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fernanda-almeida

Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 2 de dezembro –  A queda na produção, impactada pela falta de semicondutores, foi responsável pelo pior novembro em 16 anos para as vendas de veículos no Brasil. O mercado de automóveis novos no país recuou 23,1% em relação ao mesmo período de 2020, segundo balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos, a Fenabrave.

Um dos segmentos mais prejudicados pela pandemia da Covid-19, o setor automobilístico enfrenta sucessivos percalços para se recuperar.

Foram licenciados 172,9 mil carros, utilitários leves, caminhões e ônibus no último mês. As vendas foram prejudicadas pela falta de modelos nas concessionárias. No entanto, no acumulado do ano, houve crescimento, em comparação com um fraco 2020, quando as indústrias e concessionárias permaneceram fechadas. De janeiro a novembro, foram emplacados 1,91 milhão de veículos, uma alta de 5,42% frente ao mesmo intervalo do último ano.

Em nota, o presidente da Fenabrave comentou os números: “Dados os desafios enfrentados nos últimos meses, como a crise de abastecimento global e alta de juros no país, penso que é um ótimo desempenho, ainda que sobre uma base comparativa mais baixa”.

Impactos nas vendas de veículos

O setor automobilístico foi duramente impactado pela pandemia, com o fechamento de plantas no mundo inteiro. No Brasil, a pausa na produção de veículos novos fez com que o mercado ficasse 28,6% abaixo do volume de vendas em comparação com 2019. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea.

A produção parou e, consequentemente, a receita também. No entanto, a demanda cresceu, fruto de uma tendência invertida pela crise, com a percepção de risco sanitário.

Frente ao descompasso entre oferta e demanda, os consumidores observaram uma alta nos preços dos carros e a falta dos automóveis zero km. A desorganização da cadeia produtiva é responsável por filas de até 300 dias para comprar um veículo saído da fábrica, segundo estimativa da Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis, Abla.

Recuperação do setor

A recuperação do setor depende, em grande parte, do arrefecimento da crise de semicondutores, essenciais para a produção dos automóveis, que se instalou ainda em 2020. Com a crise sanitária, a cadeia de suprimentos dos chips também foi interrompida e privilegiou o setor de tecnologia, seu maior comprador.

O cenário macroeconômico brasileiro também é um agravante. Renda baixa, desemprego elevado, risco fiscal, incertezas frente ao ano eleitoral e alta da taxa básica de juros, a 7,75% ao ano, dificultam a retomada do mercado automotivo e as vendas de veículos.

Texto: Fernanda de Almeida
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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