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Último Copom do ano deve manter Selic e núcleo da orientação futura

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Último Copom do ano deve manter Selic e núcleo da orientação futura

O Copom deve, em sua última reunião do ano, manter a taxa Selic inalterada aos 2,00% e fazer ajustes mínimos na orientação futura.

Último Copom do ano deve manter Selic e núcleo da orientação futura
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Atualizado há mais de 1 ano

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São Paulo, 8 de dezembro – O Comitê de Política Monetária, Copom, do Banco Central deve, em sua última reunião do ano, manter a taxa básica de juros, Selic, inalterada aos 2,00% e fazer ajustes mínimos nas premissas básicas da orientação futura da política monetária, sinal de que a autoridade não compartilha da maioria das preocupações de parte do mercado em relação à alta recente da inflação.

O consenso da TC Mover, que ouviu 14 economistas e gestores que unanimemente projetam a manutenção da taxa Selic, aponta para uma linguagem no comunicado da decisão com viés altamente acomodatício.

Poucos ajustes na orientação futura

Para a orientação futura, alguns deles esperam ajustes mínimos de linguagem para atender a prováveis mudanças de cenário, principalmente no que diz respeito à inflação. Nove deles avaliam que as projeções de inflação do comitê no cenário-base, que inclui taxa de câmbio seguindo paridade do poder de compra e Selic de acordo com a pesquisa Focus, devem aumentar de 3,10% em outubro para entre 4,20% e 4,30% em 2020, e permanecerem estáveis em 3,10% e 3,30% para 2021 e 2022, respectivamente.

Para economistas como Mario Mesquita, do Itaú Unibanco, o comitê conhecido como Copom pode calibrar o direcionamento do comunicado, adicionando algumas advertências, em meio ao câmbio menos desvalorizado, maiores ingressos de capital estrangeiro, elevação no custo de vida no curto prazo e persistentes temores fiscais.

Para Alberto Ramos, do Goldman Sachs, no comunicado o Copom deve atualizar ligeiramente as perspectivas para o crescimento real do PIB e continuar avaliando o aumento recente da inflação como transitório. “De maneira geral, prestaremos atenção especial às projeções de inflação condicional para o final do ano de 2021 perante a meta de 3,75%, e também para 2022, para avaliar o momento certo para a normalização da política monetária”, disse.

Copom deve manter política de juros baixos

A orientação futura trata de uma antecipação do viés da política monetária. Neste caso, reforçará a tendência a não subir os juros por um longo período e, assim, dar mais credibilidade às condições que sustentam esse cenário.

O BC vai seguir apostando na tese de que as pressões inflacionarias tendem a ser de caráter temporário e não permanente – boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, elevou para 4,21% a estimativa do IPCA para o final do ano.

O contrato de juros para janeiro de 2021 opera na casa dos 1,916%, sinalizando a aposta praticamente unânime do mercado na taxa em 2,00%. Para o final de 2021, o mercado aposta numa elevação da Selic aos 3,00%, precificando os DIs para janeiro de 2022 ao redor desse patamar. A decisão do BC, após reunião de dois dias que começa hoje, deve ser divulgada na quarta, às 18h30.

Texto: Gustavo Boldrini
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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