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leopoldo-vieira-teixeira

Atualizado há 13 dias

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Brasília, 10 de janeiro – A ideia de que um eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva pode dar margem a um “revogaço” de medidas liberais aprovadas nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro – que englobaria reforma trabalhista, Teto de Gastos e privatizações – não precisa ser tomada como risco pelo investidor.

Esse ‘revogaço’ deve ser visto como o início da ampla negociação que o petista comandará em busca da vitória nas eleições de outubro e para criar condições de governabilidade com forças e personalidades políticas moderadas do centro à centro-direita.

Como o Scoop by Mover antecipou ao final de 2021, a campanha lulista almeja formar uma coalizão de “reconstrução nacional”, e é parte de sua estratégia, neste momento, fortalecer a aliança com aliados e eleitores tradicionais de esquerda – para melhor negociar os termos de suas propostas de governo com forças políticas moderadas e agentes econômicos.

Interlocutores do ex-presidente disseram ao Scoop que o debate do “revogaço” e até mesmo o artigo assinado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, na semana passada, em defesa da retomada da visão desenvolvimentista, não expressam uma espécie de “insurreição dilmista”.

O objetivo é dar espaço para “muitas vozes” nesta etapa, compreendida como de formulações e debates. Segundo esses interlocutores, continua valendo a máxima de que só o ex-presidente Lula fala por si – ou seja, não tem nenhum porta-voz na economia.

Junto ao artigo de Mantega na Folha, na semana passada, foi publicado um “disclaimer” inédito dizendo que o texto não representava “o ponto de vista da candidatura Lula”, sendo apenas “o resultado de discussões de um grupo de economistas que assessoram o ex-presidente”.

Além do artigo, o mercado se assustou com uma manifestação do próprio Lula, em rede social, pedindo que os brasileiros acompanhem “de perto” o acordo feito entre governo da Espanha, empresários e sindicatos para alterar regras trabalhistas liberalizantes estabelecidas naquele país em 2012.

A reforma espanhola de 2012 inspirou as mudanças ocorridas na legislação do Brasil em 2017, dentro do ciclo de centro-direita que pode ser precocemente interrompido neste ano.

Na prática, o que a declaração destaca é o método de entendimento que Lula pretende adotar caso seja eleito, o que é um seguro para o investidor dada a firme posição de Lula como líder das pesquisas.

Antessala do anúncio do vice

O mercado tem no radar declarações da presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, que já disse que “na hora de revogar” o Teto de Gastos, a reforma trabalhista que “não gerou empregos”, que é preciso rever a política de preços dos combustíveis e “deter a privatização selvagem e rever os contratos lesivos ao país”.

Hoffmann cumpre a função de “ala esquerda” da frente ampla que Lula busca construir, para demarcar aquele espaço nas tratativas políticas. Em paralelo, seguem a todo o vapor as costuras para que o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seja vice de Lula.

Por isso, em nossa visão, manifestações como as de Hoffmann constituem gestos ao eleitorado de esquerda na antessala do possível anúncio do vice, que poderia ocorrer neste primeiro trimestre, inaugurando a etapa de concertação da candidatura.

Segundo coluna de domingo de Lauro Jardim, em O Globo, Lula não deve “piscar” ao mercado financeiro antes de abril. Em reuniões com economistas do PT, escreveu Jardim, Lula passou a cogitar a indicação de um empresário como ministro da Economia – este é o verdadeiro fato novo e relevante a ser observado pelos agentes econômicos.

Quanto mais peso Alckmim tiver na composição, se ela for confirmada, e mais partidos de centro Lula arrastar consigo no primeiro turno, maiores serão as garantias de estabilidade.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Allan Ravgnani
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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