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Poupança registra saída líquida recorde para novembro, diz BC

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Poupança registra saída líquida recorde para novembro, diz BC

Em novembro, os saques superaram os depósitos em R$9,25 bilhões no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, segundo o Banco Central

Poupança registra saída líquida recorde para novembro, diz BC
gabriel-pontes

Atualizado há 5 meses

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Brasília, 6 de dezembro – A poupança registrou retirada líquida de R$12,37 bilhões em novembro, no pior dado para o mês desde o início da série histórica, em 1995, de acordo com dados do Banco Central.

Em novembro, os saques superaram os depósitos em R$9,25 bilhões no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, enquanto na Poupança Rural houve retirada líquida de R$3,12 bilhões. No ano, até o momento, a poupança acumula saldo negativo de R$43,15 bilhões. No mesmo mês do ano passado, a poupança registrou captação líquida de R$1,479 bilhão. Em todo o ano de 2020, a captação líquida foi recorde, de R$166,310 bilhões.

Portanto, verifica-se agora um movimento contrário ao que ocorreu em 2020. No ano passado, a poupança registrou captação líquida recorde graças ao auxílio emergencial. Em 2021, por outro lado, a caderneta tem registrado saída, justamente pelo fato de os repasses do auxílio terem sido interrompidos, o bolsa família ter voltado, temporariamente, a ser pago no valor de R$224,41 e o valor prometido de R$400 demandar ainda a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios. Somado a isso, desemprego e inflação têm levado as famílias a retirarem recursos da caderneta.

Por isso, a expectativa volta-se, agora, para a PEC dos Precatórios no Congresso, responsável por viabilizar o Auxílio Brasil, novo programa social do governo que substituirá o Bolsa Família. O governo prevê, com o texto, a abertura de espaço fiscal superior a R$106 bilhões no Orçamento de 2022, custeando, com parte desse valor, o Auxílio Brasil. Com a sua aprovação, o governo prevê pagar a partir deste mês o benefício de R$400 para 17 milhões de famílias.

Rendimento

O retorno da poupança segue abaixo da inflação corrente no Brasil, já que em 12 meses até novembro o IPCA-15 reportou avanço de 10,73%.

De acordo com uma regra do Conselho Monetário Nacional, quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5%, como é o caso atualmente, a poupança rende 70% da taxa básica de juros. A mesma regra diz que, quando a Selic passa de 8,5% ao ano, a poupança volta a render 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano mais Taxa Referencial, que no Brasil segue zerada.

Vale lembrar que, nesta semana, o Comitê de Política Monetária do BC se reúne pela última vez neste ano para decidir os rumos da taxa básica de juros brasileira, o que deve impactar no retorno da poupança caso o consenso de alta de 150 pontos-base se concretize.

Na semana passada, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que a autarquia estuda mudar a regra de correção da caderneta de poupança, apesar de ponderar a necessidade de realização de uma consulta pública, por ser uma mudança “muito profunda”. “Em algum momento, deveríamos pensar em anunciar uma fórmula de poupança mais hedgeável e casada com destinação dos recursos”, afirmou em evento promovido pelo Sindicato da Habitação de São Paulo.

A resposta, na ocasião, veio em sequência ao questionamento de Meyer Nigri, ex-diretor-presidente da Tecnisa, acerca da possibilidade de alterar a remuneração da poupança, da Taxa Referência para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Gabriela Guedes e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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