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Queda do dólar 'turbina' rentabilidade das aéreas, diz Economatica

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Queda do dólar 'turbina' rentabilidade das aéreas, diz Economatica

Do início de 2022 até 28 de março, as ações preferenciais da Azul tiveram o melhor desempenho em dólar na comparação com outras aéreas

Queda do dólar 'turbina' rentabilidade das aéreas, diz Economatica
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Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 30 de março – A valorização do real neste ano elevou a rentabilidade em dólar das ações das companhias aéreas listadas na Bolsa de valores brasileira, de acordo com um levantamento feito pela Economatica.

Do início de 2022 até 28 de março, as ações preferenciais da Azul (AZUL4) tiveram o melhor desempenho em dólar na comparação com outras companhias aéreas de todo o mundo, valorizando 18,07%, seguidas pelas da Gol (GOLL4), que subiram 16,63%. A Latam, que tem capital aberto no Chile, teve queda de 15,57% em dólares no mesmo período.

Perto das 13h20, os papéis da Azul recuavam 2,96%, cotados a R$24,63, enquanto os da Gol se desvalorizavam 1,32%, valendo R$17,25. No ano, as ações das companhias acumulam altas em real de apenas 1,07% e 1,29%, respectivamente.

Uma melhora repentina no cenário macroeconômico para as aéreas em relação ao câmbio, com o dólar chegando ao menor patamar dos últimos dois anos, levanta a questão sobre o repasse dos altos custos das companhias para as passagens aéreas, já que a maior parte das despesas dessas empresas é dolarizada.

Segundo apuração do Scoop by Mover, as companhias aéreas estão planejando ajustar os preços das passagens em até 50%. Uma das razões principais é o preço do barril do petróleo, que chegou a alcançar o maior valor dos últimos 13 anos, com o Brent tocando os US$139 o barril, impulsionado pela guerra na Ucrânia e com as sanções impostas à Rússia.

Nos últimos dias, os preços caíram, especialmente depois de a China anunciar um grande lockdown em Xangai, principal centro financeiro e econômico do país asiático, reduzindo as expectativas de oferta da commodity. Mesmo assim, o petróleo acumula alta de 73,45% nos últimos 12 meses, fazendo com que cerca de 50% das despesas das aéreas, hoje, sejam com combustíveis.

Diante desse cenário de custos desfavoráveis, em nota enviada à Mover, a assessoria de imprensa da Azul informou que a companhia reajustou as ofertas de voos, mas não mencionou aumento de passagens aéreas.

“A Azul informa que, em decorrência do atual momento, ajustou a oferta de voos diários em alguns mercados. A medida foi necessária devido ao aumento exponencial do valor de várias commodities nas últimas semanas, em especial do barril de petróleo, que já vinha sofrendo consecutivas altas em função da pandemia da covid-19 e atingiu um pico recorde desde 2008, pressionando muito o valor do QAV (querosene de aviação). Isso impacta a retomada mais vigorosa da oferta de voos no país, assim como a inclusão de novas cidades e novas rotas e frequências entre aeroportos que já contam com serviço aéreo”, diz a nota.

A Latam também afirmou, em nota enviada à Mover, que precisou realizar mudanças nos voos programados, e acrescentou que, como consequência dessas alterações, os preços das passagens acabaram impactados.

“A LATAM esclarece que permanece atenta à vulnerabilidade externa em função da guerra na Ucrânia, que impacta diretamente no preço do petróleo e, consequentemente, na alta do preço do querosene da aviação (QAV) e nos custos da empresa. Diante da imprevisibilidade desta crise, a empresa precisou fazer algumas alterações em voos programados para os próximos meses e postergar o lançamento de novas rotas. Esse cenário também impacta em aumento de preços das passagens e serviços adicionais da ordem de 25% a 30%”.

A Gol também disse que teve que reajustar preços de passagens, mas não precisou esse aumentou.

“Diante deste cenário, é inevitável o aumento dos valores das passagens, porém não é possível determinarmos um percentual exato em função da atual volatilidade dos preços do QAV. Reforçamos que o processo de precificação é dinâmico e também segue a oscilação da demanda e da elasticidade e sazonalidade, inerentes ao setor aéreo. Quanto ao impacto na oferta, por enquanto a GOL não tem mudanças planejadas em virtude do aumento de custos”, informou a companhia aérea.

*ERRATA: Ao contrário do que constava na matéria, a Azul não reajustou preços, apenas ofertas de voos.

Texto: Stéfanie Rigamonti
Edição: Allan Ravagnani
Imagem: Mover

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