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Atualizado há mais de 1 ano

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Fonte TC Mover

Por: Bárbara Leite, editora TC Mover

 

— São Paulo, 1 de maio = Chega maio e com ele a sina de um dos mais famosos ditados do mundo dos investimentos. Mas, desta vez, a velha máxima “Sell in May and Go Away”, que não é mais que um convite ao investidor a se retirar da bolsa em maio, antes do período de férias na Europa e Estados Unidos, pode vir com menor intensidade ou simplesmente não se cumprir, disseram gestores, analistas e membros experientes do TC. Não é somente a recuperação experimentada pelas bolsas em abril: entre os múltiplos fatores que podem dar um gás nos ativos de risco até outubro estão o coronavírus, que deve segurar os investidores em casa ao longo do verão no Hemisfério Norte, ou a necessidade de se recuperar dos fortes tombos vistos em março.

 

— Estatisticamente, possuir ações entre novembro a abril de cada ano e sair do mercado na outra metade do ano tem sido uma estratégia vencedora entre 1950 e 2015, de acordo com LPL Research. A partir de 2016, a coisa se tornou mista. No primeiro período, os índices-referência S&P500 e Dow Jones ganharam uma média de cerca de 5% durante o período de novembro a abril e pouco mais de 1,5% de maio a outubro. Foi essa tendência histórica de baixo desempenho que cunhou o ditado de “venda em maio e vai embora”. No entanto, desde 2016, o período maio-outubro deu, na média, retorno acima de 4% ao investidor em bolsa nos EUA. Como o desempenho no mercado americano impacta de forma significativa a bolsa brasileira, os investidores locais adotaram o ditado como próprio. De qualquer forma, nos últimos três anos, o Ibovespa entregou retornos de 12,56%, 0,48% e 11,97% no período. Vai entender.

 

— “Acreditamos que maio pode ser um mês mais forte do que o esperado neste ano, surpreendendo para cima. Como o começo deste ano foi de baixa, existe a possibilidade de os agentes econômicos diminuírem as posições vendidas em maio, gerando um fluxo possivelmente positivo nos mercados”, disse Luiz Nunes, um dos sócios-fundadores da Forpus, um dos fundos vencedores na crise de março deste ano, com rendimento acima de 13%. Nunes ressalta que esse é o viés da estratégia da gestora, conhecida por comprar setores e papéis da bolsa com muita proteção e sempre de olho em eventos pouco prováveis.

 

— “A apresentação de tratamentos e remédios para a Codiv-19 devem ficar mais evidentes e isto pode ajudar o mercado financeiro a se recuperar do forte tombo de março”, avalia Pedro Galdi, analista de pesquisa e investimentos da Mirae Asset Corretora. O ponto negativo é que a crise da economia global estará mais evidente, com a fragilidade de alguns países emergentes, mas o investidor olha para frente e “entendemos que um processo de recessão seja rápido no mundo com o fim do isolamento social e retomada das economias, mesmo com a divulgação de dados de atividades fracas nos meses prejudicados”.

 

— No entanto, o primeiro pregão de maio em Nova Iorque começou com o pé esquerdo: na abertura, o S&P500 e o Dow Jones recuavam 1,68% e 1,57%, respectivamente, resultado de uma combinação de fatores que devem afetar o sentimento ao longo das próximas semanas: forte aversão ao risco, balanços em deterioração, incerteza quanto à duração e magnitude da crise causada pelo coronavírus. O fundo de índice EWZ, que replica a bolsa brasileira em Nova Iorque, recuava 2,72% – puxado também pela crise política em Brasília. Levando em conta o colapso traumático que as ações sofreram em março – o Ibovespa despencou 29,90%, a maior queda em 22 anos – e que os ânimos estão voláteis demais, os riscos da aposta são evidentes. Nos últimos 20 anos, em apenas seis o Ibovespa registrou alta em maio, com uma variação média de queda de 1,96% no período.

 

— A imprevisibilidade da crise global de saúde, dos riscos socioeconômicos que ela impõe, das tensões geopolíticas, especificamente com o petróleo, e, no Brasil, a questão política e a agenda reformista em dúvida, dão uma forcinha para que a profecia se repita em maio. Para Galdi, “a retomada só corre o risco de que os governos errem o momento da retomada, o que pode refletir em uma volta de picos de contaminação da doença” e de pessimismo entre os investidores. É por isso que, mesmo imperando o otimismo, a cautela fala, às vezes, um pouco mais alto. Para Christian Lupinacci, analista do Modalmais e membro experiente do TC, aponta que “maio pode vir positivo, mas não um movimento tão grande como foi o de abril. A crise do coronavírus colocou alguns bodes na sala que não vão ser simples de serem tirados”.

 

— Há muita coisa barata e muitas empresas com capacidade para atravessar a crise de forma tranquila, disse ele, que ressalta que não está “com otimismo cego. Estou construtivo, mas seletivo”. Para o trader e o membro experiente do TC, Moises Beida, o desempenho do Ibovespa, que terminou neste mês com alta de 10,35%, no melhor abril em 11 anos, “vai depender de como será o relaxamento das quarentenas e se o ex-ministro Sergio Moro vai mostrar alguma prova contra o presidente Jair Bolsonaro” no Supremo Tribunal Federal. Na noite de quinta-feira, Moro disse à revista Veja que apresentará todas as evidências assim que a Justiça exigir. (BL/GPB)

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