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Sócio da IT Investimentos vê 2° semestre difícil para tecnologia no Brasil

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Sócio da IT Investimentos vê 2° semestre difícil para tecnologia no Brasil

O pessimismo para tecnologia se deve às altas dos juros e do dólar, além do cenário eleitoral, apontou Gabriel Cardoso à TC Rádio

Sócio da IT Investimentos vê 2° semestre difícil para tecnologia no Brasil
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Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 9 de fevereiro – As empresas de tecnologia no Brasil não devem apresentar bom desempenho no segundo semestre de 2022, em meio aos riscos fiscais e com a proximidade das eleições, afirmou Gabriel Cardoso, sócio da IT Investimentos, em entrevista à TC Rádio, nesta quarta-feira.

“No segundo semestre, estamos mais pessimistas, não só pela alta do juro, mas pelo aumento do dólar, e considerando também o cenário eleitoral. Porém, acredito que, no primeiro semestre, o setor tende a aproveitar oportunidades frente a outros segmentos, por conta do recebimento estrangeiro no país”, avaliou.

As empresas de tecnologia com ações negociadas na B3, operadora da bolsa brasileira, já perderam R$ 3,3 bilhões em valor de mercado neste ano, segundo um levantamento feito pela consultoria Economatica. O ETF TECB11, que replica a performance média das empresas brasileiras do setor, já caiu mais de 50% desde sua estreia em 4 de outubro de 2021.

Tecnologia nos EUA

No programa Espresso da Manhã, o gestor comentou a perda de cerca de meio milhão de usuários do Facebook no quarto trimestre do ano passado em relação ao trimestre anterior. É o primeiro declínio desse tipo registrado pela empresa em seus 18 anos de história, período em que praticamente foi definido por sua capacidade de atrair cada vez mais novos usuários.

“Ainda há espaço para o Facebook crescer em termos de usuário, mas acho que a empresa passa por uma maré de dúvidas dessa migração das principais linhas de serviço e receita. Foi a primeira queda no número de usuários. Vamos migrando para esse mercado de metaverso, mas é pouco relevante em termos de receita”, explicou.

Ele avaliou, ainda, a transição da empresa “Facebook” para “Meta” e disse que foi um movimento “estratégico”, visando um novo mercado, mas fez ponderações. “Foi um movimento estratégico, visando um novo mercado, mas é um mercado que tem muitas dúvidas. A Meta vai ser o principal provedor de metaverso? Consumidor vai abraçar a Meta como abraçou o Facebook?”, ponderou.

Durante a entrevista, Cardoso falou ainda sobre o fato de a Apple ter introduzido mudanças em sua política de privacidade, em 2021, dando aos proprietários do iPhone a opção de permitir ou negar que aplicativos como o Facebook monitorem suas atividades on-line. Para ele, o impacto deste movimento nos negócios da Meta foi relevante, mais impactante a longo prazo, pensando em modelo de negócios do Facebook e de outras redes sociais.

Apesar da queda de cerca de 10% em 2022 no índice Nasdaq de tecnologia, algumas empresas vão na contramão desse desempenho e registram balanços robustos no fechamento de 2021, como foi o caso da Amazon, que registrou um lucro líquido acima do esperado, pelo mercado, no quarto trimestre do ano passado.

Para o gestor, o consumo de dados está cada vez maior, alavancando as linhas de receita da empresa. “O mercado ainda está em momento de retomada, de oportunidades, e as grandes empresas de tecnologia, como a Amazon, têm muita condição de capturar valor nessa retomada”, disse.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Allan Ravagnani e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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