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Em entrevista, Lula defende aliança “até com centro-direita"

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Em entrevista, Lula defende aliança “até com centro-direita"

Durante coletiva a verículos de esquerda, Lula disse que também ouvirá a Faria Lima e a bolsa de valores, entre muitos outros interlocutores

Em entrevista, Lula defende aliança “até com centro-direita"
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Atualizado há 4 meses

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Brasília, 19 de janeiro – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu enfaticamente a possibilidade de ter o ex-governador paulista Geraldo Alckmin como seu vice em chapa presidencial e disse que pretende construir sua eventual candidatura em consonância com alianças que precisam incluir atores de centro e até, “se necessário, de centro-direita”.

O tema Alckmin foi levantado pelo menos quatro vezes na entrevista concedida a veículos exclusivamente de esquerda, inclusive em perguntas francamente hostis ao ex-governador. Respondendo sobre as críticas que alas do próprio PT fazem a essa possível aliança, Lula respondeu que “o PT é um partido político, onde as pessoas têm o prazer e o direito de discutir até que o PT decida”.

Lula declarou textualmente que precisa de uma aliança não apenas na esquerda. Reiterou que não procura uma “aliança ideológica apenas para ganhar as eleições”, mas que pretende “construir um conjunto de alianças com forças políticas para fazer a transformação de que precisamos no Brasil”.

O discurso de Lula inclusive ponderou a possibilidade de avançar com uma reforma tributária. Nesse aspecto, deixou claro que suas soluções para o país passam por ter pobres no Orçamento e ricos no Imposto de Renda.

O petista disse que também ouvirá a Faria Lima e a bolsa de valores, entre muitos outros interlocutores, e que pretende recriar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social se tomar posse em 2003. No antigo “Conselhão” foram construídos os pactos entre os diversos setores sociais, sobretudo empresários, para seu primeiro mandato.

Lula ainda não quis confirmar que é candidato, mas falou várias vezes como tal. Disse que entra na eleição para ganhar, não para buscar protagonismo, afirmando que vai apresentar um programa aprovado pelas forças que comporão sua aliança.

Lembrando José de Alencar, ex-vice-presidente em seu governo entre 2003 e 2010, e sua visão social “altamente moderna e contributiva”, ressaltou que não escolherá um vice para ser “do contra”: “Quero um que compreenda que precisamos construir o Brasil novo que é possível construir. Tenho certeza que o vice vai cumprir esse papel”.

Política fiscal

Lula repetiu que ninguém precisa temer a política fiscal de eventual governo seu. Sinalizou que, se vencer, vai falar “de Brasil” com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e lembrou que o país teve superávits primários durante toda a sua gestão, uma exclusividade no grupo de países do G20.

O ex-presidente disse que o “sistema financeiro vai ter de aprender a não discutir com presidente apenas seus interesses”, defendendo uma ampla discussão com a sociedade para fortalecer a democracia e “convivência na diversidade”.

Lula informou que a indicação de um assessor econômico acontecerá “no tempo certo” e destacou que empresários, universidades e Estado ditarão uma nova política industrial. Ele também disse acreditar no Estado como indutor do desenvolvimento econômico, e que o papel das estatais será repensado em seu eventual governo.

“A Petrobras tem de ser tratada não como empresa de petróleo. A Petrobras foi por muito tempo gestora e indutora de desenvolvimento”, disse. Depois dessa fala, as ações da petroleira operavam em alta de 1,04%, a R$31,97 perto das 12h50. Lula disse que “quem está comprando as empresas brasileiras terá de saber que isso será rediscutido”, quando questionado sobre políticas privatizantes.

Reação do mercado

O mercado reagiu imediatamente ao “aceno ao centro” de Lula com um aumento pronunciado no apetite por risco: o dólar comercial acentuou quedas, atingindo R$5,47, os juros futuros caíam até 25 pontos-base e as ações mais voláteis da bolsa aceleraram altas.

Também chamou atenção a alta nos papéis das estatais superior às de seus pares, com a Eletrobras ganhando 3,91% às 12h48, enquanto o índice de Energia Elétrica subia 1,64%. As ações do Banco do Brasil subiam, na contramão dos papéis de Itaú e Bradesco.

Texto: Lucia Boldrini e Leopoldo Vieira
Edição: Felipe Corleta
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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