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Temor fiscal e pessimismo predominam nas visões de gestores

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Temor fiscal e pessimismo predominam nas visões de gestores

A proposta de rompimento do Teto de Gastos pelo governo no mês passado aumentou o temor fiscal e deu o tom das cartas mensais de gestores

Temor fiscal e pessimismo predominam nas visões de gestores
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Atualizado há 7 meses

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Brasília, 11 de novembro –  A piora da percepção sobre o cenário fiscal local, proveniente do quadro de deterioração das contas públicas com a proposta de rompimento do Teto de Gastos pelo governo no mês passado, ditou a tônica das cartas mensais de gestores aos seus clientes levantadas pela Mover.

O fundo Verde, de Luis Stuhlberger, não economizou nas críticas à equipe econômica, afirmando que o ministro da Economia, Paulo Guedes, “escolheu a desonra” ao subscrever o acordo para romper o mecanismo fiscal, acomodando mais gastos relacionados à ampliação do novo programa social do governo, o Auxílio Brasil.

Stuhlberger, cujo fundo registrou perda de 4,39% em outubro, amarga retorno negativo de 2,96% no acumulado do ano. Já o CDI, até outubro deste ano, registra rentabilidade positiva de 3,00%.

“O posicionamento do fundo claramente se mostrou frágil, dados os eventos que transcorreram no Brasil nos últimos meses. Acreditávamos que havia bastante notícia ruim no preço, e que os agentes tinham incentivos razoáveis para não romper o Teto de Gastos”, complementou a Verde em documento, reconhecendo a visão errada.

A Opportunity, que tem como sócio o renomado gestor Dorio Ferman, foi além e reverteu a exposição no mercado acionário local, passando a estar taticamente vendida. “Acreditamos que os prêmios ainda não incorporam totalmente o ambiente de renovadas incertezas fiscais, desaceleração econômica abrupta à frente e aperto monetário significativo.”

Para a SPX, asset fundada por Rogério Xavier, o país continua caminhando em direção ao aumento de suas fragilidades com a decisão de romper a sua principal âncora fiscal. A escolha, na visão da asset, diminui a resiliência da economia local para lidar com um cenário externo mais desafiador. “Seriam esses choques transitórios? Ou seriam choques mais permanentes?”, refletiu.

A Ibiuna Investimentos foi na mesma linha da SPX. “Nossa avaliação é de que esse movimento de reprecificação das atitudes tomadas por bancos centrais em todo o mundo ainda está em curso, e seguimos posicionados para tirar proveito desta oportunidade excepcional de retorno neste fim de ano”.

Em âmbito local, a Ibiuna mantém posição comprada em inflação implícita, posições aplicadas em juros reais e em trades de valor relativo nas curvas de juro real e futuras, sob perspectiva de reforço, pelo Banco Central, da âncora monetária, dado o cenário de deterioração fiscal.

E a Adam Capital, de Márcio Appel, mostrou preocupação também com a economia chinesa, na esteira da crise no setor imobiliário, protagonizada pela Evergrande. Esse problema, para a asset, acaba por ofuscar o cenário de atividade global aquecida, o que foi percebido pelos índices americanos e europeus.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Renato Carvalho
Arte: Mover

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