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Atualizado há 2 dias

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São Paulo/Brasília, 25 de novembro – Uma proposta de usar parte da arrecadação do Tesouro com a privatização da Eletrobras para aliviar conta de luz dos consumidores nos próximos anos foi mal recebida pelo Ministério da Economia, que lidera junto com a pasta de Minas e Energia as negociações sobre a desestatização da companhia, disseram ao Scoop by Mover duas fontes com conhecimento do assunto.

A sugestão foi apresentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, e previa que recursos obtidos com a venda de ações da estatal detidas pela União fossem direcionados para amortizar um financiamento que o governo tem estruturado para segurar reajustes tarifários em 2022, segundo uma das fontes, que pediram anonimato devido à sensibilidade do tema.

A privatização da Eletrobras será realizada por meio da emissão de novas ações, que diluirá a participação estatal na companhia a uma posição minoritária. Também poderá haver venda de ações da União na empresa através de uma oferta secundária.

Preocupada com o avanço nas tarifas, a Aneel propôs ao governo que os recursos obtidos com a oferta secundária fossem usados para beneficiar o consumidor de energia. O Scoop havia informado sobre a ideia ontem, com informações de fontes.

O governo busca viabilizar um empréstimo de até R$15 bilhões às distribuidoras como forma de evitar um salto de em média 16% na conta de luz em 2022. A operação seria paga em cinco anos pelos consumidores, mas a ideia da Aneel era usar parte dos recursos obtidos pelo Tesouro com a Eletrobras para quitar a dívida e evitar aumentos tarifários futuros.

Sem chances!

“Não há a menor possibilidade de o Ministério da Economia concordar com isso”, disse uma das fontes ao Scoop, ao defender que é preciso encontrar soluções estruturais para a tendência de aumento de custos no setor elétrico.

“Não estamos considerando essa possibilidade”, disse uma segunda fonte, com conhecimento dos planos da Economia. Procurada, a pasta não retornou a pedidos de esclarecimentos sobre sua posição.

Não foi possível saber de imediato qual a visão do Ministério de Minas e Energia sobre a sugestão da Aneel, e a pasta não respondeu questionamentos específicos do Scoop sobre o tema. O assunto ainda não foi tratado com a Eletrobras, de acordo com uma terceira fonte.

A pasta de Energia disse em nota que “diversas soluções estão sendo estudadas” para resolver um atual descasamento entre os valores cobrados pelas distribuidoras de energia e os custos reais de geração. Se nenhuma medida alternativa for tomada, seria necessário aumentar tarifas.

‘Conta-Covid’

“Há a discussão sobre uma operação de crédito nos moldes da ´Conta-Covid´”, afirmou o ministério, referindo-se a financiamento semelhante de cerca de R$15 bilhões costurado pelo governo para evitar saltos na conta de luz durante o início da pandemia de coronavírus, em 2020.

“Todavia, tendo em vista a preocupação em relação à tarifa de energia, com foco na capacidade de pagamento do consumidor brasileiro, o dimensionamento da operação, bem como suas condições (prazo, juros etc.) ainda se encontram em avaliação”, explicou a pasta.

“A ideia é atender a todas as distribuidoras que apresentarem problemas em seu fluxo de caixa em razão da situação de escassez hídrica”.

Texto: Luciano Costa e Simone Kafruni
Edição: Renato Carvalho e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / Mover

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