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Atualizado há mais de 2 anos

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Entrevistamos Victor Verberk, o chefe adjunto de Investimentos e co-chefe da equipe de crédito global da Robeco, gestora holandesa que é uma das mais antigas do mundo. Verberk, economista que ingressou na Robeco em 2008, acha que o Brasil precisa fazer um esforço maior para solucionar problemas de longa data – não somente a Reforma da Previdência – e ser capaz de atrair investimentos.

 

No Brasil, a gestora distribui fundos exclusivamente pela plataforma do BTG Pactual digital. Ele também nos falou sobre a China, o mercado de crédito global e de como a eleição de 2020 pode prejudicar os planos de Donald Trump de forçar  o país asiático a entrar em um acordo comercial.

 

TC News: Conte-nos um pouco sobre a Robeco e qual a filosofia geral de investimento da gestora.

Verberk: Robeco comemora este ano seu 90º aniversário. Somos uma das gestoras de ativos mais antigas do mundo, com foco em estratégias de administração ativa. Gestão ativa significa pesquisa orientada. A pesquisa tradicionalmente se concentra em assuntos fundamentais e quantitativos, mas nos últimos anos ela está cada vez mais focada em sustentabilidade. O nosso esforço de pesquisa nos torna mais informados sobre as empresas em que investimos. Esse é o objetivo real, pois nos permite assumir o risco de crédito necessário para gerar retorno para os nossos clientes.

 

TC News: Pode nos dar um panorama mais amplo da estratégia Global Credits que a Robeco lançou com o BTG Pactual há quase um ano?

Verberk: O fundo Robeco Global Credits, nosso principal fundo de crédito, é o exemplo ideal para explicar como funciona nossa estratégia. Todo o conhecimento sobre os mercados de crédito emergentes, de alto risco e grau de investimento é uma triagem de sustentabilidade intensiva. Basicamente é o melhor fundo de ideias da equipe de crédito. A equipe de crédito tem a flexibilidade de relocar os recursos de pesquisa e, junto com o risco da algumas das nossas posições chegar a qualquer lugar onde há valor. Às vezes isso implica investir em emergentes, às vezes, em papéis de países mais desenvolvidos. Em todos os momentos, o fundo está focado em comprar risco de emissor de linha única – empresas – e isso reduz muito a correlação com os mercados. É também a razão pela qual o nosso desempenho superior não se correlaciona bem com os pares que são mais posicionados para buscar beta.

 

TC News: A disputa comercial entre os Estados unidos e a China intensificou-se recentemente, com ambos os lados impondo sobretaxas. Qual país tem mais espaço de manobra para negociar nesse caso?

Verberk: Tem implicações de curto e longo prazo. A curto prazo, as eleições presidenciais nos EUA no ano que vem apresentam uma desvantagem para o presidente americano Donald Trump. Já a longo prazo, cada mais países percebem que a China passou de ser um país emergente para se tornar uma superpotência. Isso, no longo prazo, tenderá a reduzir ainda mais as taxas de crescimento da economia da China. Dada a situação de alto endividamento da economia chinesa, as expectativas de crescimento devem ser revisadas para baixo, na minha opinião.

 

TC News: Como não há acordo perfeito, que tipo de acerto entre as duas nações seria razoável para o mercado?

Verberk: Os mercados se comportam de uma forma estranha. Eles procurarão um equilíbrio. Em um determinado momento, se tivermos uma guerra comercial permanente, seja branda ou dura, os mercados vão digerir e tudo bem, obrigado. Assim como foi com o Brexit. Os prêmios de risco se ajustarão e os mercados voltarão aos itens que realmente impulsionam os preços dos ativos, como lucros, crescimento de crédito e liquidez global. Ou seja, aos fundamentos.

 

TC News: Após a a recente piora na retórica dos EUA e da China, você acha que o acordo resultante, se houver, será sustentável e crível? Ou as tensões ressurgirão em algum momento?

Verberk: Muito provavelmente esta é uma guerra comercial que veio para ficar. Principalmente, por todas essas questões em torno da propriedade intelectual, da transferência de tecnologia, do conhecimento, é que eu acho que essa tensão tem mais caráter permanente. Além disso, com o crescimento do populismo no mundo, espera-se que mais focos de tensão comercial apareçam por aí. Especialmente com a Europa, que tem um enorme superávit comercial.

 

TC News: Os mercados emergentes já estão vendo os impactos da guerra comercial. Dado o contexto da disputa comercial, quais são as perspectivas para as companhias de países emergentes no curto e médio prazos?

Verberk: Um impacto indireto de uma intensa guerra comercial será um iuan mais fraco e isso vai doer no resto da Ásia.

 

TC News: Como você vê o cenário político atual no Brasil? Você está otimista ou cauteloso?

Verberk: O Brasil estava em dificuldades econômicas e políticas há alguns anos. O pior já passou, mas muito ainda tem que ser feito para que o país retorne a um ciclo de crescimento saudável, ou seja, não impulsionado pelo crédito.

 

TC News: Você mudou sua visão sobre o Brasil entre as eleições e os primeiros meses do governo Bolsonaro?

Verberk: Não. Agora que os mercados estão otimistas sobre o Brasil, os ativos de renda fixa não estão baratos. Se isso mudar, estaremos ansiosos para voltar a investir no Brasil, como fizemos durante a crise.

 

TC News: Em relação ao Brasil, você considera, como outros gestores de fundos, que a Reforma da Previdência Social é a iniciativa principal para voltar a atrair os investidores estrangeiros?

Verberk: É um item importante da agenda, sim. Mas os estrangeiros precisamos ver uma melhoria estrutural na política do Banco Central, na política econômica. O Brasil é uma das maiores economias do mundo e a Robeco tem uma longa história na distribuição de fundos na América do Sul. No Brasil, a questão era encontrar o parceiro certo. Vemos uma ótima oportunidade para a Robeco.

 

(Foto: Victor Verberk/Robeco)

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