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Candidatos convergem ao Centro, aumentando previsibilidade

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Candidatos convergem ao Centro, aumentando previsibilidade

O cenário vai convergindo ao Centro, o que tende a reduzir a imprevisibilidade e o risco político na antessala da disputa eleitoral

Candidatos convergem ao Centro, aumentando previsibilidade
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Atualizado há 4 meses

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Brasília/São Paulo, 18 de janeiro –  A semana começou com novas jogadas no xadrez pré-eleitoral, confirmando ainda o cenário de movimento ao Centro dos principais postulantes ao Palácio do Planalto, em linha com as expectativas do mercado e apurações do Scoop by Mover.

O líder nas pesquisas Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de gestos recentes ao seu eleitorado tradicional, deixou claro aos setores resistentes do PT que a aliança com o ex-governador paulista Geraldo Alckmin veio para ficar e que precisa passar apenas pela fase de tratativas programáticas, conforme novos reportes de agências e colunas.

Aliados dele e de Alckmin afirmaram, também, que os entendimentos resistiram aos desafios programáticos e partidários prévios. Já no encontro com o maior foco de resistência ao acerto, Lula disse à ex-presidente Dilma Rousseff que o acordo com Alckmin é importante como aceno ao mercado.

A assertiva vale também como resposta à crítica do ex-presidente do PT, Rui Falcão, de que Alckmin “é contradição a tudo o que PT fez”, e que as prioridades não podem ser definidas pela Faria Lima – como foi dito por Falcão em entrevista ontem à Folha de S.Paulo.

Sobre o assunto, Lula segue dizendo que não concorda com desconfianças da Faria Lima de que faria uma gestão fiscalmente irresponsável, novamente reivindicando seus anos de governo como exemplo.

Após recuar do balão de ensaio de uma revogação da Reforma Trabalhista, no fim de semana pelo Twitter Lula lançou as bases da negociação: “A reconstrução do Brasil precisa começar pelo mais básico: garantir que todas as pessoas não passem fome, tenham direito a estudar e trabalhar em paz”.

Diálogos com o centro

Por enquanto, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, sinaliza apoio ao ex-presidente apenas no segundo turno, o que pode consistir em um segundo “pedágio” programático a Lula, caso a disputa precise de um round decisivo.

Por outro lado, avançam diálogos com o MDB, segundo informado pelo ex-presidente Michel Temer na quinta-feira à CNN Brasil. O emedebista disse que foi procurado por um interlocutor de Lula para tratar de apoio eleitoral, afirmou-se aberto a conversas, mas pediu um acordo programático.

Não é difícil imaginar um embarque do MDB na candidatura lulista, em meio ao favoritismo do ex-presidente. Caso não houvesse a tentativa de emplacar Simone Tebet como vice em alguma chapa, o esperado seria que o partido já estivesse junto de Lula.

As circunstâncias, contudo, tendem a postergar um alinhamento também para o segundo turno, sem prejuízo do compartilhamento de palanques estaduais desde já. Mas, tudo pode mudar se Lula aprofundar a tração de sua marcha ao Centro.

Governismo e terceira via

No campo governista, militares caminham para não repetir o protagonismo que tiveram em 2018. O núcleo duro da reeleição do presidente Jair Bolsonaro deve contar com políticos centristas experientes, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, segundo o Valor Econômico.

O senador Flávio Bolsonaro repetirá o peso da visão dos filhos do presidente na estratégia eleitoral, mas, neste caso, mais próximo do pragmatismo. Todavia, será preciso afinar a sintonia entre Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A polêmica sobre o reajuste salarial a servidores mostra que ainda não se sabe como a visão econômica de Guedes servirá de ativo eleitoral a Bolsonaro, bem como o que o governo fará para não passar o período eleitoral em choque – e em público – entre o que a ala política considera como necessidade e o papel de âncora fiscal do antigo “Posto Ipiranga”.

Na raia da terceira via, o ex-juiz Sergio Moro e o governador de São Paulo, João Doria – que já demarcaram suas postulações no campo liberal – seguem em busca de alianças e crescimento nas pesquisas, com vistas a voltarem a conversar sobre uma convergência de candidaturas em maio, após inserções de propagandas tucanas na TV. Cresce a pressão para desistência de Moro, colocando-o para concorrer ao Senado.

Assim, o cenário vai convergindo ao Centro, o que tende a reduzir a imprevisibilidade e o risco político na antessala da disputa propriamente dita.

Texto: Leopoldo Vieira e Machado da Costa
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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