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São Paulo, 18 de março – O país e os investidores precisam ter confiança no que a equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro irá produzir, disse o ex-presidente Michel Temer, sugerindo que o governo precisa assegurar que está no controle da situação econômica em meio à piora recente na pandemia do coronavírus.


Ex-presidente aponta corrida cambial e aumento da inflação como preocupações

Em entrevista à TC Radio em sua residência, em São Paulo, Temer disse que os brasileiros, assim como os investidores, estão temerosos de que a inflação possa voltar a um patamar preocupante.

Perguntado sobre quais as maiores preocupações com a economia nacional no momento, Temer apontou que, se houver “uma corrida cambial e um aumento significativo da inflação, seria extremamente preocupante”.

“Temos que estar muito atentos a isso, eu sei que o mercado se preocupa, mas eu acho que o governo está atento”, disse Temer. “Temos que ter confiança no que a área econômica irá produzir […] seja isso uma mensagem de um plano, uma nova ‘Ponte Para o Futuro’, seria importante para o mercado”, apontou Temer. A fala fez referência à proposta para modernizar a economia brasileira que ele fez quando era vice-presidente da República, em 2015.

Momento político poderia ser amenizado se presidente Bolsonaro tomasse a vacina, diz Temer

A fala de Temer sugere que a predisposição de Bolsonaro contra a vacina pode estar criando empecilhos para a retomada da economia e da confiança. Para ele, o momento político atual “é preocupante”. Entretanto, poderia ser amenizado caso o presidente Bolsonaro se dispusesse a tomar a vacina contra a Covid-19.

Como ponto positivo do mandato atual, Temer destacou que Bolsonaro “percebeu o drama pelo qual passaram os mais pobres”. “Foram bilhões e bilhões de reais destinados a eles no ano passado com o apoio do Congresso Nacional”, apontou.

Temer evitou criticar Bolsonaro, mas disse que se o presidente “tivesse assumido o combate à pandemia no início, visitando estados, se transformaria em um herói nacional e em exemplo, até para a América Latina”.

No meio da entrevista, quando informado da morte do senador Major Olímpio, ex-aliado de Bolsonaro, por conta da Covid-19, Temer, visivelmente consternado, notou que “isso revela a importância […] de o presidente se posicionar no combate ao coronavírus”.

Político vê aumento da Selic como tentativa de evitar a inflação

Perguntado sobre o aumento na taxa básica de juros, a Selic, anunciado pelo Banco Central na noite de ontem, Temer disse que “o objetivo é tentar evitar a inflação, fundamentalmente foi isso”.

O comitê decisório dos juros, conhecido como Copom, elevou a Selic em 75 pontos-base, a 2,75% ao ano. Foi a primeira alta em quase seis anos, e a primeira decisão desde que a autarquia se tornou independente.

Temer reforçou a importância da aprovação das reformas Tributária e Administrativa

Para Temer, há “condições políticas e jurídicas para manter o Teto de Gastos públicos”. Ele destacou que, no caso de comoção interna e calamidade pública, é possível utilizar-se de créditos extraordinários para não furar a regra fiscal. Manter o Teto “dá credibilidade fiscal interna e internacional”, ressaltou, dizendo que “a credibilidade se faz por força do ajustamento fiscal”.

Ele também destacou a necessidade de passar algumas reformas econômicas, explicitamente a Administrativa e a Tributária, que ele disse ser “complicadíssima de fazer”. Precisamente essa dificuldade tem ajudado a amadurecer a ideia da Reforma Administrativa, disse Temer.

“Hoje há a possibilidade de aprová-la e acho importante para o país”, disse da Reforma Tributária. E destacou que a “Reforma Administrativa é indispensável de igual maneira”.

Ex-presidente disse que não pretende concorrer a outro cargo político em 2022

Em relação à eleição presidencial do ano que vem, Temer foi explícito em pedir ao país “deixar 2022 para 2022” e se voltar para o ano atual. Para ele, “2021 está muito grave e todo nosso pensamento tem que se voltar para o combate à pandemia”.

Parte do sucesso do país neste ano dependerá da atuação de Arthur Lira como presidente da Câmara, de quem tem a “impressão que fará uma boa gestão”.

Para Temer, a pandemia “tumultuou o panorama político e institucional do país”, dificultando a passagem de matérias e pautas relevantes para a economia no Congresso.

Sobre os planos futuros, Temer, de 80 anos, disse que “meu plano para o futuro é viver comigo mesmo e exercer minha profissão na área jurídica”. Ele não pretende concorrer a nenhum outro cargo na política. Desde 2003, é casado com Marcela Temer, ex-modelo, com quem tem um filho de 12 anos, também chamado Michel.

Texto: Vinícius Custódio e Leonardo Levatti
Edição: Guillermo Parra-Bernal e João Pedro Malar
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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