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Riscos fiscais afetam o câmbio, diz Campos Neto

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Riscos fiscais afetam o câmbio, diz Campos Neto

Além de comentar o câmbio, Campos Neto explicou o Relatório Trimestral de Inflação, que indicou menor confiança do BC no crescimento do país

Riscos fiscais afetam o câmbio, diz Campos Neto
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Atualizado há 5 meses

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Brasília, 16 de dezembro –  O presidente do Banco Central, Campos Neto, comentou nesta quinta-feira a dinâmica recente do câmbio, e disse que a autarquia notou um fluxo mais acentuado de saída, ocasionado, em parte, pelo pagamento de dividendos. “A gente, quando entende que há esses movimentos pontuais de saída, fazemos intervenções”, explicou. Ainda segundo ele, riscos fiscais afetam a precificação do câmbio.

“Todos os tipos de risco, e o risco fiscal é um deles, influenciam a precificação do câmbio como ativo que também espelha o risco Brasil”, disse.

Durante entrevista coletiva para comentar o Relatório Trimestral de Inflação, que indicou menor confiança do Banco Central no crescimento econômico do país, Campos Neto também disse disse que a ancoragem das expectativas inflacionárias consiste no “melhor remédio” para maximizar as condições para o crescimento futuro, e reforçou ser importante o processo de normalização monetária implementado pela autarquia.

“A gente entende que a ancoragem da inflação é o elemento mais importante para estabilizar o crescimento de longo prazo, para estabilizar a parte fiscal”, afirmou o presidente do BC.

Ainda de acordo com ele, membros do Comitê de Política Monetária, o Copom, discutiram quão longo deveria ser o ciclo de alta de juros, eventuais aumentos na taxa básica, bem como o nível da taxa Selic terminal.

Campos Neto também disse que o cenário base da autarquia não contempla uma piora fiscal adiante. Afirmou entender que a página fiscal “foi virada” com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios pelo Congresso.

“Não cabe ao Banco Central comentar se é ruim ou não [a PEC]. A gente entende que a percepção do mercado é que existe um questionamento”, complementou.

Em outro ponto do evento, o diretor de Política Econômica do BC, Fabio Kanczuk, explicou que a projeção mais baixa para a atividade econômica em 2022 ocorreu em face de uma piora das condições financeiras, impactando o consumo das famílias e os investimentos.

PIB

Mais cedo, o BC revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto, no ano que vem, de 2,10% para 1,00%. De acordo com Kanczuk, as condições são afetadas pela alta da taxa básica de juros local, bem como pelos riscos fiscais presenciados no país, impactando a depreciação cambial e, também, taxas de juros futuras nos Estados Unidos, bem como dados correntes.

“Em economias desenvolvidas, condições financeiras mais apertadas significam inflação menor. Já no Brasil e nos emergentes, apertos de condições financeiras estão normalmente ligadas à piora do risco fiscal. Isso implica em menor crescimento e tipicamente até em maior inflação”, afirmou o diretor.

Ainda de acordo com ele, a revisão para o PIB de 2021, de 4,7% para 4,4%, decorreu de desapontamentos com os dados econômicos recentes. Também segundo Kanczuk, o setor de serviços está retomando e deve auxiliar o país no ano que vem. Afirmou, por outro lado, que o consumo de bens duráveis, no Brasil, não se mostra “tão exuberante” quanto nos Estados Unidos.

Ao ser questionando sobre o compromisso com a meta de inflação em 2022, de 3,50% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, Campos Neto afirmou que o BC concede peso “mais ou menos igual” aos anos de 2022 e 2023.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Guilherme Dogo e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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