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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 22 de dezembro – Entre janeiro e fevereiro de 2021, um movimento de pequenos investidores nas redes sociais ganhou os holofotes do mercado financeiro ao provocar a disparada de papéis de empresas quase falidas, encurralando importantes fundos de investimento que apostavam na baixa dessas ações: a revolta dos sardinhas.

Também chamada de Meme Stocks ou Mob Stocks, a nova onda, que nasceu do grupo WallStreetBets da rede social Reddit, tinha como objetivo organizar pequenos investidores para puxar os preços de ações consideradas por muitos os “micos” das bolsas. Consequentemente, colocou investidores com fortes posições a descoberto contra a parede.

A onda especulativa desse grupo de pequenos investidores americanos comprou massivamente ações e opções em ações de companhias com futuro dúbio, como a BlockBuster, a Nokia e a GameStop. O apelido “sardinhas” contrasta com os grandes investidores e fundos de investimentos, conhecidos como os “tubarões” do mercado.

O movimento impactou os fundos hedge — que adotam estratégias mais arrojadas e com mais liberdade do que os tradicionais — que estavam vendidos nessas empresas. Os sardinhas alegavam que esses fundos, ao apostarem na baixa de determinada ação, reduziam seu valor e prejudicavam a empresa e seus acionistas.

Nessas operações, o fundo aluga uma ação de outro investidor e vende o papel logo em seguida. Dessa forma, fica “devendo” a ação para outro investidor, apostando que, na hora de devolver, pagará menos pelo papel e ficará com o lucro. Mas se o preço do papel subir, o “vendido” terá prejuízo ao recomprar a ação para devolvê-la.

Alguns fundos que estavam exageradamente vendidos, ou seja, com derivativos para venda em ações sem liquidez, tiveram perdas bilionárias devido aos altos preços que tiveram de pagar para comprar os papéis e cobrir suas posições. Isso resultou em lucros extraordinários para os sardinhas.

A novidade da revolta dos sardinhas não foi o “short squeeze”, movimento que obriga o investidor a comprar a ação a qualquer preço e provoca a disparada rápida de determinado papel, mas, sim, a onda ter se originado de um fórum na rede social.

Ao mesmo tempo, a alavancagem excessiva dos pequenos investidores de Nova York, que tomaram empréstimos para comprar as ações, começou a configurar uma bolha bilionária, o que proporcionou discussões em corretoras sobre novas regras para investimento.

A revolta dos sardinhas começou a perder força no começo de fevereiro, após as plataformas e as corretoras limitarem a negociação nesses papéis e o financiamento.

Revolta dos sardinhas no Brasil

Os membros do WallStreetBets inspiraram alguns pequenos investidores da bolsa brasileira, que tentaram replicar o “short squeeze” do GameStop nas ações da resseguradora IRB Brasil. O papel chegou a subir mais de 17% em um dia, mas, em seguida, caiu novamente.

Entre as dificuldades de montar a revolta dos sardinhas no Brasil está o limite determinado pela B3 de 20% do capital de uma empresa que pode ser colocado para aluguel de ações. Além disso, um único investidor não pode alugar mais de 5% das ações em circulação de uma empresa, limitando as posições vendidas.

Outra regra da B3 que dificulta o “short squeeze” é o leilão em caso de muita volatilidade ou se a bolsa entender que a formação de preços foi feita artificialmente.

A Comissão de Valores Mobiliários, CVM, também se mobilizou e alertou que uma ação organizada para puxar o preço de um papel poderia ser visto como manipulação de mercado.

Texto: Letícia Matsuura
Edição: Angelo Pavini e Gabriela Guedes
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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