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Análise: Lula confirma costuras ao Centro e promete mercado consumidor a empresários

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Análise: Lula confirma costuras ao Centro e promete mercado consumidor a empresários

"Mesmo se você tiver que contrair uma dívida pública para fazer um ativo produtivo, você está investindo", afirmou o ex-presidente Lula

Análise: Lula confirma costuras ao Centro e promete mercado consumidor a empresários
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Atualizado há 5 meses

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Brasília, 20 de dezembro – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que as costuras por uma chapa com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já ultrapassam a preocupação com a vitória em 2022 e se antecipam à construção da governabilidade de seu terceiro mandado, caso realmente vença no próximo ano.

As posições de Lula em entrevista exclusiva à Reuters divulgada hoje confirmam cenários traçados pelo Scoop By Mover, que apontam a movimentação do petista ao Centro, sua ciência dos limites de uma agenda de mais gastos, a disposição para a negociação social e política ampla, além da construção de uma chapa de perfil moderado de “reconstrução nacional”.

“Eu ainda não decidi ser candidato porque tem alguns arranjos a serem feitos, não apenas da perspectiva de ganhar as eleições, mas de governar depois. Porque governar é muito mais complicado”, afirmou o petista à Reuters nesta segunda-feira.

Sobre formação de alianças, Lula afirmou que pretende construir acordos programáticos mínimos para “ganhar e para governar”. “Você não precisa fazer o ‘é dando que se recebe’. Você estabelece um programa mínimo e toca o pau”. Em outro trecho da entrevista, pontuou que “aliança política é necessária, para ganhar e para governar. E mais para governar que para ganhar”.

‘Lula paz e amor’ em 2022?

Reforçando seu rumo ao Centro, mais moderado, Lula também afirmou à Reuters que não atacará a imprensa ou opositores porque quer ser “um construtor de harmonia”, para “consertar” incompetências ou “o que foi destruído”.

Sobre conversas que tem mantido com empresários, disse que sua oferta é de um novo mercado consumidor para o país e indicou que discussões sobre reformas e privatizações ficariam para depois de uma eventual posse e dentro de sua possível gestão.

Lula propôs, ainda, um governo previsível, sem “surpresas todo dia” e lembrou que é preciso credibilidade externa e interna para governar. No entanto, destacou novamente que a prioridade é a agenda de combate à fome e que “o Estado tem que entrar na briga com muita competência, fazer o que tiver que fazer”.

Para a seara macroeconômica, Lula falou sobre critérios para sua proposta de aumentar o endividamento para direcionar recursos a investimentos públicos. “Mesmo se você tiver que contrair uma dívida pública para fazer um ativo produtivo, você não está gastando, você está investindo e no futuro esse ativo produtivo também te dá retorno”.

De olho no cenário da América Latina, em que as correntes de esquerda voltaram a ganhar forças, sugeriu uma aliança com a União Europeia, resistente às políticas ambientais do governo Jair Bolsonaro.

O intuito da aproximação com o Velho Continente seria “criar um bloco econômico, com posições políticas aproximadas, com visões ambientais aproximadas, para fazer frente a dois gigantes que estão aí agora, de um lado os EUA e do outro lado a China”.

Negociaçã0 à polarização

À Reuters, o ex-presidente falou, ainda, que sua posição à frente nas pesquisas — com Bolsonaro somando menos da metade de suas intenções de voto — não representa polarização.

Por fim, ressaltou que não teme instabilidades pós-eleitorais e em gesto possível para os postulantes da terceira via, falou que, “se for outro democrata” o vitorioso nas urnas, terá “muito prazer em convencer o meu partido a apoiar a volta da democracia nesse país”.

O jantar

Lula e Alckmin participaram de jantar do grupo jurídico Prerrogativas no domingo, 19, primeira aparição pública de ambos desde o começo das articulações.

No evento, estiveram presentes também o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva, o do MDB, deputado Baleia Rossi, o presidente e o relator da CPI da Covid, senadores Omar Aziz e Renan Calheiros, o ex-presidente da Câmara e secretário do governo paulista, Rodrigo Maia, e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Divulgação

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