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Petróleo: sócio da Leblon Equities vê dificuldade em projetar preço a curto prazo

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Petróleo: sócio da Leblon Equities vê dificuldade em projetar preço a curto prazo

"A principal razão do petróleo estar tão caro é porque o câmbio andou desvairado nos últimos 2, 3 anos", aponta Marcelo Mesquita

Petróleo: sócio da Leblon Equities vê dificuldade em projetar preço a curto prazo
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Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 7 de fevereiro – A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, Opep+, decidiu manter seu cronograma e elevar a produção de petróleo em 400 mil barris por dia em março, porém, os preços da commodity não param de subir, sendo difícil fazer projeções para o petróleo a curto prazo, em meio às questões geopolíticas na Ucrânia e à pandemia, afirmou Marcelo Mesquita, sócio fundador da Leblon Equities, em entrevista à TC Rádio.

“Muito difícil projetar preço de qualquer commodity, principalmente no curto prazo. Há guerra na Ucrânia, pandemia, vários fatores que jogam o preço para cima e para baixo. No médio e longo prazo, a elevação do preço é também um sinalizador para que as pessoas usem menos o produto, com a sociedade concluindo que não é a melhor forma de energia”, avaliou.

Uma das pautas apresentada na semana passada, na volta do Congresso Nacional, é a Proposta de Emenda à Constituição dos combustíveis, que tramita na Câmara. O texto permite reduzir ou zerar o imposto sobre combustíveis e gás em 2022 e 2023, mas sem compensação fiscal. Para o gestor, trata-se de uma medida “populista”.

“Diminuir imposto é sempre bom, mas isso exige eficiência do estado porque sem arrecadação temos um déficit. A principal razão do petróleo estar tão caro é porque o câmbio andou desvairado nos últimos 2, 3 anos. Então, é uma medida populista de querer diminuir imposto sem dizer de onde vem o imposto que o substitui. O correto seria diminuir o gasto do Estado”, explicou.

Resistência às pressões

A Petrobras tem se mantido fiel à paridade de preços internacionais, a despeito das pressões. No entanto, atualmente, ainda há defasagem entre o preço internacional e o valor de venda dos combustíveis por ela praticado, o que indica novos reajustes pela frente.

Integrante do Conselho de Administração da estatal desde 2016, Mesquita explica que, quando há elevação do preço da commodity, isso sinaliza que há carência do produto. “O problema é no fato de ser a Petrobras uma empresa estatal e segundo não haver várias empresas privadas no Brasil. É preciso haver concorrência. Quando o preço sobe, é sinal de que está faltando produto”, explicou.

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse na última quinta-feira, 3, que a empresa tem tentado explicar à sociedade e ao Congresso Nacional que não pode segurar o preço dos combustíveis.

Ele também defende que a contribuição da Petrobras para os cofres públicos se dá pelo pagamento de dividendos, impostos e geração de empregos. Para o gestor, a saída de Roberto Castelo Branco para a entrada de Joaquim Silva e Luna não foi muito relevante para a petroleira, tendo em vista que o plano estratégico é desenhado por várias pessoas.

“O mais relevante é a cultura forte da empresa, com funcionários muito zelosos. Mesmo com a troca no comando da Petrobras, a direção para a qual a empresa caminha continua a mesma, com o mesmo plano estratégico sendo desenhado por várias pessoas. Se você troca o presidente, mantendo a boa intenção no topo, esse plano estratégico é mantido, e foi isso o que aconteceu”, completou.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Allan Ravagnani e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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