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São Paulo, 5 de maio – Como amplamente esperado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, Copom, elevou a taxa básica de juros, chamada de taxa Selic, em 0,75 ponto percentual, para 3,50% ao ano. Além disso, a autarquia indicou uma alta de igual magnitude para a reunião de 15 e 16 de junho. O Copom reiterou que o ajuste da taxa Selic seguirá parcial, mantendo algum estímulo para a economia, embora boa parte do mercado acreditasse que o Banco Central poria fim à expressão, diante da maior força do índice de preços.


Passos futuros do Copom podem ser ajustados para cumprir meta da inflação

O comitê enfatizou, entretanto, que não há compromisso com essa posição mais estimulativa para os juros e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação. “Essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, diz a nota.

Além disso, o Copom destaca que permanecem fatores de risco em ambas as direções, embora tenha destacado, assim, como fez no comunicado de março, que o balanço de riscos tem variância maior do que a usual para a inflação prospectiva. O risco fiscal elevado e a inflação seguem criando uma assimetria altista. Enquanto isso, o emprego e a atividade econômica suavizam a pressão sobre os preços.

O comunicado da decisão, que foi unânime, veio menos duro do que o esperado, já que manteve a “normalização parcial”, porém, sem compromisso, avaliou José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos.


Manter ritmo da alta da taxa Selic foi correto, avaliou Sérgio Vale

À TC Rádio, Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, disse que o Banco Central fez a coisa certa, ao optar por seguir a cartilha. Para ele, o Copom, ao manter o ritmo de 0,75 ponto percentual, dá o tom de que está preocupado com a inflação e quer antecipar o impacto da alta da taxa Selic o mais rápido possível.

Sérgio Vale afirmou, porém, que gostaria de um comunicado mais agressivo do Banco Central para controlar as expectativas. O economista da MB Associados vê mais duas rodadas de aumento de 0,75 ponto percentual na Selic para tentar conter as expectativas para a inflação de 2022 e vê a Selic em até 6,5% no ano que vem.


Taxa Selic é um dos mecanismos para garantir o cumprimento da meta da inflação

A taxa Selic é usada como referência pelos bancos ao estabelecer suas taxas de empréstimos e financiamentos, por meio dos juros para pagamentos de parcelas. A expressão Selic vem da sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um sistema para registro e custódia de transações.

A organização responsável por definir o valor dessa taxa é o Comitê de Política Monetária do Banco Central. Formado pelo presidente e pelos oito diretores do Banco Central, o Copom se reúne a cada cerca de 45 dias para analisar alteração ou manutenção dos juros. As reuniões duram dois dias, sempre nas terças-feiras e quartas-feiras.

As decisões sobre a taxa Selic são tomadas, em geral, para garantir que a inflação permaneça dentro da meta do governo, definida pelo Conselho Monetário Nacional, CMN, formado pelo Ministro da Economia, presidente do Banco Central e secretário da Fazenda. Em teoria, a economia estará aquecida se a inflação permanecer dentro da meta ou nos intervalos de tolerância.


Variações nos juros influenciam na inflação a partir de efeitos no consumo

A influência da taxa básica de juros na inflação se dá a partir dos efeitos dela no consumo. Ou seja, um aumento dos juros básicos faz com que o crédito fique mais caro, o que pode desestimular empréstimos, investimentos e o próprio consumo.

Como a inflação representa uma alta generalizada de preços, os quais tendem a cair quando há menos consumo e demanda, a taxa Selic é um dos fatores que influenciam na inflação. Assim, os juros básicos são uma das ferramentas para acalmá-la, se estiver acima do limite da meta, ou estimulá-la, se está abaixo.


Taxa Selic baixa pode estimular investimento na bolsa

Os pagamentos de rendimentos do chamado Tesouro Direto, em que o governo vende títulos de dívida como forma de obter recursos, também têm referência à taxa Selic. Como a regra da taxa de pagamento é definida na hora de investir, esse tipo de investimento é chamado de renda fixa. Então, quando a taxa Selic está alta, eles ficam mais atrativos. Ao mesmo tempo, a denominada renda variável, em especial o mercado de ações, torna-se menos atrativa nessa condição. Isto acontece por ser vista como um investimento mais arriscado devido às variações diárias nos rendimentos.

Desta forma, os juros baixos, como atualmente, estimulam os investidores a saírem do Tesouro Direto e migrarem para a renda variável. Afinal o retorno da renda fixa fica menor que a desvalorização do poder de compra com o aumento de preços. Enquanto isso, mesmo com mais risco, a bolsa torna-se mais atrativa ao oferecer um lucro maior.

Prova disso é que o número de investidores na bolsa brasileira nos dois últimos anos mais que dobrou, passando de 1,6 milhão em 2019 para 3,2 milhões em 2020. A taxa Selic, que caiu de 6,50% ao ano em fevereiro de 2019 para 2,00% ao ano em outubro de 2020, foi um dos fatores que levou a esse crescimento. Em abril deste ano, a B3 registrou mais de 1 milhão de mulheres investindo na bolsa.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Angelo Pavini, João Pedro Malar e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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