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Saneamento básico terá novas empresas privadas em médio prazo, diz especialista

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Saneamento básico terá novas empresas privadas em médio prazo, diz especialista

Com o novo marco do saneamento básico, novas empresas devem entrar para o setor, atraídas pela demanda ou pelo investimento estrangeiro

Saneamento básico terá novas empresas privadas em médio prazo, diz especialista
tcuser

Atualizado há 2 meses

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São Paulo, 22 de março –A participação de empresas privadas deve aumentar no médio prazo no setor de saneamento, na esteira da implementação do Novo Marco Legal do Saneamento, disse à Mover o sócio e responsável pela área da Perfin Investimentos, Gustavo Guimarães.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado nesta terça-feira, Dia Mundial da Água, mostra que atualmente 50% do esgoto no Brasil não é tratado e que 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada. Outros 100 milhões não possuem serviço de coleta de esgoto.

Para Guimarães, o cenário deve mudar com a chegada de novas empresas na indústria de saneamento, atraídas pela demanda ou pelo investimento estrangeiro, o que permitirá uma segunda transformação no longo prazo, já sem a falta de serviços que o mercado discute hoje. 

“Estamos indo para uma mudança de modelo de negócios. O mercado de saneamento será muito atraente, ativo, dinâmico e transformacional”, apontou Guimarães.

A privatização no setor de saneamento básico foi abordada pelo pré-candidato a governador de São Paulo e atual ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, em evento do TC em fevereiro. A desestatização da Sabesp, segundo ele, poderia ser realizada em duas fases para gerar mais valor à administração estadual.

Guimarães vê benefícios na gestão privada da Sabesp, inclusive, para a implementação da agenda ESG, sigla em inglês para boas práticas ambientais, de governança e sustentabilidade.

O sócio da Perfin destacou que o setor tem resiliência e demanda por serviços e benefícios sociais. “ESG veio pra ficar e é parte da estratégia das organizações”.

Ainda segundo Guimarães, o saneamento básico é um investimento de longo prazo e não será afetado de forma direta pelas incertezas do mercado com a guerra na Ucrânia ou pelo ciclo de alta na taxa básica de juros.

Concessões devem viabilizar mais de R$20 bi em investimentos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável pela estruturação de projetos em saneamento básico, prevê quatro grandes projetos para atrair o capital privado para o setor neste ano, disse o diretor de Concessões e Privatizações do banco, Fábio Abrahão, em entrevista exclusiva à Mover.

Somados, os quatro projetos deverão atrair investimentos privados de mais de R$20 bilhões.

Segundo Abrahão, o contrato de Parceria Público Privada para esgoto no Ceará deve ser realizado ainda neste ano. O projeto vai gerar investimentos de cerca de R$6,4 bilhões. A previsão é que o contrato da PPP vá a leilão no segundo trimestre deste ano.

Outra operação citada por Abrahão, na qual o BNDES atua como orientador do governo estadual, é a abertura de capital da Companhia Riograndense de Saneamento, que atende o interior do Rio Grande do Sul. O BNDES estima que, após a operação, a Corsan terá condições de investir cerca de R$11 bilhões, beneficiando cerca de 6 milhões de pessoas.

Abrahão citou ainda a concessão de serviços de água e saneamento de Porto Alegre, que deve atrair investimentos de cerca de R$2 bilhões. A última proposta a ser concluída ainda neste ano é a da concessão do quarto bloco de água e esgoto de municípios do interior de Alagoas. O investimento nesse bloco é estimado em R$1,4 bilhão.

As eleições gerais deste ano e a volatilidade do preço de insumos, acentuada pela guerra na Ucrânia, não devem prejudicar o interesse dos investidores pelos projetos de saneamento básico, segundo Abrahão.

“O saneamento tem uma agenda que se consolidou no Brasil. É diferente do início, em 2019, quando havia muitas dúvidas. O mercado se organizou, muitas empresas novas estão entrando nos leilões”, disse.

Sobre a instabilidade gerada pela guerra, o diretor do BNDES vê os investimentos em infraestrutura como uma opção segura e estável para os investidores. 

“O mundo mais incerto aumenta o valor de programas estáveis e de longo prazo. Os setores de infraestrutura passam a ser alternativas mais atrativas para a alocação de recursos, por serem mais estáveis”, disse.

Novo Marco do Saneamento Básico

Com a nova lei, aprovada e sancionada em meados do ano passado, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, ANA, passou a ser responsável por editar normas de referência que as agências reguladoras devem seguir.

Atualmente, cerca de 88% da população têm acesso à água tratada, enquanto 52% contam com coleta de esgoto e apenas uma parte é tratada. A ANA tem como metas de expansão disponibilizar a coleta e o tratamento de esgoto para 90% dos brasileiros até 2033.

A superintendente de Regulação Econômica da ANA, Cíntia Leal, explicou à Mover que, para cumprir esse propósito, será necessário investimentos de aproximadamente R$750 milhões, obtidos por meio de financiamentos privados e públicos, além de emissões de debêntures.

Gustavo Guimarães ainda acrescentou que o processo de abertura de capital de empresas do setor para captar investimentos será inevitável.

“A gente se preocupa com a previsibilidade das normas e a segurança jurídica do setor porque só assim vai ser possível trazer investimentos e universalizar o abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto”, concluiu a superintendente da ANA.

Texto: Leonardo Goy e Letícia Matsuura
Edição: Stéfanie Rigamonti e Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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