IBOV

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SP500

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DJIA

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NASDAQ

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+1,22%

IFIX

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BRENT

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+3,84%

IO62

¥ 610,50

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TRAD3

R$ 7,88

-2,83%

ABEV3

R$ 16,70

-3,30%

AMER3

R$ 30,49

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ASAI3

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-3,42%

AZUL4

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B3SA3

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BIDI11

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BBSE3

R$ 21,50

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BRML3

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BBDC3

R$ 17,57

-3,40%

BBDC4

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BRAP4

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BBAS3

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BRFS3

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BPAC11

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CRFB3

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CCRO3

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CMIG4

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HGTX3

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CIEL3

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COGN3

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CPLE6

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CSAN3

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CYRE3

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ELET3

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ELET6

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EMBR3

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ENBR3

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Atualizado há 11 meses

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Esta é a retrospectiva econômica 2020, o ano que zombou de todas as previsões. Se alguém falasse que o mundo entraria em quarentena de meses, que a bolsa brasileira amargaria seis circuit breakers no mesmo mês, que o contrato do petróleo teria valor negativo, que os feriados mudariam de data, que teríamos de viver “o novo normal” e que ele incluiria usar máscara e álcool gel, ninguém acreditaria. 

Palavras mais pesquisadas de 2020

Fonte: Google Trends

Ibovespa em 2020

RETROSPECTIVA 2020: BRASIL E MUNDO

Janeiro 2020- Tensão Estados Unidos e Irã

Janeiro começou e tivemos a eclosão da tensão entre Estados Unidos e Irã após o ataque promovido pelo presidente americano Donald Trump com drone, que culminou na morte de Oassem Soleimani, considerado um dos homens mais poderosos de Teerã. A assinatura da Fase I do acordo comercial entre EUA e China, em 15 de janeiro, após 18 meses de disputa, apontava para um sentimento positivo. Em 23 de janeiro, o Ibovespa bateu recorde histórico de fechamento, aos 119.527 pontos. No dia seguinte, recorde intradiário em 119.563 pontos. Mas, nesse mês, porém, já circulava uma doença misteriosa pela China, que teve epicentro em Wuhan, que mudaria o mundo: a Covid-19. Em 26 de janeiro, foi anunciado o primeiro confinamento, e mais de 60 milhões de chineses forma obrigados a ficar em casa. Era o começo do pesadelo. 

Fevereiro 2020- Primeiros casos de covid-19 no Brasil

Em 26 de fevereiro, já depois do Carnaval, tivemos o primeiro caso da doença no Brasil, que virou pandemia em 11 de março e o caldo entornou. O Ibovespa despencou 29,9% em março, a maior queda mensal em 22 anos. Em quatro semanas, o índice saiu de mais de 113 mil pontos para a mínima em 61.161 pontos, o que nos trouxe uma queda vertiginosa de 45,7% no período. Em 9 de março foi acionado o primeiro de seis circuits breakers, mecanismo que é acionado quando os negócios na bolsa são paralisados quando o índice recua mais de 10%. 

Nesse dia, a Petrobras despencou quase 25% com vírus e outro complicador adicional: a guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita. Com os produtores reduzindo preço, as cotações do petróleo não resistiram, e a commodity desafiou o velho ditado “se cair no chão, não passa”. Em 20 de abril, o futuro do petróleo negociado em Nova Iorque, o WTI, fechou em US$37,40 negativos. Vendedores tiveram que pagar para os compradores levarem o petróleo, pois não tinham onde armazenar a produção, diante dos isolamentos sociais e suspensão de viagens aéreas no planeta em meio ao coronavírus. 

Março 2020- Pandemia ganha forma

A pandemia, que já matou mais de 1,6 milhões e contaminou mais de 76 milhões no planeta, atirou as economias para a recessão econômica, milhões para o desemprego e forçou a mudanças de comportamento. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto do Brasil desabou 9,6% e o Fundo Monetário Internacional chegou a anunciar, em junho, uma projeção bem sombria, de que a economia brasileira tombaria 9,1% em 2020. Entre março e abril, mais de 30 milhões de americanos pediram o seguro-desemprego, um recorde. O desemprego no Brasil saltou de 11,2% para 14,6% até setembro. Quase 10 milhões de brasileiros tiveram redução de jornada de salário ou suspensão do contrato de trabalho. Os mais afetados foram os informais.  

Os bancos centrais e governos precisaram injetar recursos na economia em volumes sem precedentes para evitar o pior. Segundo levantamento do Bank of America feito com 97 países, além da União Europeia, do FMI e do Banco Mundial, a injeção total de estímulos chega a cerca de US$25 trilhões, sendo US$15,23 trilhões vindos da política fiscal e US$9,32 trilhões da política monetária. É quase 29% do PIB global: uma chuva de dinheiro nos mercados. O governo do presidente americano Donald Trump abriu as torneiras e já despejou mais de US$4 trilhões em ajuda governamental para alívio diante da pandemia ajudando milhões de americanos desempregados a cobrir as despesas diárias, enquanto empresas puderam manter os trabalhadores em suas folhas de pagamento. 

Mas o estímulo fiscal já quase secou e as negociações para um novo pacote ainda continuaram nesta reta final do ano e um novo pacote foi aprovado, de US$900 bilhões. Sozinho, o Federal Reserve, banco central americano, elevou a carteira de ativos a US$7,2 trilhões. O Banco Central Europeu iniciou março com uma ajuda prevista de 750 bilhões de euros, para depois ser ampliada para 1,85 trilhão de euros. O Fed de Jerome Powell, presidente do Fed, fez mais. Em 15 de março, realizou uma reunião extraordinária em um domingo e cortou a taxa de juros em 1 ponto percentual para o intervalo de 0,00% a 0,25%. Investidores começaram a cogitar juros negativos, como têm Zona do Euro e Japão. Outros bancos centrais seguiram o exemplo, como o Brasil, que começou o ano com a taxa básica de juros, a Selic, em 4,50% ao ano e terminou o ano com 2,00%, na mínima história. Poucos meses depois, o Fed sinalizou que os juros ficarão perto de zero até 2023 e abriu espaço para uma maior tolerância para a inflação quando o desemprego estiver alto. No Brasil, houve indicação de que a Selic ficaria baixa por um bom tempo. 

Abril 2020- Auxílio emergencial e demissão de Sérgio Moro

Para recompor as perdas da renda com a pandemia, em abril, o governo iniciou o pagamento do auxílio emergencial, que despejou sozinho mais de R$300 bilhões na economia. Primeiro de R$600 por informal até agosto. Em setembro, a parcela caiu a R$300. Além do chamado coronavoucher, houve a permissão de saque do FGTS emergencial. O pacote de estímulos do governo brasileiro correspondeu a 11,8% do PIB, que inclui o auxílio emergencial, que ajudou a economia a evitar uma queda maior. O auxílio fez a alegria de varejistas, aliviou bancos e até levou a Caixa Econômica Federal a virar o maior banco digital do país, mas também contribuiu para outros dois sustos de 2020: a inflação alta e a crise fiscal.

O descompasso entre oferta e demanda, a disparada do dólar e a retomada econômica da China resultaram em uma combinação perversa para o IPCA, índice oficial de preços, que deve fechar o ano acima do centro da meta oficial, de 4,00%. No auge da crise, em junho, a projeção era pouco superior a 1,50%. Quem não se lembra do pacote de cinco quilos de arroz, que normalmente custa R$15, vendido a R$40, fazendo até o governo zerar o imposto sobre o alimento. E pensar que, no início do ano, o IPCA teve dois meses consecutivos de deflação. E quem diria que o outro indicador de inflação mais utilizado no país, o IGP-M, poderia fechar em alta de quase 25%? Com a disparada, a imobiliária virtual Quinto Andar deixou de reajustar os aluguéis pelo índice.

Agora a grande dúvida, que tem pesado forte no mercado brasileiro–o câmbio que o diga– é se o governo vai voltar à austeridade quando a pandemia acabar. O FMI prevê que a dívida pública bruta irá saltar para 100% do PIB em 2020 e que continuará elevada no médio prazo. Em outubro, ela atingiu 90,7% do PIB. Essa incerteza em ano de eleições municipais e sucesso do auxílio emergencial no Nordeste, reduto da esquerda, a dois anos da eleição presidencial contribuiu para o dólar chegar a encostar em R$6,00 em maio. Em março, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o dólar chegaria a R$5,00 se ele não fizesse “muita besteira”. Mas esse patamar não só foi alcançado como bastante superado, com a cotação da moeda batendo recordes sucessivos.

Parte da disparada na divisa refletiu o pedido de demissão do ex-juiz Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça em 24 de abril, que trouxe princípio de pânico, com o Ibovespa chegando a cair mais de 9%. O ex-coordenador da Lava Jato acusou o presidente Jair Bolsonaro de interferência na Polícia Federal e exigiu o vídeo da reunião ministerial do dia 22 para justificar sua tese, que gerou tensão. A divulgação do vídeo foi liberada em 22 de maio pelo Supremo Tribunal Federal e duas intervenções ficaram famosas: o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizendo para se “vender logo a porra do BB”, em relação ao Banco do Brasil, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, falando em “passar a boiada”, sobre flexibilização das regras ambientais.

Com a saída de Moro, o mercado temeu pela saída de Guedes.

Maio e junho 2020- Paulo Guedes foi de amado a dispensável

Três ministros da Saúde diferentes em plena crise sanitária e questionamentos às queimadas da Amazônia também puxaram o dólar. Para além dos acontecimentos domésticos, tivemos, em maio, muita coisa jogando contra o real em nível mundial. Maio foi o mês em que as manifestações antirracismo ganharam força nos EUA, após o assassinato de George Floyd no estado de Minnesota. O dólar chegou aos R$5,97, maior nível da história em maio. No entanto, o real reverteu parte do movimento de desvalorização e fechou o mês em R$5,34. Também contribuíram para a desconfiança as brigas internas da equipe econômica com a ala gastadora dos ministros do Desenvolvimento e da Infraestrutura, Rogério Marinho e Tarcísio de Freitas. 

A falta de avanço na agenda de reformas e privatizações levou à debandada na Economia em agosto, com pedidos de demissão dos secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Paulo Uebel, outro evento que trouxe apreensão. Guedes foi de amado pelo mercado financeiro até dispensável, já que viu sua força ser reduzida, sem conseguir empenho do governo pelo ajuste fiscal e agenda de reformas no Congresso. Guedes prometeu vender quatro estatais, entre elas os Correios, o Porto de Santos, a Eletrobras e a PPSA, estatal do pré-sal, e nenhuma saiu do papel. O ministro insistiu na dupla “juro baixo e câmbio alto” e na volta da CPMF sobre transações digitais, que seguiu sem amparo entre os congressistas, com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, encabeçando a oposição ao imposto. O deputado virou seu novo desafeto e protagonizou vários bate-boca públicos. Mas Maia também esteve no papel do “polícia mocinho” ao defender a responsabilidade fiscal e evitar que “pautas-bombas” contra bancos, como a limitação de juros do cartão, prosperassem. 

No apagar das luzes do ano, Maia assustou ao cogitar votar uma medida provisória que poderia prorrogar o auxílio emergencial além de 2020 e pautar uma proposta que elevaria em R$4 bilhões o rombo fiscal. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, também teve um ano agitado. O BC “causou” ao baixar a taxa Selic a 2,00% ao ano e a menosprezar a inflação, bem como ao lançar o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, que gerou preocupação entre os bancos tradicionais. O BC limitou pagamento de dividendos por instituições financeiras e atuou no câmbio fortemente, até para reduzir outra pressão do dólar, as operação de overhedge pelo setor bancário, um evento extraordinário de 2020. A autoridade monetária, que aderiu à onda das lives, fenômeno de 2020, com dirigentes falando praticamente todos os dias, também ajudou a elevar o colchão de liquidez para o Tesouro, que, em ano, de pandemia, sofreu com a queda da arrecadação, com a atividade parada pelo confinamentos. Transferiu US$325 bilhões para ajudar o Tesouro a honrar mais de R$600 bilhões de dívida que vencem no próximo quadrimestre. Já a solvência do Tesouro foi questionada e as estratégias nos leilões de títulos, que levaram ao encurtamento da dívida em meio à desconfiança geral com o país. No fim do ano, o BC fez um  mea culpa e passou a recear a alta da inflação a ponto de sinalizar que a orientação futura estaria prestes a cair, indicando que a Selic terá viés de alta. 

Os receios com a extensão do auxílio emergencial além de 2020, que levaria a estourar o Teto de Gastos, foram outro limitador do real, além da Selic baixa. Bolsonaro iniciou viagens ao Nordeste, chegou a admitir estender o auxílio emergencial, mas fechou o ano descartando a criação do Renda Brasil, que virou Renda Cidadã, um substituto do Bolsa Família, que seria uma espécie de prorrogação do auxílio emergencial. A forma como o presidente anunciou o sepultamento da proposta trouxe renovadas especulações a respeito de um enfraquecimento da equipe econômica, que estaria perdendo a queda de braço com a ala militar e desenvolvimentista do Planalto. Bolsonaro, que chegou a chamar a Covid-19 de “gripezinha” e pegou o coronavírus, recebeu um forte recado das urnas. Nas eleições municipais de novembro, o centrão e a “velha política” foram os grandes vencedores, além da nova esquerda, protagonizada pelo candidato vencido à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos. O país da politização, extremou até as vacinas já de olho em 2022. Tivemos verdadeiras batalhas campais entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, defensor feroz do distanciamento social e de parar comércio e serviços.

O ano foi mesmo surpreendente na política. Trump, que também foi infectado pela Covid-19, foi derrotado pelo democrata Joe Biden na presidência dos EUA e o mercado financeiro, ao contrário do esperado, gostou. Vê em Biden menos incerteza e mais estímulos para a economia. Também comemorou suas escolhas, como de Janet Yellen, ex-presidente do Fed, que apoia a geração de emprego. Com discurso anti-China, Trump tentou ganhar a eleição, mas sua postura ante a pandemia e movimentos pelo BlackLivesMatter, uma das hashtags que mais repercutiram em 2020, jogaram contra. Quando perdeu, o republicano tentou reverter o resultado nos tribunais. A eleição americana foi uma novela, com o resultado ratificado 38 dias após o pleito, bem como a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, que segue em dúvidas no fim do prazo.

Julho 2020- Ibovespa retomou 100 mil pontos

No terceiro trimestre, os mercados e as economias começaram a respirar, com a badalada recuperação em formato de “V”. No terceiro trimestre pudemos observar uma diminuição lenta e bastante gradual da média móvel de mortes e de novas infecções por coronavírus. Em julho, o Ibovespa retomou os 100 mil pontos e, se março foi um mês para esquecer, novembro é para lembrar. Em novembro, a alta do índice acionário foi de 15,9%, maior avanço mensal do índice desde março de 2016, quando subiu 17%, e o melhor novembro do Ibovespa desde 1999. Em dezembro, o índice já passou dos 119 mil pontos intradiários, zerando perdas em 2020 e chegando perto dos recordes históricos. Desde o auge da crise, o Ibovespa disparou mais de 85%. Quem não parou de bater recordes foram os índices acionários americanos, Nasdaq, S&P500 e o Dow Jones, que bateu pela primeira vez em 124 anos de história os 30 mil pontos.  

Grande parte da “culpa” por esses recordes foram das tecnológicas americanas, que foram destaque de 2020 ao se mostrarem resilientes na pandemia. Ensino à distância e o home office viraram rotina, e as compras online também, enquanto a TV e o streaming nunca foram tão amados. Resultado: as ações das cinco tecnológicas americanas, as chamadas FAANGs– Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google– fizeram a alegria dos investidores. Quem também se deu bem na crise foi a Tesla. A fabricante de carros elétricos, pasme, vale mais do que nove montadoras tradicionais juntas em bolsa e acabou de entrar no S&P 500 com o quinto maior peso.  

Agosto, setembro e outubro 2020- Techs, papéis da “velha economia”  e corretoras brasileiras

As techs chegaram a perder força a partir de setembro, com rotação para papéis da “velha economia”, diante da perspectiva de chegada de vacinas, recuperação das economias e múltiplos altos, mas seguem no radar dos investidores. Por falar em tecnologia, 2020 foi o ano das varejistas de comércio eletrônico do Brasil. A Magazine Luiza virou uma blue chip, uma das empresas com maior capitalização em bolsa. A Via Varejo, abandonou de vez sua má fama com entregas para se tornar gigante no digital, com salto de quatro dígitos no segmento online. Aliás, todos os setores quiseram “morder” essa onda tech. Cogna anunciou planos para o digital, enquanto as operadoras de planos de saúde NotreDame, Qualicorp e Hapvida foram vorazes compradoras de redes de hospitais, clínicas e convênios rivais. Tivemos vários desdobramentos e recompras de ações e vivemos, como no exterior, a dicotomia entre papéis de crescimento, como as tecnológicas, e as de valor, como os bancos, que estiveram entre os extremos: esquecidos e apetecíveis. Alerta da gestora Squadra despertou devassa na governança do IRB Brasil, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social começou a se desfazer dos papéis da Suzano e da Vale, promovendo a maior venda em bloco na bolsa brasileira por um único vendedor. Em ano de explosão do minério de ferro, que bateu os US$170 a tonelada, a mineradora começou a pagar dividendos e quando estava prestes a virar a página de Brumadinho, um funcionário morre em um deslizamento na cidade e desperta novos receios. A Petrobras continua seu plano de desinvestimentos, se focando na produção de petróleo. O ano em que milhares de aviões não decolaram, as aéreas e as ações atreladas ao turismo foram as que mais sofreram. Aqui a aposta em corte de custos e adiamento de pagamentos favoreceram as aéreas. Shoppings, outro setor muito impacto pelos distanciamentos sociais, ajudaram na crise. Já bancos elevaram provisões a cifras bilionárias, para fazer frente à inadimplência, que acabou se revelando menor do que o esperado. No geral, as empresas saíram mais capitalizadas e mais enxutas desta crise.

Consolidação de corretoras brasileiras em meio à alta da concorrência foi destaque. Em julho, a Neon comprou as licenças da Magliano Invest, corretora mais antiga em funcionamento do Brasil, que já havia transferido seus clientes para a Guide Investimentos. Em setembro, o Nubank adquiriu a Easynvest. Em outubro, foi a vez do BTG Pactual levar a Necton, depois de o banco ter concluído a compra de 80% da corretora Ourinvest em abril. Treta pública entre Itaú e a XP, que vendeu 5% na plataforma de investimentos e cogita cindir sua participação, foi tema de tuítes acalorados. 

Novembro 2020- maior aporte estrangeiro na história da bolsa brasileira

O ano não foi bom para o Trump nem para o dólar lá fora, que veio perdendo seu status de reserva de valor. Com isso, outros investimentos ganharam relevância, como ouro, prata e o Bitcoin, que bateu recorde acima dos US$23 mil. Estímulos monetários e fiscais, que tendem a pressionar a inflação, e dificuldades do país de Trump em lidar com a pandemia explicam a maior fraqueza da moeda americana. Essa chuva de dólares num ambiente de juros perto de zero, teve outra consequência: trouxe de volta os gringos, que até outubro tinham tirado R$90 bilhões da B3. Em novembro, o investidor estrangeiro aportou R$33,3 bilhões na bolsa brasileira, maior valor mensal da história. Até dia 17 deste mês, já eram mais de R$14 bilhões, diminuindo a R$37,487 bilhões o saldo ainda negativo no ano.

O investidor pessoa física também desembarcou de vez na bolsa brasileira, que aproveitou os 2 milhões de novos aplicadores, para ampliar o rol de investimentos como o acesso ao varejo de Brazilian Depositary Receipts, BDRs, que constitui um certificado de depósito, lastreado em valores mobiliários emitidos por empresas estrangeiras. Mercado Livre, Disney e Pfizer, além das FAANGs, se revelaram os BDRs preferidos do investidor pessoa física, que, segundo pesquisa da B3, é, na média, jovem, com 32 anos, começa com valores menores – R$ 660 – e tem visão de investimento de longo prazo, mantendo suas posições mesmo no auge da volatilidade do mercado.

O ESG, que são critérios de conduta para que as empresas tenham maior governança ambiental, social e corporativa, se consolidou e episódios como da morte de um homem negro por um segurança em um supermercado do Carrefour em Porto Alegre ressaltaram sua importância. Não dá para falar da Covid-19 sem falar das vacinas. Sim, foi uma corrida pelo desenvolvimento das vacinas, que vão encurtar os confinamentos e ajudar na retomada à normalidade. Cada anúncio de avanços em testes, o mercado de ações sorria. Das 48 vacinas experimentais contra a Covid-19 que se encontram atualmente em testes clínicos, 11 entraram na fase 3. Antes do fim do ano, veio a surpresa: Reino Unido e EUA já começaram campanhas de vacinação, com a primeira vacina, a da Pfizer, com a alemã BioNTech, a ter aval da autoridade americana. O imunizante da Moderna também já recebeu autorização de emergência para os americanos, enquanto a coronavac, da chinesa Sinovac com o Instituto Butantan, de São Paulo, foi bem na última etapa de testes e deve ser aprovada em breve. 

Elas ganharam relevância com a chegada de uma segunda onda da Covid-19, em outubro, na Europa e EUA, com a volta de recordes de casos e mortes. Uma nova variante da Covid-19, mais contagiosa, que foi descoberta primeiro no Reino Unido, deixa os mercados em suspense neste fim do ano. Tudo o que aconteceu neste ano daria para escrever um livro com vários volumes, não é mesmo?.

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