Congresso. Com isso, a população em situação de vulnerabilidade social terá garantido na Constituição o direito a uma renda básica familiar.

O que mais vem aí?

Tem outra herança deste ano que vai se arrastar para 2022, mas com a promessa de animar os investidores: a privatização da Eletrobras.

Conforme furo do Scoop by Mover, que foi o primeiro veículo a dizer que a matéria seria aprovada no Congresso, a desestatização da Eletrobras está em andamento, embora o processo no Tribunal de Contas da União tenha sido deixado para o próximo ano devido a um pedido de vistas.

Mas o TCU decidiu autorizar o governo a continuar com os estudos, para não atrasar o processo, até que o ministro Vital do Rêgo, que foi quem pediu vista, apresente seu voto.

Fontes do TCU, governo e Eletrobras consultadas pelo Scoop acreditam que o processo será concluído até abril, conforme cronograma do governo federal. Após esse prazo, dificilmente a privatização da Eletrobras será concretizada em 2022, devido ao calendário eleitoral.

Texto: Stéfanie Rigamonti
Edição: Renato Carvalho
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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