0

Petróleo deve ter viés de baixa no segundo semestre, diz especialista

mercados

Petróleo deve ter viés de baixa no segundo semestre, diz especialista

"Os países exportadores vão começar a aumentar a produção quando virem que US$100 é um bom preço para o barril de petróleo", diz Silveira

Petróleo deve ter viés de baixa no segundo semestre, diz especialista
cintia-thomaz

Atualizado há 4 meses

Ícone de compartilhamento

São Paulo, 18 de janeiro – O preço do petróleo deve atingir um viés de baixa no segundo semestre de 2022, com o barril custando em média US$100, não havendo perpetuação da alta do preço da commodity após esse período, afirmou Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, em entrevista à TC Rádio.

“Após o segundo semestre de 2022, não vejo perpetuação da alta do petróleo porque preços nessa magnitude vão levar produtores a aumentar produção e buscar rentabilidade. Quando os juros americanos e os globais começarem a subir, em 2022, preços das commodities vão entrar em baixa”, avaliou.

Na manhã de hoje, impulsionada pelo conflito geopolítico no Oriente Médio, a cotação do petróleo Brent voltou a se estabelecer no patamar de US$87, máxima desde 2014. Em 2022, no acumulado, o avanço já ultrapassa 10%.

Segundo o executivo, a alta de preços do petróleo foi desenhada quando os Estados Unidos e outras economias expandiram a oferta de dinheiro para tentar evitar que a pandemia provocasse o afundamento das atividades econômicas em escala global.

“A transferência de recursos para empresas e família ajudou muito, mas ocorre que parte desse dinheiro migrou também para mercados futuros de commodities, como petróleo. Além do aquecimento da economia global em 2021 e agora em 2022, com aumento da vacinação e melhor domínio do vírus, esse deslocamento de serviços reforçou a alta de preços das commodities, tornando mais forte ainda do que a oferta e demanda normal”.

Oferta e demanda do petróleo

Hoje, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo reconheceu que a demanda por petróleo foi maior que a esperada no final de 2021 e que o impacto da variante ômicron da covid-19 foi menor que o esperado. Segundo relatório, a OPEP manteve a previsão de alta da demanda em 4,2 milhões de barris por dia em 2022 e também a previsão do crescimento global em 4,20%.

Silveira ressaltou que a OPEP tem um controle “bastante importante” dos preços internacionais, mas não tem mais o controle da oferta como nos anos de 1960 e 1970, e que, por isso, podem limitar a sua produção “até certo ponto”.

“Países exportadores e os próprios Estados Unidos, diante de um petróleo com preço bem atraente, vão começar a aumentar a produção quando virem que US$100 é um bom preço para o barril. Então, o controle que a OPEP pretende exercer sobre o mercado de petróleo tem um certo limite, porque a OPEP deve responder hoje por 30%, 35% pela oferta mundial, o que não é extraordinário”.

No programa Espresso da Manhã, ele comentou ser “difícil” falar em preço justo para a commodity, em meio a um cenário de pandemia, que causa imprevisibilidade para os mercados.

“É complicado falar em preço justo quando condições de oferta e de demanda não estão normalizadas. O cenário normal é termos preços que não são influenciados pelos mercados futuros, quando não há transferência de renda para famílias e empresas, e quando o transporte marítimo já está normalizado”.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Nicolas Nogueira
Imagem: Vinícius Martins / Mover

relatorios
image

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.