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Lula percebe necessidade de ‘presidencialismo da conciliação', diz sócio da Macro Capital

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Lula percebe necessidade de ‘presidencialismo da conciliação', diz sócio da Macro Capital

"Não importa se o presidente se será Lula ou Bolsonaro, mas é necessária essa conciliação", afirmou Nilson Teixeira à TC Rádio

Lula percebe necessidade de ‘presidencialismo da conciliação', diz sócio da Macro Capital
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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 25 de janeiro – A carreira do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre teve uma busca por conciliação e, no momento, a busca por uma aliança com Geraldo Alckmin é um exemplo da sua percepção da necessidade de um ‘presidencialismo de conciliação’, afirmou Nilson Teixeira, sócio fundador da Macro Capital, em entrevista à TC Rádio.

“A carreira de Lula tem sempre o processo de falar para as suas bases, mas sempre teve também a busca por conciliação. A busca por uma aliança com Geraldo Alckmin é um exemplo de sua necessidade do presidencialismo da conciliação, e é a única forma de haver evolução”, diz Teixeira.

“Não importa se o presidente se será Lula ou Bolsonaro, mas é necessária essa conciliação e me parece que hoje, dado o percentual de intenção de votos, e a habilidade política para tal, o mais capaz seria o Lula”, avaliou.

Em relação aos demais candidatos, Teixeira acredita que Moro não deve se consolidar como um nome da chamada ‘terceira via’. “Precisa de uma experiência política muito maior para conseguir essa tarefa que não é fácil, de buscar um pacto nacional. Eu não diria que ele tem a experiência necessária para ser presidente e acredito numa probabilidade muito baixa, difícil, de atingir 20%, 25% das intenções de voto até o fim do ano”.

Por outro lado, ele comentou que o governador de São Paulo, João Doria, tem “capacidade de fazer negociação por conta do PSDB”, mas ressaltou a dificuldade de Doria trazida pelas baixas intenções de voto nas últimas pesquisas, e pela estrutura do partido, que segue enfraquecida.

Ainda sobre a ‘terceira via’, Teixeira, que também atuou como economista-chefe do Credit Suisse, disse que há expectativa no mercado em torno desse cenário, porém o país está se aproximando de momentos cruciais da campanha, com um contexto de polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o líder do PT.

“Nenhum deles – Sergio Moro, João Doria e Ciro Gomes – parece ter fôlego para crescer muito. Com ataques, é esperado que a intenção de votos em Lula tenha um recuo. E, no poder, Bolsonaro tem instrumentos para melhorar a intenção de votos”.

Ele citou como exemplos desses instrumentos a medida ligada à redução dos preços dos combustíveis, que pode vir a ajudar a popularidade do presidente, assim como o início do pagamento do Auxílio Brasil. Reiterou, porém, que o cenário mais provável é a vitória do ex-presidente Lula.

Governo Bolsonaro

No programa Espresso da Manhã, o executivo também fez um balanço do primeiro mandato do presidente Jair Bolsonaro para o mercado financeiro e para a economia no geral. Segundo ele, o saldo é negativo, frente às expectativas que o mercado tinha.

“Se voltarmos aos discursos do ministro da Economia, Paulo Guedes, podemos ver que deixaram muito a desejar com as promessas. De fato, um crescimento próximo a 0% e uma inflação ainda alta são desfavoráveis para o atual presidente”.

O presidente Jair Bolsonaro tem mantido um tom e uma postura muito mais voltada para sua base eleitoral do que um aceno aos partidos do centro. Para Teixeira, Bolsonaro tenta solidificar o apoio de sua base “mais aguerrida”, mas precisa adotar um tom mais conciliatório com o Centro.

“Bolsonaro já fez uma aproximação com parte do centrão, para evitar um possível processo de impeachment, mas ele ainda precisa andar muito para mostrar essa aliança. O presidencialismo de coalizão hoje é muito mais fraco”.

Durante a entrevista, ele falou ainda sobre o cenário de volatilidade nos mercados, “comum em todo período eleitoral”, e disse que não se sabe ainda quais medidas serão apresentadas pelos candidatos.

“Não sabemos o que um candidato entende por responsabilidade fiscal, por exemplo, se é cortar gastos ou manter o Teto. Acho que o próximo presidente, se for o Lula, tende a caminhar para o Centro, buscar coligação e essa é a única forma de ter ajustes com a economia”, afirmou.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Renato Carvalho
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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