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Atualizado há 11 dias

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Brasília, 11 de janeiro – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, divulgou nesta terça-feira carta aberta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando o não cumprimento da meta de inflação em 2021 no país e projetando trajetória de desaceleração para os aumentos de preços este ano.

No documento, Campos Neto pontuou que adotará medidas necessárias para fazer com que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, atinja as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, de 3,50% para 2022, 3,25% para 2023 e 3,0% para 2024.

Mencionando o mais recente Relatório Trimestral de Inflação, de dezembro, Campos Neto atentou para as projeções condicionais da autarquia que englobam, dentre outros pontos, a previsão de que o IPCA encerre o ano de 2022 em 4,7%, acima do centro da meta, mas dentro do intervalo de tolerância, de 1,50 ponto percentual para cima ou para baixo.

“As projeções condicionais do BC são de que a inflação entre em trajetória de queda já no início de 2022, terminando o ano em patamar significativamente inferior ao de 2021”, afirmou em carta.

Repetindo linguagem utilizada pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, em sua mais recente reunião, em dezembro, Campos Neto reafirmou que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, o colegiado entende ser “apropriado” que o ciclo de aperto monetário “avance significativamente em território contracionista”, antevendo alta da Selic em 150 pontos-base na próxima reunião, em fevereiro.

Inflação importada

Explicando os fatores que contribuíram para a leitura de 10,06% do IPCA em 2021, Campos Neto classificou a inflação importada como principal fator para desvio dos preços em relação ao centro da meta estabelecido pelo CMN, de 3,75%.

Em sua explicação, também atentou para a trajetória dos preços de commodities, energia elétrica, além do desequilíbrio entre demanda e oferta de insumos, e gargalos nas cadeias produtivas globais, como principais responsáveis pela elevação da inflação para além da meta perseguida pelo BC no ano passado.

“As pressões sobre os preços de commodities e nas cadeias produtivas globais refletem as mudanças no padrão de consumo causadas pela pandemia, com parcela proporcionalmente maior da demanda direcionada para bens e impulsionada por políticas expansionistas”, afirmou.

A carta aberta divulgada pela autoridade monetária nesta terça traz as justificativas do Banco Central para o fato de a inflação oficial de 2021, divulgada mais cedo pelo IBGE, ter ficado acima de 5,25%, em 10,06%.

O centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2021 era de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual, ou seja, entre 2,25% e 5,25%.

Regras sobre rompimento de meta

Pelas regras do regime de metas, sempre que a inflação fugir do intervalo estabelecido, o presidente do BC precisa enviar uma carta aberta ao ministro da Economia, também presidente do Conselho Monetário Nacional, órgão normativo responsável pelo estabelecimento das metas.

A última vez que a inflação ficou fora da meta, mas para baixo, foi em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer. O IPCA encerrou aquele ano com alta de 2,95%, abaixo de 3,0%, limite inferior do intervalo de tolerância, de 1,5 ponto percentual, da meta à época, de 4,5%.

Em resposta ao dado de inflação elevada, houve um estresse no mercado de dívida na sessão de hoje na B3, com a curva de juros inclinando e subindo até 6 pontos-base, apesar do maior apetite por risco do dia, que derrubou o dólar e puxou o Ibovespa.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Felipe Corleta
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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