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Disputas ideológicas, o início de uma investigação sobre corrupção no sistema de ensino e uma sequência de gafes colocam um ponto de interrogação no tempo de permanência de Ricardo Vélez Rodríguez como ministro da Educação – mais um sinal de como ala mais ideológica do governo do presidente Jair Bolsonaro se mostra desorientada quanto a seu papel na administração.

 

Vélez, colombiano de nascimento, sofreu um desgaste considerável ao longo das últimas duas semanas, primeiramente com a polêmica envolvendo a carta enviada às instituições de ensino público do Brasil, com o uso do slogan da campanha de Bolsonaro e com uma solicitação para que as escolas registrassem os alunos cantando o hino nacional. Agora, uma briga com Olavo de Carvalho, escritor e influenciador de alguns segmentos do bolsonarismo, gerou a exoneração de seis nomes dentro do ministério.

 

No mês passado, vários ministérios se juntaram para investigar a legalidade de medidas adotadas em gestões anteriores no âmbito do Ministério da Educação. Vélez e sua equipe identificaram favorecimentos indevidos no Programa Universidade para Todos, o ProUni, desvios no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, ou Pronatec, envolvendo o sistema S, e a concessão ilegal de bolsas de ensino a distância e irregularidades em universidades federais. As ações das empresas de educação privada têm caído em cinco dos últimos sete pregões – em parte por conta da investigação.

 

Várias matérias da imprensa veiculadas esta semana apontam ao desgaste de Vélez, com algumas apostando que ele será demitido. Para o cientista político Leandro Gabiati, da Domimium Consultoria, o desgaste e uma potencial demissão podem trazer um bônus inesperado para a administração Bolsonaro – seja porque pode enfraquecer ou fortalecer sua ala mais dogmática ou usar a pasta para obter apoio para sua agenda no Congresso, especialmente a reforma da Previdência.

 

Há um certo consenso em Brasília de que a insistência de Bolsonaro em evitar indicações políticas para os cargos de primeiro escalão pode acabar virando um tiro no pé ao longo da negociação de uma pauta polêmica e politicamente desagradável como a Previdência. Para Gabiati, uma reforma ministerial precisará ser considerada, e os ministros que darem motivo podem acabar saindo antes do tempo para abrir espaço.

 

“A falta de articulação para a criação da coalizão de governo poderia ser resolvida com uma reforma ministerial, e já é algo que se especula em Brasília. Com o desgaste do ministro, dar o ministério da Educação, que tem uma boa verba, a um partido que apoie a reforma da Previdência seria unir o útil ao agradável”, disse Gabiati em entrevista à TC News.

 

(Foto: Ricardo Vélez Rodríguez/Luis Fortes – MEC)

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