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Rublo russo, alta do petróleo, Bitcoin na Rússia: Mais Lidas

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Rublo russo, alta do petróleo, Bitcoin na Rússia: Mais Lidas

As reações extremas nos mercados aos desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia chamaram atenção dos leitores nesta semana; confira

Rublo russo, alta do petróleo, Bitcoin na Rússia: Mais Lidas
stefanie-rigamonti

Atualizado há 2 meses

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São Paulo, 5 de março – O início da invasão da Rússia à Ucrânia completou uma semana na quinta-feira, 3, com o conflito tomando proporções cada vez maiores, e com consequências dramáticas nos mercados, que têm dado respostas extremas às incertezas impostas pela guerra. Essas reações dos investidores estiveram no centro das atenções do leitores da Mover nesta semana.

Uma das notícias mais acessadas no portal da Mover foi a queda recorde do rublo russo ante o dólar na segunda-feira, 28, logo após um fim de semana com pesadas sanções impostas por países do Ocidente contra a Rússia.

A moeda chegou a derreter cerca de 30% na abertura do mercado asiático no início desta semana, em meio a medidas extremadas do Banco Central russo, que elevou, do dia para a noite, a taxa básica de juros do país de 9,5% para 20%.

E mais uma vez os preços internacionais do petróleo dispararam, atingindo máximas não vistas há anos, enquanto ativos como o Bitcoin passaram a ser o refúgio de russos afetados pelas sanções financeiras do Ocidente. Esses assuntos também estiveram entre os mais vistos no portal da Mover nesta semana. Confira!

Rublo russo

Era noite de sábado, 26, quando os Estados Unidos e seus aliados deram as primeiras cartadas, num sinal de que de fato tomariam medidas para sufocar o sistema financeiro da Rússia caso o país insistisse na ideia de tomar Kiev, a capital ucraniana.

Alguns bancos russosforam excluídos do sistema de pagamentos internacional Swift, que processa trilhões de dólares por dia em transações entre instituições financeiras do mundo inteiro. Além disso, houve a decisão de congelar reservas internacionais do Banco Central da Rússia.

Os primeiros efeitos das medidas só foram sentidos na segunda-feira, quando os mercados abriram na Ásia e o rublo russo despencou aproximadamente 30% ante o dólar, um recorde histórico. No dia seguinte, mais quedas, mas desta vez menos pronunciadas.

Na quarta-feira, a moeda subiu em movimento de correção, mas nos dias seguintes voltou a recuar. Na tarde da última sexta-feira, 4, enquanto esta matéria era produzida, a moeda registrava recuo superior a 12%, tendo acumulado baixa de mais de 32% em uma semana.

O caos no mercado financeiro russo por causa das sanções do Ocidente é tamanho que durante toda esta semana a Bolsa de valores de Moscou se manteve fechada.

Disparada do petróleo

Outro ativo que respondeu radicalmente aos desdobramentos da guerra na Ucrânia nesta semana foi o petróleo. Na terça-feira passada, 1, dia em que a bolsa no Brasil fechou devido ao feriado de Carnaval, o petróleo tipo Brent, que serve de referência para a política de preços da Petrobras, superou os US$105 o barril.

A disparada veio mesmo depois da notícia de que países membros da Agência Internacional de Energia, que inclui os Estados Unidos, iriam liberar 60 milhões de barris de suas reservas estratégicas para aumentar a oferta da commodity e, assim, tentar derrubar os preços.

Na quarta-feira, mais altas: o barril do Brent tocou os US$110, maior nível desde 2014. Nesse dia foi realizada uma reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, e tudo ocorreu conforme o previsto pelo mercado. A Opep decidiu manter o aumento de produção de petróleo em 400 mil barris por dia, o que é considerado bastante moderado diante da disparada dos preços.

E pra piorar a situação, nesse mesmo dia os Estados Unidos anunciaram uma onda de penalidades às exportações de petróleo e gás da Rússia, que, segundo a Casa Branca, teria o objetivo de reduzir a liderança dos russos nesses mercados. As medidas acabam atingindo em cheio o fornecimento da commodity, no momento em que a oferta já está apertada.

A resposta do mercado não demorou a vir. Na madrugada de quarta para quinta-feira, o barril do petróleo Brent atingiu os US$119, máxima em dez anos.

Na sexta-feira, os preços do petróleo recuaram um pouco, com o Brent rondando os US$115 por barril. Mas o temor do mercado ainda é muito elevado, especialmente depois que a Rússia atacou e tomou controle da maior usina nuclear do mundo, que está na Ucrânia.

Vale lembrar que a disparada do petróleo desperta atenção em relação à Petrobras. A defasagem entre os preços internacionais da gasolina e do diesel e o quanto é cobrado no Brasil alcançou 24% para os dois combustíveis, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, Abicom.

Mesmo assim, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse na semana passada que a estatal ainda não tem intenção de realizar reajustes nos preços dos combustíveis. A equipe do ministro Paulo Guedes teme que o avanço nos preços internacionais do petróleo, devido à guerra na Ucrânia, intensifique a busca do presidente Jair Bolsonaro e do Congresso por “medidas heroicas” para segurar os preços, segundo a Folha de S. Paulo.

Bitcoin na Rússia

E em meio às duras sanções contra a Rússia, que afetam não apenas magnatas e empresários, como também toda a classe média do país, o volume de negociações com o Bitcoin e outras criptomoedas em rublo russo bateu recordes nesta semana.

Na última segunda-feira, o volume de negociações do par rublo/USDT, criptomoeda com lastro em dólar, alcançou o maior patamar da história na Rússia. O montante chegou a US$34,94 milhões, 519% maior que a média diária de 2022, segundo dados da Arcane Research.

E conforme um estudo da Delphi Digital, empresa de pesquisas sobre criptomoedas, o volume de negociações na rede do Bitcoin disparou para 565 mil BTC de quinta para sexta-feira desta semana. O resultado reflete o aumento da demanda pelo ativo logo após a Rússia e suas entidades bancárias terem sido completamente bloqueadas do Swift.

Esse é o maior nível de negócios na blockchain do Bitcoin em mais de um ano, segundo a Delphi, superado apenas por dois outros momentos em toda a história: em março e maio de 2020, quando os mercados globais despencaram com a chegada do coronavírus.

Os resultados do estudo ainda indicam muita entrada de pessoas físicas no mercado cripto.

Vale ressaltar que as medidas contra o sistema financeiro da Rússia têm feito com que os russo enfrentem dificuldades para sacar rublos. Isso acontece porque a alta procura para retirar dinheiro dos bancos inviabiliza as instituições de terem, de uma só vez, cédulas para entregar aos clientes.

Com isso, os russos têm recorrido cada vez mais às criptomoedas, num movimento que explica, em parte, a valorização de mais de 7% do Bitcoin nesta semana.

Mas autoridades do Ocidente estão de olho para saber se os alvos das sanções contra a Rússia – bancos, elite e governo – também estão buscando o mercado cripto para driblar as medidas.

Texto: Stéfanie Rigamonti
Edição: Renato Carvalho
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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