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Retomada em "V" do PIB no terceiro trimestre deve ser efêmera

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Retomada em "V" do PIB no terceiro trimestre deve ser efêmera

Em linha com as grandes economias que sofreram com a pandemia no primeiro semestre, o PIB deve registrar forte alta no terceiro trimestre.

Retomada em "V" do PIB no terceiro trimestre deve ser efêmera
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Atualizado há mais de 1 ano

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São Paulo, 2 de dezembro – Em linha com as grandes economias que sofreram com a eclosão da pandemia do coronavírus no primeiro semestre, o Produto Interno Bruto, PIB, brasileiro deve registrar forte alta no terceiro trimestre, na esteira da retomada da indústria, da reabertura parcial dos comércios urbanos e da desvalorização cambial, que impulsionou as exportações de commodities, disseram economistas.

Após o tombo astronômico de 9,7% entre abril e junho, o PIB deve mostrar um salto de 9,0% entre julho e setembro na base sequencial, de acordo com o consenso TC. Isso significa que, ao final de setembro, a economia nacional ainda não havia voltado aos níveis pré-pandemia. Na base anual, a queda deve ser de 3,5%, ante recuo de 11,2% registrado ao fim do segundo trimestre.

Auxílio emergencial contribui para o PIB

O dado pode trazer validez parcial ao argumento do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a economia brasileira se recupera em formato de ‘V’, ou seja, sai de uma grande queda para uma recuperação acelerada.

Mas, parte dessa recuperação, disseram economistas, se deveu à existência do auxílio emergencial a famílias e empresas, que tirou o varejo do avesso e permitiu reativar a demanda por bens industriais e intermediários no trimestre anterior.

Recuperação desigual entre os setores

Apesar da volta da produção, a indústria já se vê pressionada pela falta de insumos, deixando o cenário mais complicado para esse trimestre. A recuperação nos serviços ainda é tímida e, com a segunda onda de infecções chegando, a situação se torna incerta.

Usando os balanços empresariais como proxy, a atividade econômica deve ter mostrado, do ponto de vista da demanda, uma recuperação mais intensa no consumo das famílias, que teve queda recorde no segundo trimestre, e nas exportações, disseram analistas.

A formação bruta de capital fixo, uma medida do investimento privado, deve ainda ter um impulso positivo da importação de bens de capital. Do ponto de vista da oferta, a indústria deve anular a queda vista no ápice da pandemia, enquanto os serviços devem continuar fracos, com a exceção de varejo supermercadista e dos serviços financeiros. A agropecuária pode mostrar dinâmica favorável na exportação de proteínas, assim como na produção de café e soja. O IBGE divulga o dado do PIB amanhã, às 09h00.

Texto: Gustavo Boldrini
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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