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Resiliência da moda premium deve marcar trimestre do varejo, com e-commerce sob pressão

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Resiliência da moda premium deve marcar trimestre do varejo, com e-commerce sob pressão

Empresas do varejo de moda premium se beneficiam por atender clientes com poder de compra maior, que consomem mesmo com a inflação alta

Resiliência da moda premium deve marcar trimestre do varejo, com e-commerce sob pressão
maria-luiza

Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 11 de fevereiro – Empresas do varejo de moda com foco em público de maior renda, cujo poder de compra é mais resistente frente à inflação, devem figurar na ponta positiva dos resultados do quarto trimestre, de acordo com analistas consultados pela Mover.

Sazonalmente, o quarto trimestre é melhor para todo o setor de varejo, graças às compras de fim de ano na Black Friday, Natal e confraternizações de fim de ano. Somado a isso, empresas do varejo de moda premium, como Arezzo, Grupo Soma e Vivara, se beneficiam por atender clientes com poder de compra maior.

“Essas companhias atuam com menor elasticidade de demanda e ainda estão em uma curva de recuperação de faturamento, de maneira mais acelerada do que no resto do setor de varejo, mostrando forte resiliência, apesar da deterioração do ambiente de negócios”, disse o analista da Eleven Research Carlos Daltozo.

As Lojas Renner estariam em um segundo nível nesse sentido, já que seu público não é de alta renda, segundo Daltozo.

A situação mostra como a inflação pode agir de forma diferente nos resultados de um segmento afetado pela pandemia do coronavírus, a alta dos juros e o desemprego. As empresas do varejo alimentar, por exemplo, devem ver seus balanços punidos pela inflação persistente e a comparação mais desfavorável na base anual.

“Repassar alta de preços para itens como joias é mais fácil, porque quem consome é o público A e B, que pode pagar mais pelo mesmo produto. No supermercado, o consumidor faz o que chamamos de ‘trade down’: em vez de comprar uma marca mais cara, ele compra uma mais barata”, analisa o sócio-analista da Perfin Investimentos, Marcelo Inoue.

Redes de supermercados e hipermercados como Carrefour Brasil e GPA devem reportar desaceleração nas vendas e maior pressão nas margens – movimento que já tem sido sinalizado pelas empresas, segundo Inoue.

Uma alta nos casos de covid-19 deve impactar as varejistas alimentares que atendem bares e restaurantes. Segundo a XP, pode ter havido dificuldades especialmente para os atacarejos, opção mais tradicional de compra desses estabelecimentos.

Apesar disso, o Assaí, um dos líderes do setor de atacarejo, encontrou alternativas no trimestre passado, segundo analistas.

“As vendas nas mesmas lojas, SSS, devem ser negativas para o Assaí neste balanço do quarto trimestre; a receita bruta crescerá devido às novas lojas, mas possivelmente veremos uma desaceleração da rentabilidade da empresa”, completa Inoue.

E-commerce

Representantes do e-commerce Magazine Luiza e Via deverão manter a tendência de vendas mais fracas no meio físico, como já havia sido visto no terceiro trimestre, de acordo com Daltozo.

Para a XP, o desafio de aumentar a receita dessas empresas passa pela menor renda disponível da população para comprar de produtos de linha branca a eletrônicos – categoria que registrou queda anualizada em seu volume de vendas de 21,5% em novembro.

“Apesar da expectativa de evolução no volume bruto de mercadorias, ou GMV, online de algumas companhias, devemos ver retração de vendas nas mesmas lojas”, disse.

A Americanas, contudo, pode se destacar frente a seus pares devido à sua menor exposição a itens de linha branca e eletrônicos, e uma base de comparação menor, na avaliação da XP.

Além disso, a competição cada vez mais agressiva entre essas empresas e players internacionais, como Amazon e Shopee, representa outro desafio para os e-commerces listados na Bolsa brasileira.

“Shopee, por exemplo, tem ganhado participação de mercado. Essa maior competição reduz o ritmo de crescimento dessas empresas de e-commerce – outro motivo pelo qual o mercado vem penalizando os papéis dessas companhias”, disse Daltozo.

Porém, na avaliação dele, as varejistas nacionais possuem robustez em suas plataformas, com o diferencial da eficiência na malha logística e produtos de maior valor agregado em suas plataformas quando comparados à Shopee, por exemplo.

Texto: Maria Luiza Dourado
Edição: Gustavo Bonato e Gustavo Boldrini
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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