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Preços devem marcar trimestre de mineradoras e siderúrgicas

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Preços devem marcar trimestre de mineradoras e siderúrgicas

Investidores estão de olho no desempenho de mineradoras e siderúrgicas, com a última recuperação do Ibovespa sendo atribuída às commodities

Preços devem marcar trimestre de mineradoras e siderúrgicas
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Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 10 de fevereiro – Siderúrgicas e mineradoras brasileiras devem reportar resultados de quarto trimestre em direções opostas, apontam analistas, após redução no preço do aço e um avanço na produção de minério de ferro que compensou perdas no valor da commodity.

Investidores brasileiros e estrangeiros estarão de olho no desempenho dessas empresas, uma vez que a recuperação do Índice Bovespa nas últimas semanas é atribuída, em grande parte, à demanda por papéis do setor de commodities.

Com o período festivo de final de ano, marcado por férias em diversos países e invernos rigorosos no Hemisfério Norte, a demanda por aço arrefeceu, levando a menores preços no mercado. Os contratos futuros de laminado a quente, por exemplo, recuaram cerca de 18% e 17% nos Estados Unidos e China, respectivamente, após pico em agosto do ano passado.

Por isso, alguns bancos de investimento projetam forte desaceleração das margens da siderurgia na base trimestral. Segundo o Bradesco BBI, o Ebitda da Usiminas deve recuar 34%, para R$1,9 bilhão; já a CSN deve apresentar queda de 14% no indicador operacional, para R$3,7 bilhões; enquanto a Gerdau deve reportar Ebitda de R$6,1 bilhões, desacelerando 13% frente ao terceiro trimestre.

O Bank of America também espera contração do indicador, com projeções próximas às do Bradesco BBI.

Mineradoras

Os balanços de mineradoras devem ser “relativamente melhores”, com volumes compensando a queda de preços do minério de ferro no período.

A commodity negociou em média a US$110 por tonelada entre outubro e dezembro, recuando 45,62% em Dalian no acumulado de 2021, impactada pela “desaceleração na produção de aço chinesa”, segundo Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Leonardo Neratika, analistas do BofA.

“A Vale deve reportar Ebitda de US$6,8 bilhões, queda de 4% em base sequencial, principalmente pelo baixo preço praticado do minério. Entretanto, o forte desempenho de metais básicos deve compensar o resultado”, afirmou em relatório.

Já o BBI vê maiores volumes embarcados pela mineradora contribuindo para estabilidade do lucro operacional, estimado em US$7,06 bilhões. Analistas projetam 91 milhões de toneladas de minério de ferro embarcadas, ante vendas de 67,84 milhões de toneladas registradas pela Vale entre julho e setembro.

Já a CSN Mineração deve ter melhora sequencial no balanço. Para o BofA, a mineradora foi “particularmente machucada pelo ajuste de preços no terceiro trimestre”, o que deve elevar o Ebitda em 18%, para R$1,2 bilhão, se comparado ao resultado operacional de julho a setembro.

A base comparativa fraca também foi citada em relatório do Bradesco BBI, que prevê melhores preços praticados para a CSN Mineração no quarto trimestre, resultando em Ebitda de R$960 milhões.

Tendências

Analistas consultados pela Mover enxergam o preço-alvo das ações das empresas desses setores abaixo do valor justo, apesar das recomendações se dividirem entre “neutra” e “compra”. A tese se sustenta, majoritariamente, na recuperação da demanda chinesa e no valor atrativo nos quais os papéis negociam.

O minério de ferro negociado na Ásia já tocou patamares de US$150 por tonelada em 2022, alta de mais de 60% ante a mínima mais recente, registrada em novembro

“Prevemos um déficit de 45 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro semestre e não descartamos ganhos de preço no curto prazo. A produção de aço chinesa continuará se recuperando mensalmente, enquanto o resto do mundo deve elevar a produção em 6%”, avaliou a equipe de analistas do BBI liderada por Thiago Lofiego.

Produtoras de commodities serão beneficiadas pelo cenário macroeconômico à frente, com maior liberação de crédito na China e recuperação da indústria de aço do país asiático, além de uma busca global por ativos que negociam a “múltiplos baixos”, em função da elevação das taxas de juros em todo o mundo, disse o BTG Pactual.

Empresas de commodities têm “exposição limitada ao ambiente recessivo e volátil do Brasil em 2022”, acrescentou o BTG. Adicionalmente, são companhias que têm alavancagem baixa e alta geração de caixa, “o que deve garantir 12% a 13% de dividendos”, sinalizou o banco de investimentos.

Texto: Artur Horta
Edição: Gustavo Bonato
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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