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Raízen disputa liderança em geração distribuída com Vibra, dizem fontes

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Raízen disputa liderança em geração distribuída com Vibra, dizem fontes

A estratégia da Raízen, também associada à transição energética, passa pela busca por aquisições no setor e por parcerias

Raízen disputa liderança em geração distribuída com Vibra, dizem fontes
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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 13 de abril – A Raízen, líder mundial em biocombustíveis, quer agora dominar o segmento de geração distribuída de energia renovável, conhecido pela sigla GD, que envolve altas margens e já atraiu sua rival Vibra, além de elétricas como EDP, Enel e Energisa.

A estratégia da Raízen, também associada à transição energética, passa pela busca por aquisições no setor e por parcerias para fornecer a produção de seus ativos de GD a outras empresas, como em um acordo recém-fechado com a incorporadora Mitre Realty, disseram ao Scoop by Mover fontes a par da operação.

O apetite de grandes grupos por negócios em geração distribuída evidencia o momento aquecido deste mercado, que geralmente envolve pequenas instalações solares cuja energia pode ser vendida para uma companhia ou para um grupo disperso de consumidores menores.

Esses sistemas de geração renovável lideraram a expansão dos investimentos em energia no Brasil nos últimos dois anos, e devem receber mais de R$40 bilhões em 2022, um novo recorde, segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Solar.

Como o nicho da GD é fortemente pulverizado, há espaço de sobra para que empresas capitalizadas como a Raízen cresçam via fusões e aquisições. A companhia, inclusive, fechou um acordo de R$318 milhões em outubro para se tornar sócia do Grupo Gera, com forte atuação no setor.

“Na Raízen, acreditamos que o futuro da matriz energética nacional está na valorização de fontes sustentáveis e, por isso, reforçamos, em todos os movimentos de negócios, o papel de protagonista na transição energética. A parceria com diferentes empresas e negócios é a solidificação da nossa crença de que a energia do futuro é parte fundamental da nossa atuação”, afirmou ao Scoop o vice-presidente de Energia e Renováveis da Raízen, Frederico Saliba.

A rival Vibra Energia, maior distribuidora de combustíveis da América Latina, também decidiu entrar com força neste segmento, selando no ano passado a compra de 50% da Comerc, comercializadora de energia com uma importante carteira de projetos na área.

O movimento da Vibra foi destacado por analistas do Bank of America como uma “sólida entrada em renováveis”, que segundo eles deve oferecer boas oportunidades para a companhia crescer no setor no longo prazo.

Antes da operação com a Vibra, no entanto, a Comerc chegou a ser alvo de análises da própria Raízen para potencial investimento, o que evidencia o apetite do grupo de bioenergia e combustíveis pela expansão em geração limpa, segundo três fontes, que pediram anonimato devido à sensibilidade do assunto.

Grupos do setor elétrico como a italiana Enel, por meio da subsidiária Enel X, a portuguesa EDP, com sua unidade brasileira EDP Brasil, e a local Energisa, também estão entre as empresas que mais têm analisado ativos de GD para possível compra, acrescentaram as fontes.

Procurada, Comerc não respondeu de imediato a pedidos de comentário. Enel X e Energisa também não retornaram. A EDP Brasil informou ao Scoop que seu plano de negócios prevê investimentos de R$1,5 bilhão em projetos de geração solar distribuída até 2025.

Os investimentos em GD têm proporcionado margens de lucro superiores a 20%, segundo uma fonte do setor, mas este retorno cairá após 2023 devido a uma mudança de regras aprovada pelo Congresso em janeiro. Essa perspectiva, inclusive, está acelerando movimentos de consolidação na indústria, acrescentou a fonte.

Raízen-Mitre

Em meio às iniciativas para crescer em GD, a Raízen fechou parceria com a Mitre Realty para fornecer energia solar inicialmente a três obras da incorporadora em São Paulo, proporcionando redução de custos e energia renovável à empresa.

Depois de concluídas as construções, a Raízen oferecerá aos condomínios e proprietários de apartamentos a possibilidade de continuar comprando sua energia, o que poderá render economia de 8% a 27% na conta de luz de quem aderir.

“O custo de energia não é relevante para a construção, mas ele é relevante depois que o prédio estiver pronto”, explicou ao Scoop o presidente da incorporadora, Fabrício Mitre. “É muito mais a questão de ter um modelo de sustentabilidade de consumo energético e abrir uma porta para que nossos clientes possam reduzir a conta e consumir energia limpa”.

Antes, a Raízen havia anunciado acordos para fornecer energia limpa a outras empresas, incluindo a rede de academias Smart Fit.

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*Atualização com comentário do vice-presidente de Energia e Renováveis no 6º parágrafo

Texto: Luciano Costa e Bruna Narcizo
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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